Figura central: "berrão" ou escultura de javali achada nas Cabanas de Baixo (Moncorvo) em 1895, actualmente no Museu Nacional de Arqueologia. Desenho do Prof. J. R. Santos Júnior
Contactos:
Morada Provisória: Largo Dr. Balbino Rego. 5160 - Torre de Moncorvo Tlf. 279252724 e-mail: parmoncorvo@gmail.com
Junto temos a honra de convidar todos os sócios do PARM e leitores do blog, para assistirem à palestra sobre o tema“Pegmatitos – de Trás-os-Montes até sua casa” pelo Dr. Romeu Vieira, que terá lugar no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, no dia 7 de Março (Sábado), pelas 15:30 horas.
O objectivo desta palestra é dar a conhecer uma área da Geologia quase desconhecida do público em geral, apesar das múltiplas aplicações práticas resultantes da investigação científica realizada sobretudo nos últimos 30 anos, podendo hoje falar-se num ramo específico da geologia, denominado “Pegmatologia”. Os pegmatitos são um tipo de rocha ígnea semelhante ao granito, mas mais evoluída, do ponto de vista geológico, o que propiciou a precipitação de elementos raros e metais leves, como o lítio, ou até gemas preciosas, como as água-marinhas.
Assim, os pegmatitos abrangem uma vasta gama de aplicações, para a indústria cerâmica (louças de casas de banho), azulejaria, vidro, ou metais leves essenciais para os ships de telemóveis, baterias de computadores (lítio) e alta tecnologia em geral.
Destes aspectos nos falará o conferencista convidado, Doutor Romeu Vieira, investigador do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que se encontra a estudar esta temática em Portugal, e em Trás-os-Montes em especial. Autor de vários artigos científicos sobre geologia em geral, mas sobretudo sobre os pegmatitos, Romeu Vieira foi o organizador do IV Simpósio Internacional sobre Pegmatologia, realizado na Universidade do Porto, e tem colaborado no estudo de pegmatitos localizados na zona de Barroso/Alvão, Souto/Barca de Alva, e minas da Bajoca(Almendra, concelho de Foz Côa). Na zona de Riba d’Alva (Ligares), localizaram-se também pegmatitos, associados a antigas minas de volfrâmio.
Esta iniciativa insere-se ainda no ciclo de palestras promovidas pelo Museu do Ferro, em colaboração com a secção de Geologia do PARM, coordenada pelo Dr. Rui Rodrigues, no âmbito do Ano Internacional do Planeta Terra (ano 3).
Aproveitamos para lembrar que pode ainda ser visitada a Exposição temporária “Detalhes em Ferro” de Aníbal Gonçalves, além da exposição permanente dedicada ao Ferro e às antigas minas de Moncorvo.
Por motivos alheios ao funcionamento do Museu, a inauguração da exposição "Detalhes de Ferro", de Aníbal Gonçalves, que terá lugar no Auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, no próximo Sábado, dia 21 de Fevereiro, será adiada para as 16.00 horas.
Pedimos, desde já, as nossas desculpas pelo facto.
Criou-se um movimento cívico em S. Pedro da Cova para defesa do património industrial, mais particularmente o emblemático cavalete do Poço de S. Vicente, das minas de carvão, o qual há vários anos aguarda o desfecho do processo de classificação.
Foi criado um blogue com várias informações em: http://patrimoniospc.blogspot.com - que contém também um link para uma petição on-line.
No próximo dia 28 de Fevereiro haverá uma conferência de imprensa junto ao cavalete para divulgar o movimento à comunicação social.
O PARM, enquanto associação igualmente empenhada na defesa e valorização do património mineiro, solidariza-se com esta causa, por considerar relevanta a preservação deste monumento técnico, quer pelo seu simbolismo e significado social para as memórias de uma comunidade mineira, quer pela mais-valia que pode representar, em termos económicos, numa perspectiva de musealização e fruição turística destas antigas e importantes minas da bacia carbonífera do Douro.
