segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

II Passeio Micológico e workshop em Moncorvo

Decorreu no passado Sábado o II Passeio Micológico e Workshop, dedicada à recolha, estudo e valorização dos cogumelos, espécie que faz parte da nossa dieta alimentar e nos leva a percorrer o campo no Outono e Primavera.
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O início da explicação no Roboredo.
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A sessão, orientada pelo Eng.º Afonso Calheiros e Menezes teve início às 10.00 horas junto ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, com uma breve apresentação e introdução do programa da jornada. Seguiu-se o passeio a pé até à Mata Nacional do Roboredo, no percurso do caminho antigo que ligava Torre de Moncorvo a Lamelas.
Aqui, recolheram-se cerca de 16 espécie de cogumelos venenosos/não comestíveis - Amanita muscaria (Regalgar), Amanita pantherina, Cortinarius trivialis, Kuehneromyces mutabilis, Hypholoma fasciculare, Collybia fusipes, Collybia confluens, Hygrophoropsis aurantiaca, Lycoperdon pyriforme, Clitocybe giba, Clitocybe pithyophila, Russula sp., Lactarius chrysorrheus, Pisolithus tinctorius, Agaricus xanthoderma, entre outros - e cerca de 7 cogumelos comestíveis - Suillus bellini, Xerocomus ferrugineus, Lacaria ametisthyna, Clitocybe odora (com cheiro a anis), Macrolepiota procera (roque, rocos), Boletus edulis, Lactarius deliciosus (sancha, pinheiras).
A explicação versou também sobre a flora da região, principalmente a relação desta com o reino dos fungi.
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A excelente Lactarius deliciosa (Sancha), que este ano tarda a aparecer.
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Dois Macrolepiota procera, em formação.
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Um Amanita Muscaria (venenoso)
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A descoberta de um Boletus edulis gigante (comestível).
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De tarde, o workshop no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, teve início pelas 14.30 horas, com uma breve apresentação teórica sobre a ecologia dos fungos, onde os cogumelos se inserem, seguida de uma breve caracterização das principais espécies comestíveis e não comestíveis existentes da região.


A sessão explicativa teórica.
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Seguiu-se a sessão prática, com a disposição dos cogumelos recolhidos no passeio, em comestíveis e não comestíveis, e a respectiva identificação e caracterização.
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Os participantes durante a sessão de classificação das espécies.

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O cogumelo venenoso e alucinogénico Amanita muscaria (ou Regalgar).
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O cogumelo Hygrophoropsis aurantiaca.
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O cogumelo não comestível Clitocybe giba.


Os cogumelos recolhidos depois de identificados.
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A fogueira do magusto

No final do dia, realizou-se o magusto, tendo sido servido um lanche com produtos regionais aos participantes do evento. A eles, os nossos agradecimentos pela participação e pelo interesse e empenho demonstrado.

(Fotos PARM/MF&RM)

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Passeio Micológico II - Divulgação na Imprensa



O II Passeio Micológico e workshop, que se irá realizar amanhã, a partir das 10.00 horas, foi ontem divulgado na Revista Visão n.º 870, dedicado ao Ambiente, na secção "Sete", pág. 3.

Recorda-se a todos os interessados que deverão efectuar inscrição até às 17.00 horas de hoje.

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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

II Jornada Micológica em Torre de Moncorvo

PROGRAMA:

De manhã:
10;00h – Concentração no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo – breve explicação da acção e dos seus objectivos, por parte da organização;
10;15h – Saída a pé em direcção à serra do Roborêdo, pelo caminho da casa florestal (antigo caminho medieval que ia de Torre de Moncorvo para Mós, Freixo de Espada à Cinta, etc.);
Até às 12;00h – observação com colecta selectiva de alguns cogumelos para se classificarem e analisarem na sessão que terá lugar da parte da tarde.
12;30h – Chegada.
Almoço por conta dos participantes, nos locais à sua escolha.

Equipamento: o participante deverá levar calçado apropriado para andar no campo, impermeável e guarda-chuva, se o tempo a isso obrigar; máquina fotográfica; 2 canivetes; se é já um conhecedor de cogumelos e quiser trazer alguns para consumo próprio, deverá levar um saco especial para este efeito; se quiser recolher outros cogumelos para análise na sessão da tarde, deverão estes ser cuidadosamente apartados dos comestíveis – A colecta a realizar deverá ser feita de acordo com o Código de Conduta do Apanhador de Cogumelos, que será distribuído aos participantes.

Da parte da tarde:
14;30h – Encontro dos participantes no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, para assistirem à palestra sobre cogumelos, com projecção de uma apresentação PowerPoint, pelo Engº. Afonso Calheiros e Menezes (engenheiro florestal, técnico superior do PNDI e presidente da Direcção do PARM);
Após a palestra, será feita uma seriação e classificação das espécies recolhidas na acção de campo, com orientação do Engº. Afonso Calheiros e recurso a bibliografia especializada.
Ao final da tarde: Magusto /convívio.

Nota: Pede-se a todos os interessados que se inscrevam até às 17;00 horas do dia 6 de Novembro, através dos contactos habituais.

A organização.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

II Passeio Micológico

(Clique no convite para aumentar)

Convidam-se a todos os interessados a participar!

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

VI Partidela Tradicional da Amêndoa

Decorreu no passado Sábado, a sexta edição da Partidela Tradicional da Amêndoa, no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, constituindo já um dos pontos altos da programação anual do nosso museu.

Este ano contou com a participação especial do Grupo de Teatro "Alma de Ferro" que encenou vários dos aspectos do ciclo da amêndoa, particularmente a apanha, a descasca e a secagem, com alusões à "brecha" e ao "rebusco".

Seguiu-se a partidela onde participaram cerca de uma centena de pessoas do concelho, assim como vários visitantes do resto do país e até um representante da vizinha Espanha. Antes de ser servida a merenda tradicional, que acompanhava as antigas partidelas, a Tuna Tradicional da Lousa, brindou-nos com mais um concerto de grande qualidade, como é habitual.

A todos os artistas, participantes, colaboradores voluntários e patrocinadores os nossos agradecimentos, por terem tornado possível a concretização desta actividade, com empenho notável. Aqui fica uma breve reportagem fotográfica do evento:

O grupo de teatro Alma de Ferro, encenando a apanha da amêndoa.


Apanha da amêndoa com toldo (a partir dos anos 70 do séc. XX)

O numeroso público assistinda à representação - à direita, um Amigo vindo expressamente de Salamanca

O virar da amêndoa, para secagem, nos sobrados.

Vista geral do momento da partidela, com participação do público.
Idosas dos Lares e jovens, lado a lado, ao despique
Visitantes pertencentes ao grupo de teatro de Lordelo

Experimentados/as partidores/as cá da terra...
Uma representante da Madeira (futura guia-intérprete), que partiu amêndoa pela primeira vez

Outro aspecto da Partidela

Pancada seca de ferrinho sobre a amêndoa e... crásch!!
Uma festa para os mais novos verem como é (era)
Uns trabalham, outros observam... como se estivessem ao soalheiro

Actuação da tuna popular da Lousa, abrilhantando o evento
E, como manda a tradição, a merenda espera pelos partidores, ao fim da jornada.
Saborosas iguarias generosamente oferecidas pelo comércio local - para eles, para a Associação Cultural e grupo de Teatro Alma de Ferro, para a Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, a todos os participantes, o nosso Muito Obrigado!
Para que as nossas Tradições não morram!
(Fotos - PARM/MF&RM)

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

VI Partidela Tradicional da Amêndoa


Convidam-se todos os interessados a participar num dos principais eventos promovidos pelo Museu do Ferro & da Região de Moncorvo - a Partidela Tradicional da Amêndoa - que terá lugar no próximo dia 24 de Outubro (Sábado), a partir das 15:30 horas.