Temos o prazer de vos convidar para a inauguração da Exposição "Detalhes em Ferro", de Aníbal Gonçalves, que terá lugar no próximo dia 21 de Fevereiro, no Auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, pelas 15.30H.
Como sabem, Aníbal Gonçalves, é professor em Vila Flor, local onde reside, e é um apaixonado pela fotografia, pela botânica, ornitologia, fauna e flora, e particularmente dinâmico na blogosfera transmontana, nomeadamente com a série de blogs "Á Descoberta de ...." no qual se insere oÀ Descoberta de Torre de Moncorvo.
Não deixem de o visitar, nos seus blog's, bem como na exposição que estará patente até ao final de Março, e aqui poderão ver o seu valor artístico....
Saudações associativas!
Sobre esta exposição, pode ver a seguinte reportagem de Lígia Meira e Marcos Prata (imagem), para a LocalVisão
Em termos de eventos, estamos a ponderar (lá para o Verão), uma actividade de observação dos astros. Veremos também da possibilidade de alguma iniciativa (exposição ou palestra) sobre Darwin. Para já, poderá visitar a exposição que se segue (a partir de 31 de Janeiro), na biblioteca de Matosinhos:
Os Amigos do Museu, D. Maria de Fátima Goulão da Costa Brito Cabral e o Eng.º João Pedro Monteiro de Barros Cabral, tiveram a gentileza de doar ao Centro de Documentação do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, mais um lote de importante informação e documentação que pertenceram ao seu tio, o Eng.º Gabriel Monteiro de Barros.
De assinalar que, até ao momento, este não é o primeiro contributo deste fundo específico que nos é doado. Para além de livros (veja-se o post de 27/02/2008), devemos referir uma valiosa colecção fotográfica que supera o milhar de fotografias, e onde estão representados os primeiros dez anos da Ferrominas, bem como, importantes cenas da vida social de Torre de Moncorvo, na segunda metade do séc. XX.
Desta vez, temos a agradecer-lhes um conjunto diverso constituído quer por livros e artigos (impressos e fotocopiados), fotografias e outra documentação, que aqui apresentamos [nota: a negrito estão alguns dos documentos mais relevantes] :
Fotografias:
1 Fotografia da Fraga do Arco
49 Fotografias do Museu do Ferro (Carvalhal) e da Nordareias
Livros e Artigos:
Actas da Conferência Democrática sobre Trás-os-Montes e Alto Douro, realizada em Vila Real em 20 de Março de 1983, promovidas pelo Partido Comunista Português.
ANDRADE, António Júlio – Quadros Militares da História de Moncorvo, Associação Cultural de Torre de Moncorvo. 1992
CASTRO e SOLLA, Luiz de – Outra biografia de Eschwege, pp. 79-82 [não refere a publicação, nem local, nem data]
DINIZ, Pedro Joyce – Subsídios para a História da Montanísitca, vol. 1, Editorial Império, Lisboa, 1939
DINIZ, Pedro Joyce – Subsídios para a História da Montanística, vol. 2, Sociedade Astoria, Lisboa, 1941
REBELO, P. Joaquim Manuel – A Encomendação das Almas nos concelhos de Torre de Moncorvo e Freixo de Espada-à-Cinta, Cadernos Culturais, n.º 3, Núcleo Cultural Municipal de Vila Real,Vila Real, 1978
REBELO, P. Joaquim Manuel – Uma Visita que não se fez – o escritor argentino Dr. Jorge Luís Borges pensou visitar Torre de Moncorvo, sep. De Brigantia – Revista de Cultura, vol. XIII. N.os 3-4, Assembleia Distrital de Bragança, Bragança, 1992