Agradece-se a confirmação de presença até ao dia 21 de Outubro (Quarta-feira), podendo ser efectuadas através do telefone/fax 279252724 e dos mails museu-ferro@hotmail.com e parmoncorvo@gmail.com.

Saudações associativas!

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Palestra "A Geologia como Ciência Forense"

Tal como foi previamente anunciado, decorreu no passado Domingo, dia 6 de Setembro, a palestra "A Geologia como Ciência Forense", pelo Prof. Doutor Fernando Noronha, no Auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.

Abertura da sessão
A sessão teve início pelas 15.30h, com as intervenções de boas-vindas pelo Sr. João Rodrigues (em representação da CMTM), Dr. Nelson Campos (MF&RM), e Dr. Rui Sousa e Rodrigues (coordenador da secção de Geologia do PARM). Ao Dr. Rui Rodrigues coube também a apresentação do palestrante, que o definiu, em primeiro lugar como "um Homem da Cultura".

Apresentação do orador, Prof. Doutor Fernando Noronha
Seguiu-se a intervenção do Doutor Fernando Noronha, que começou por referir as razões que o levaram a trazer este tema tão específico a Moncorvo, considerando que este - a interdisciplinareidade da Geologia com a Ciência Forense - era um nicho de mercado que se encontra em implementação, e com um futuro promissor, pois tem-se tornado cada vez mais útil à sociedade. Referiu muito particularmente o papel importante que tem vindo a ser desempenhado pelo GIGPAF - Grupo de Investigação em Geologia e Palinologia Forenses, afecto à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

O Doutor Fernando Noronha no uso da palavra.

Seguiu-se uma explicação sintética sobre como a história da Ciência Forense e os métodos e processos de investigação têm evoluido, e sobre o papel das várias ciências físicas, naturais e humanas para o aperfeiçoamento desta ciência, dando-se particular destaque à Geologia. Aqui referiu-se muito pormenorizadamente as aplicações e os contributos da geologia, quer através dos vários tipos de crimes em que pode ser chamada a intervir, (nomeadamente assassínios, assaltos, raptos, fraudes, ou tráfico de droga), assim como as formas concretas de que a Geologia dispõe para os ajudar a solucionar, através da análise de lama, seixos, rocha, partículas minerais, partículas orgânicas, entre outros.

A plateia no início da actividade.
A segunda parte da palestra consistiu em enumerar os principais meios de diagnóstico à disposição do geólogo forense para a análise das "evidências"/provas, nomeadamente espectómetros, microscopia (particularmente a microscopia electrónica de varrimento), difracção por raios X, tendo particular destaque a microssonda Raman, já que permite efectuar análises não destrutivas.
Foram, apresentados vários casos práticos onde a Geologia Forense desempenha um papel importante, nomeadamente a identificação da genuinidade/falsificação de certos objectos, como por exemplo pedras preciosas, obras de arte, mas também materiais de uso corrente, como os cheques, notas, etc..
Por fim, foi referido que a Geologia Forense é um ramo da Geologia em franco crescimento, tendo-se já publicado vários artigos científicos, e estando em curso um pós-doutoramento sobre o assunto. Foi particularmente valorizada a relevância da cooperação das várias ciências para o progresso do conhecimento pela Humanidade.

A assistência no período de debate.

O período de debate, no final, foi particularmente participado, com a apresentação de dúvidas e de vários casos práticos que mereceram a maior atenção do palestrante. Esta foi uma actividade que contou com cerca de trinta participantes, da região e de outros pontos do país que, decerto, apreciaram devidamente esta palestra extraordinária, isto é, ao nível que o Doutor Noronha nos habituou.
(Fotos PARM/MF&RM)

Ciência Viva no Verão - Ribeira do Medal

Decorreu no dia 5 de Setembro, a última acção programada pelo PARM no âmbito do Programa Ciência Viva no Verão. Desta vez, a actividade centrou-se na biologia, com o tema geral "Fauna e flora do vale do rio Sabor", com orientação técnica do Eng. Afonso Calheiros e Menezes.

A sessão centrou-se na confluência do Ribeiro do Mondego com a Ribeira dos Estevais, originando a Ribeira do Medal, e zonas envolventes, tendo decorrido no extremo Nordeste do concelho de Moncorvo. Aqui foi descrita a fauna e flora do local, apontando-se alguns exemplos mais pertinentes. Aqui ficam as imagens desta actividade.

















Agora, que terminaram as actividades do Ciência Viva previstas para o corrente ano, só nos resta esperar que possamos contar com a vossa presença no próximo ano. Não podemos deixar de agradecer os apoios do Município de Torre de Moncorvo, do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, dos Srs. Hélder e Luís Ferreira, assim como de todos os participantes destas três acções da Ciência Viva no Verão.
Aproveitamos para solicitar a todos os participantes que fizeram um registo fotográfico da acção, caso o entenderem, que nos façam chegar fotografias com os melhores pormenores, com o objectivo de integrarem o Relatório Final do Programa, sendo também publicados neste local, com os direitos de autor devidamente salvaguardados.
(Fotos PARM, N. Campos, A. Calheiros e Menezes e Eng.ª Marisa Carloto)

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Ciência Viva no Verão - Divulgação na Imprensa

Para ler a notícia completa em formato html, ver: http://mdb.pt/noticia/2060
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segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Ciência Viva no Verão - Minas da Carvalhosa

O PARM realizou, no passado sábado, a segunda de três actividades relacionadas com o Programa Ciência Viva no Verão, desta vez nas minas de ferro de Moncorvo - zona da Carvalhosa. A orientação da sessão ficou a cargo dos Drs. Nelson Campos e Rui Leonardo, e com a excelente colaboração do geólogo, Dr. Higino Tavares.

Aqui ficam as imagens do evento que reuniu 30 pessoas de vários pontos do país, preenchendo a totalidade das vagas. Agradecemos, desde já, a sua participação.







(imagens: Arquivo PARM)

Para saber mais sobre as minas de Moncorvo, ver a excelente reportagem de autoria de Lígia Meira e Marcos Prata, para a Localvisão

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Palestra "Geologia como Ciência Forense"



Convidam-se todos os interessados para assistirem à palestra "A Geologia como Ciência Forense", pelo Prof. Doutor Fernando Noronha, no próximo dia 6 de Setembro (Sábado), pelas 15.30 horas, no Auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.


O Prof. Doutor Fernando Noronha, é Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com vasta obra publicada no âmbito da Geologia. Temos a honra de o receber, pelo segundo ano consecutivo, no Museu do Ferro com uma palestra de particular relevância. Recorde-se que no ano transacto proferiu a palestra "Jazigos de Ferro Portugueses", com grande destaque para o Jazigo de Ferro de Moncorvo.

Contamos com a vossa presença e a melhor divulgação deste evento!

quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Feiras de Asininos em terras de Mogadouro e Miranda

Os nossos amigos do Planalto, a AEPGA (Assoc. para o Estudo e Protecção do Gado Asinino) vão promover, nos próximos dias 5 e 6 de Setembro, duas importantes actividades relacionadas com a divulgação e promoção do burro de raça mirandesa. Aqui ficam os cartazes:



É de salientar que os asininos de raça mirandesa se encontram em risco de extinção, pelo que devemos contribuir para a sua preservação.
Por outro lado, as antigas feiras do Naso e de Azinhoso, estas últimas conhecidas desde a Idade Média, eram o grande ponto de encontro dos povos do planalto, onde "mercavam" as suas reses (não só burros, mas muares, gado vacum mirandês, e naturalmente outras coisas). Aí se comia a famosa "posta mirandesa" e se convivia. Por isso, aqui fica também a nossa recomendação para que visite e participe nestes eventos.