Revista Tellus. Revista de Cultura Transmontana e Duriense, n.º 22, Câmara Municipal de Vila Real, 1992
STALEY, W. W. – Mine Plant Design, McGraw-Hill Book Company, Nem York and London, 1936
Notas y Comunicaciones del Instituto Geológico y Minero de España, vol. II, n.º 2, Madrid, 1929 [no qual se inclui o importante artigo de Primitivo Hernández Sampelayo – Criadero de mineral de hierro de Moncorvo (Portugal)]
Livros e Artigos e fotocopiados:
Artes Chimicas, parte II. contendo 1º Vidros e Crystaes; 2º Louças e Produtos Cerâmicos; 3º Papel. [Incompleto; não refere autor nem data. Original depositado na Biblioteca Municipal Camões de Santarém]
AZEVEDO, João Baptista Schiappa d’ – Estudo acerca dos Tratamentos Directo e Indirecto do Ferro em Hespanha, Imprensa Nacional, Lisboa, 1872 [Incompleto]
BENOîT, Serge, et PEYRE, Philippe – L’apport de la Fouille Archéologique a la connaissance d’un site industriel: L’exemple des Forges de Buffon (Côte d’ Or), in : L’Archeologie Industrielle en France, CILAC, n.º 9, Maio de 1984, pp. 5-18
Caderneta de Lembranças – 1890-1901, Boletim Amigos de Bragança, pp. 9-25 (fotocopiado)
CARVALHO, J. Silva – A Ferraria da Foz do Alge, Estudos Notas e Trabalhos do Serviço de Fomento Mineiro, vol. VIII (3-4), s/d, pp. 330, 331, 350
CHAMPALIMAUD, António– O “Negócio” da Siderurgia (Champalimaud responde a Martins Pereira, Rev. Vida Mundial, n.º 1843 de 9 de Janeiro de 1975, pp. 43-46
EIMAN, Pan – Legendary Sain Barbara stillhonored as the patron saint of mining, Mining Engineering, Novembro 1985, pp. 1281-1283.
ESCHEWEGE, Barão de – Diário. Entradas de 10 e 14 de Agosto de 1806. Transcrição e tradução do Trecho respeitante a Moncorvo e Mogadouro, por Dagma Steinlein da Mata Reis em 1987
ESCHEWEGE, Barão de - “Notícias históricas e curiosas da Minas e dos Estabelecimentos Metallúrgicos em Portugal”, Manuscrito, 1826 (transcrito e traduzido em 8 páginas dactilografadas)
ESCHEWEGE, Barão de- “Notícias históricas e curiosas da Minas e dos Estabelecimentos Metallúrgicos em Portugal”, 1826 (em alemão. fotocopiado)
LIMA, F. de – Minas do Braçal, In. Portugal Artístico, pp. I - 8-12; II - 49-55.
LIMA, J. M. do Rego – Algumas Palavras sobre as condições de adaptação da Indústria siderúrgica em Portugal, Revista de Obras Públicas e Minas, Tomo XXI, Imprensa Nacional, Lisboa, 1890
LINK, M. – Voyage en Portugal, par M. le Comte de Hoffmansegg, Paris, 1805 [vol. III – pp. 24-35]
MONTEIRO, Severiano, e BARATA, João Augusto – Jazigos de Mármores e Alabastros de Vimioso e Miranda do Douro. Seu valor industria e busca para a constituição de uma empresa para a sua exploração, Typographia das “Novidades”, Lisboa [10 páginas]
MOLERA, Pedro – La Farga Catalana, Investigacíon y Ciência, Scientific American (Espanha), Outubro de 1982, pp. 20-27
NEVES, J. P. Castanheira das – Relatório sobre os Jazigos de Mármores e Alabastros de Vimioso e Miranda do Douro. Seu valor industria e busca para a constituição de uma empresa para a sua exploração, Typographia das “Novidades”, Lisboa, 32 pp.
PEREIRA, João Martins – Enquanto se aguarda o Plano Siderúrgico Nacional…, rev. Vida Mundial, n.º 1838 de 5 de Dezembro de 1974, pp. 42-44.
PEREIRA, João Martins –O “negócio da Siderurgia. Para Champalimaud ler no avião”, rev. Vida Mundial, n.º 1844 de 16 de Janeiro de 1975, pp. 43-46.