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Ciência Viva no Verão - Fraga do Arco

No passado sábado, dia 22 de Agosto, teve lugar a primeira das três actividades programadas pelo PARM para o Programa Ciência Viva no Verão 2009, que se centrou na Fraga do Arco, em Maçores.
A explicação geológica ficou a cargo do geólogo Dr. Rui Sousa e Rodrigues, que demonstrou como teria origem a formação quartzítica que consitui este monumento geológico.
Aqui ficam as imagens do evento que contou com a participação de 20 pessoas, originárias do concelho de Moncorvo, assim como de outros pontos do país.
A organização agradece aos participantes todo o empenho e interesse demonstrado no decorrer da acção.

A fraga do Arco, vista do ponto de explicação da formação quartzítica, onde se insere.

Os participantes atentos à explicação do Dr. Rui Sousa e Rodrigues



A chegada...


Fotografia de grupo com os participantes da acção.

Os jovens na Fraga.


Um momento de descanso e de apreciação da envolvente...


Formação quartzítica que se encontra defronte da fraga do Arco,
na margem direita do ribeiro de Vale de Cerejais.
(Fotos: Arquivo do PARM)

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Programa Ciência Viva - Geologia e Biologia no Verão 2009

Pelo terceiro ano consecutivo o PARM organiza actividades no âmbito do Programa Ciência Viva. No corrente ano decidimos organizar uma actividade no âmbito da Biologia no Verão, associada a outras duas relacionadas com a Geologia.

A inscrição nas actividades é obrigatória, com o máximo de 30 participantes por actividade. Podem efectuar as inscrição através dos seguintes meios:

- Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, no Largo Dr. Balbino Rego
- pelo telefone: 279 252 724
- por e-mail: parmoncorvo@gmail.com ou museu-ferro@hotmail.com
- pelo site do Programa Ciência Viva: http://www.cienciaviva.pt/veraocv/2009/

Recomendamos aos participantes trazerem roupa e calçado apropriado, bem como protector solar, dada as elevadas temperaturas e intensidade do raios ultra-violetas.

Contamos com a vossa participação e a melhor divulgação deste evento!

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Palestra sobre Património do concelho de Torre de Moncorvo - em jeito de balanço

Mesa da conferência, no início da sessão
Como foi anunciado, realizou-se no sábado passado, dia 8 de Agosto, no auditório do Museu do Ferro e no contexto da Exposição "VESTÍGIOS...", a palestra sobre o Património Arqueológico e Arquitectónico do concelho de Moncorvo.
Aberta a sessão pelos representantes do município (Sr. João Rodrigues, em representação do Sr. Presidente da Câmara) e do PARM (Engº. Afonso Calheiros e Menezes, Presidente da Direcção), seguiram-se as intervenções do Sr. Prof. Doutor Adriano Vasco Rodrigues, Sr. Norberto Santos e Drs. Nelson Campos e Rui Leonardo.
O Professor A. Vasco Rodrigues, Amigo do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, referiu-se aos seus trabalhos pioneiros, em co-autoria com sua esposa, Drª. Maria da Assunção Carqueja (natural do Felgar), sobre a problemática da metalurgia antiga na região, partindo do estudo dos escoriais e da documentação (nomeadamente pergaminhos medievais actualmente guardados no Arquivo Histórico de Torre de Moncorvo), tendo realizado escavações e até uma reconstituição de um forno de fundição, no que pensamos ter sido o primeiro caso de Arqueologia Experimental em Portugal (1963). Referiu-se ainda aos seus trabalhos em colaboração com o insigne epigrafista D. Domingos de Pinho Brandão, no Vale da Vilariça (Missão de estudo arqueológico, em 1962), e a descoberta da ara dedicada a Denso, em Silhades, no vale do Sabor, entre outros valiosos contributos para a arqueologia e história da nossa região.


Imagem da apresentação, com evocação dos pioneiros da Arqueologia da região.

O Sr. Norberto Santos, filho do Prof. Santos Júnior, residente em Torre de Moncorvo (e também Amigo do Museu do Ferro) relatou algumas andanças de seu pai, nomeadamente em Moçambique, onde partiu uma perna na sequência de um ataque de abelhas bravias, quando procedia ao levantamento de uma gruta com pinturas rupestres. A partir desse acidente o Prof. Santos Júnior passou a ter de usar uma bengala, a qual usava como escala, nos seus registos arqueológicos.

Os organizadores desta sessão fizeram questão de referir ainda o contributo de outros pioneiros da arqueologia da região, como o abade José Augusto Tavares (1868-1935), e, a nível mais local, as recolhas do Dr. Horácio Simões, Sr. Almiro Sotta e Sr. Amílcar Pinto Rebelo. Como parece que em Portugal a memória dos novos investigadores é normalmente curta e não-raro depreciativa relativamente aos contributos anteriores, ao contrário, os investigadores do PARM,querendo marcar a diferença, entendem ser da maior justiça mencionar todo o trabalho anterior, o que possibilitou que a Carta Arqueológica do concelho seja particularmente rica, apesar de muitos dos achados, infelizmente, não se encontrarem na região, devido ao facto de não ter existido, até tempos bem recentes, um Museu local onde essas peças ficassem resguardadas. Foram referidos vários casos de objectos arqueológicos em Museus nacionais, como o Museu Nacional de Arqueologia (onde se encontram os berrões das Cabanas, um dos quais é emblema do PARM, a ara do Baldoeiro, a estela calcolítica do Couquinho e o ídolo de Moncorvo), além de outras peças dispersas pelo Museu Geológico de Portugal, Museu do Abade de Baçal, etc..

Professor Adriano Vasco Rodrigues, no uso da palavra, e Sr. João Rodrigues, assessor e representante do Sr. Presidente do Município

Segundo Nelson Campos, o objectivo desta sessão foi também o de se fazer um balanço (ainda que necessariamente breve e muito preliminar) do estado dos conhecimentos sobre o património arqueológico e arquitectónico existente (e identificado até à data) no concelho de Torre de Moncorvo. A partir daí, tentou-se traçar um quadro da ocupação humana do nosso território (que obviamente não se confina às fronteiras artificiais do concelho), pelo menos nos últimos 5.000 anos, já que os dados para épocas anteriores são bastante escassos. Assim, a palestra visava dar um pouco mais de substância à Exposição "VESTÍGIOS...", funcionando como um complemento, ou como outra face de uma mesma moeda, tendo em vista a organização de uma futura sala de Arqueologia & História, prevista desde o início, nos espaços do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.

O mesmo responsável do PARM e do Museu do Ferro referiu os primórdios dos trabalhos de Carta Arqueológica do concelho de Torre de Moncorvo, por si iniciada em 1981, ainda como trabalho pessoal de foro académico, no 1º ano da FLUP, tendo acabado por se incorporar no inventário arqueológico do concelho desenvolvido a partir de 1983, quando o PARM se organizou como grupo (ainda que informal), com vários colegas de curso da mesma Faculdade (Alexandra Lima, Miguel Rodrigues, Paulo Dordio, Ricardo Teixeira, Joaquim Henriques, Paulo Amaral e outros). Colaboraram ainda nesses trabalhos Higino Tavares, Carlos Ferreira, Alberto Castelo, entre outras pessoas que nos forneceram preciosas informações e ofereceram vários objectos arqueológicos. Este registo, com base em prospecções e identificação cartográfica de informações recolhidas, culminaria num primeiro relatório e ficheiro fornecidos à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo em 1993, para inclusão no PDM (Plano Director Municipal).