Relatório acerca das actuais condições de exploração dos Jazigos de Mármores e Alabastro de Santo Adrião. Próximo de Vimioso, Typographia da Casa Catholica, Lisboa, 1891 [incompleto. Fotocópias até pag. 41]
SERRÃO, Manuel Francisco da Costa – O caminho de ferro do Pocinho a Miranda do Douro e a Exploração do Jazigo de Ferro do Roboredo, Revista de Obras Públicas e Minas, Tomo XXI, Imprensa Nacional, Lisboa, 1890
SKILLINGS JR, David N. – Ironbridge: Were Iron Ore Was First Smelted with Coke, Skillings’ Mining Review, 23 de Novembro de 1985, pp. 6-9
TOENGES, Werner Heinz – Wilhelm Ludwig von Eschwege. Um pioneiro alemão da exploração de minas no Brasil, Der Anschnitt, n.º 38, 1986 (dactilografado com 14 folhas)
Um pouco de História do Ferro e do Aço, no Mundo e em Portugal, Siderurgia Nacional – Boletim da Empresa, s/d, pp. 11-17
Outros:
- Desdobrável relativo à visita do Dr. Mário Soares, Presidente da República, a Torre de Moncorvo, e inauguração do Museu do Ferro e da Região de Moncorvo, em 3 de Fevereiro de 1995.
- 9 cartas e cartões de agradecimento, endereçados ao Eng.º Gabriel Monteiro de Barros, relativos ao livro O Ferro de Moncorvo através dos tempos, de autoria do Dr. Jorge Custódio e do Eng.º Gabriel Monteiro de Barros, publicado pela Ferrominas, EP em 1984.
- Folheto relativo à “Grande Forja de Buffon – Séc. XVIII” (6 exemplares)
Agradecemos encarecidamente este valioso contributo e apelamos aos sócios e outros beneméritos para que nos continuem a ajudar a enriquecer o Centro de Documentação do Museu do Ferro.
Como sabem, os documentos escritos mencionadas, podem ser consultadas no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.
Convidam-se todos os interessados para a inauguração da exposição de fotografia "O meu chão...", de Teresa Cavalheiro, que terá lugar no próximo sábado, dia 6 de Dezembro, pelas 15:00 horas, no Auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.
A autora tem raízes moncorvenses, e é precisamente a partir do seu olhar sobre a região que a exposição se irá centrar...
Lamentamos informar que a conferência sobre a História Geológica da região de Moncorvo, que estava prevista para hoje, no Museu do Ferro, não se pôde realizar, porque o distinto conferencista, Doutor Ary Pinto de Jesus, foi forçado a interromper a sua viagem devido ao bloqueio do IP-4 e da A-25 em virtude da forte queda de neve que se verificou desde ontem à noite.
Por este motivo pedimos as nossas desculpas às pessoas que compareceram, informando todos(as) os(as) interessados(as) que esta conferência será adiada para data a anunciar oportunamente.
Dando seguimento à programação geológica do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, como sabem, fortalecida com a atribuição da Menção Honrosa do Prémio de Geoconservação da PROGEO, convidamos-vos para assistir à Palestra "História Geológica da Região de Moncorvo". O orador é o Doutor Ary Pinto de Jesus, Professor Auxiliar do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Esta é uma palestra de particular interesse, já que será explicada toda a origem geológica da região, desde os tempos mais recuados da história da Terra.
A sessão terá lugar no Auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, no próximo sábado dia 29 de Novembro.
Realizou-se no passado dia 15 de Novembro o anunciado passeio micológico organizado pelo PARM. Participaram cerca de 30 pessoas, incluindo a acção de campo e a jornada de estudo, com palestra proferida pelo Engº Afonso Calheiros, no auditório do Museu de Moncorvo.
Antes da acção de campo o Engº Afonso explicou os objectivos desta iniciativa, mais centrada na identificação das espécies e na sensibilização para a conservação do património micológico. Foi distribuída uma folha com uma série de regras (o Código de Conduta do Apanhador de Cogumelos) – ver embaixo.
A actividade de recolha desenvolveu-se na serra do Roborêdo, num pinhal junto do caminho antigo medieval (utilizado até inícios do séc. XX) que saía de Torre de Moncorvo, passava pelo Calhoal, Lamelas, Carvalhal e daqui para Mós ou terras de Miranda (percurso que percorremos parcialmente, a pé, em Maio, durante a jornada ornitológica).