Sr. Norberto Santos, filho do Professor Santos Júnior, no uso da palavra

Por solicitação do município de Torre de Moncorvo ao PARM, durante o ano de 2008 procedeu-se à revisão e aditamento do anterior inventário arqueológico do concelho, tendo em vista a revisão do PDM concelhio. Foram entregues em Janeiro de 2009 três volumes (sendo um de Relatório introdutório, chaves de leitura e bilbiografia geral + 2 vols. de ficheiro, incluindo localizações e definição de perímetros de protecção em cartografia digital), tendo-se ampliado consideravelmente o documento anterior, isto apesar de haver consciência de que falta ainda muita coisa, uma vez que, como foi dito, "um inventário arqueológico é um documento sempre em aberto".

A pormenorização das partes constituintes do Inventário Arqueológico do concelho esteve a cargo de Rui Leonardo, licenciado em Arqueologia, membro da Direcção do PARM e que também trabalhou nesta fase de revisão do dito Inventário. Foi dada a conhecer a ficha de levantamento utilizada e substancialmente melhorada em relação à versão anterior, referindo-se cada um dos campos, além de todos os processos metodológicos que estiveram na base do trabalho.

Em jeito de síntese, foi referido que o ficheiro do inventário do concelho entregue para o novo PDM, incluía um total de 165 sítios arqueológicos e outros valores patrimoniais (incluindo a área do Douro classificada como Património Mundial/Alto Douro Vinhateiro, na freguesia da Lousa). Não se entrou em detalhes na área do vale do Sabor, onde se realizaram estudos de pormenor por outras equipas a soldo da EDP, visto que, como será uma área a ser submersa pela albufeira de uma grande barragem, não fazia sentido incluir a totalidade dos sítios detectados num documento que se pretende de gestão futura do território (solo utilizável), como é o PDM. Em todo o caso, como foi dito, esse registo poderá ser incluído na publicação final, como forma de se entender a totalidade do património e a articulação das redes de povoamento numa visão mais global.

Dr. Rui Leonardo durante a sua intervenção
Através de vários gráficos, Rui Leonardo mostrou as diferentes tipologias de património registado e sua valoração (classificado/não classificado, e, dentro dos não classificados, os graus de importância atribuídos). Houve uma tentativa de distinção de dois grupos principais (tendo em conta até o título do documento: a) Património Arqueológico; b) Património Edificado (cabendo neste o património construído erudito e o rural ou vernacular). Assim, no primeiro grupo consideraram-se 70 sítios arqueológicos (de diversos períodos) e no 2º grupo 76 elementos patrimoniais de tipo construído, sendo certo que não se incluíram muitas capelas, nem todas as casas de traça solarenga, faltando ainda muitos moinhos, pombais, apiários etc., razão pela qual o PARM pretende dar continuação a este trabalho e propôr uma actualização temporária e sistemática do referido inventário.

Em termos de património classificado, foi referido que existem 3 Monumentos Nacionais (igreja matriz de Torre de Moncorvo, igreja matriz de Adeganha e ruínas de Santa Cruz da Vilariça), 14 Imóveis de Interesse Público (com predomínio de capelas, embora com dois sítios arqueológicos e ainda os vestígios do castelo de Mós) e ainda uma pequena extensão do Património Mundial equivalente à paisagem cultural do Alto Douro Vinhateiro, na vertente sul da freguesia da Lousa. Estão em vias de classificação há vários anos, o sítio arqueológico de Silhades (Felgar), que, pelos vistos, acabará submerso pela albufeira do baixo Sabor, as peças originais do chafariz filipino recolocado há poucos anos na praça Francisco Meireles, e a igreja matriz do Larinho, proposta pelo PARM. Foi ainda sob proposta ou em colaboração com o PARM que se classificaram os sítios arqueológicos do Baldoeiro e Alfarela e o santuário do Santo Apolinário de Urros, além da proposta (que não se efectivou) do conjunto arqueológico e edificado de Silhades.

Apresentação da cartografia de síntese e conclusões sumárias do trabalho

No final, Nelson Campos apresentou uma tentativa de síntese cartográfica dos sítios arqueológicos conhecidos por períodos e tipologia, desde a pré-história recente ao período medieval, evidenciando os modelos de povoamento característicos das diferentes fases.
Se, por um lado, se detectaram algumas constantes entre o povoamento da Pré-história Recente e a Idade do Ferro em relação aos períodos posteriores a correlação continua a notar-se em vários pontos, embora sem uma sobreposição exacta, entre o período dito "castrejo" (Idade do Ferro) e a época romana, em que se nota, tal como em muitos casos no Noroeste, uma "descida" dos habitantes indígenas dos seus promontórios fortificados para os povoados romanos ("villas" ou "vicus") em zonas abertas, de vale. Poucos são aqui os "castros" em que se encontram vestígios abundantes da época romana no interior dos seus recintos.
Do mesmo modo, o período pós-"Reconquista" parece fazer deslocar o povoamento, de novo, para os pontos mais altos e defensáveis. Feito o balanço da ocupação medieval, foi abordada a questão específica dos escoriais de ferro, que vão desde as coincidências com vestígios desde a época romana até ao período medieval e posteriores. Só escavando esses escoriais se podem "afinar" as cronologias e também saber mais sobre os processos tecnológicos - outra grande via de pesquisa, segundo o PARM. Foram referidos, neste passo, além dos estudos pioneiros do professor Adriano Vasco Rodrigues, os últimos trabalhos do Sr. Prof. Engº. (jubilado) Horácio Maia e Costa, em vias de publicação. Tivemos a honra de acompanhar as recolhas que fez, no terreno, no ano passado, tendo-nos o autor já comunicado os resultados preliminares, com muitas novidades interessantes, pelo que se impõe a classificação de todos os escoriais de ferro do concelho, pelo menos e para já, como Valores Concelhios.

Várias outras conclusões foram tiradas, além do alerta que foi deixado para a necessidade de preservação destes vestígios, como um imperativo de cidadania, pois são estes testemunhos, frágeis em muitos casos, que nos permitem responder à grande questão: quem somos e para onde vamos? N. Campos disse ainda, apontando para o computador portátil, que somos como esta máquina: sem memória não funcionamos; uma sociedade desmemorializada, seria uma sociedade amnésica, alzheimerizada, sem consciência de si própria, uma não-sociedade, ou no mínimo, uma sociedade de seres irracionais. Daí a importância da preservação destes "VESTÍGIOS...", podendo ser o PDM um grande instrumento para esse efeito, dentro de uma política de gestão coerente do território.

Foi ainda dito que sem o apoio da autarquia de Torre de Moncorvo, não só de agora, mas ao longo de todos estes anos, este trabalho não seria possível, pois o amor à camisola dos membros do PARM, não seria suficiente. Esta mesma ideia foi expressa pelo Professor Adriano Vasco Rodrigues, que felicitou o PARM por todo o trabalho realizado e por estas iniciativas.
Há ainda a referir o apoio que foi dado, noutros tempos e para trabalhos de campo, pelo ex-IPPC, depois IPPAR, e ex-FAOJ, depois IPJ (Instituto Port. da Juventude).

Um aspecto da audiência que acorreu ao Museu para participar na sessão e visitar a exposição


A terminar, os presentes puderam visionar uma apresentação de imagens de diversos sítios arqueológicos e outros valores patrimonais do concelho de Torre de Moncorvo, montada por Rui Leonardo, com imagens do Arquivo Fotográfico do PARM, algumas com mais de 20 anos. Assim, alguns desses vestígios, nomeadamente de velhos caminhos medievais, já foram irremediavelmente perdidos, tendo apenas ficado silenciosas fotografias a preto e branco. Algumas dessas mesmas imagens podem ser apreciadas na Exposição "VESTÍGIOS... " que continua patente no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, aguardando a sua visita!