Alguns participantes, mais conhecedores, colheram alguns cogumelos comestíveis para seu consumo, separando-os dos restantes, enquanto os mais leigos recolheram indistintamente espécies comestíveis e tóxicas, para posterior análise.
O resultado desta recolha foi levada para o auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, sendo colocada em mesas de trabalho, com objectivo de se proceder à seriação, observação, catalogação e registo fotográfico. Para este workshop (sessão de trabalho) os presentes beneficiaram dos ensinamentos do Engº Afonso, que nos mostrou, inclusive, alguma bibliografia (catálogos de cogumelos), além de uma excelente palestra, previamente realizada, com recurso a uma apresentação em powerpoint, ilustrando a grande variedade de cogumelos e fungos, existentes na região.
Só na serra do Roborêdo (concelho de Torre de Moncorvo) existem cerca 90 espécies, sendo comestíveis cerca de 8. Por isso, o Engº Afonso alertou para os perigos do consumo, por parte de pessoas menos experientes, embora salientasse também o enorme potencial, em termos económicos, deste património natural, associado à gastronomia e turismo local. Para isso, considerou que era preciso consciencializar as pessoas para os aspectos da preservação e evitar o desbaste resultante de uma exploração económica desenfreada.
No final foi feito um pequeno magusto, já que as castanhas e o vinho são outros produtos regionais que se podem/devem associar, nesta fase do ano, tirando partido dos produtos da terra como cartaz turístico, mas também dando continuidade às nossas tradições locais, em nome de uma qualidade de vida que devemos perpetuar.
Não visando esta iniciativa qualquer interesse lucrativo, à semelhança de outras que têm sido realizadas pelo PARM, a participação foi gratuita e aberta a todos os moncorvenses e alguns visitantes. Esperamos, de futuro, alargar o público-alvo, esperando mais pessoas da zona litoral, como forma de promoção e divulgação da nossa terra.
- REPORTAGEM FOTOGRÁFICA:
Antes da partida: o Engº Afonso apresenta os objectivos da acção e enuncia o código de conduta do apanhador de cogumelos
Já no pinhal, uma sócia do PARM acaba de descobrir uma "sancha"
Pormenor da "sancha" (Lactarius deliciosus L.)
Aqui aparece o perigoso "regalgar", um cogumelo bonito mas muito tóxico.
Um dos participantes encontra um pequeno "ninho" de sanchas, no meio das arçãs.
Mas na serra do Roborêdo não há só cogumelos - apesar dos eucaliptos alienígenas (em 2º plano), aqui também se podem encontrar exemplares da flora autóctone, como este medronheiro, simultaneamente em flor e em fruto, nesta fase do ano.
Engº. Afonso durante a palestra, no auditório do Museu.
Dispersão dos cogumelos recolhidos, nas mesas de trabalho.
Seriação e comparação de cogumelos, com vista à sua classificação, após a sessão teórica.
As famosas "sanchas" (ou "pinheiras"), o cogumelo comestível mais comum na nossa região, cujo nome científico é "Lactarius deliciosus".
Outro cogumelo comestível existente na nossa região é o "Macro lepiota procera", aqui mais conhecidos por "roques"; noutros sítios também lhes chamam "róculos", "frades", "gasalhos", "tortulhos" ou "marifusas".
O "regalgar" ou "resgalgar", também conhecido noutras regiões por "incha-bois" ou "rebenta-bois" é um cogumelo alucinogénico que se supõe usado pelos xamãs da pré-história para entrarem em estados de transe. As cabras quando o comem ficam durante algum tempo com comportamentos estranhos, como se tivessem enlouquecido, pelo que os pastores evitam os lugares onde existem.
No fim da actividade, houve um pequeno magusto.
Os cogumelos podem constituir um produto de valor acrescentado para a nossa região, como já o são em certos países da Europa "civilizada", como é o caso, por exemplo, da Suíssa, onde existe uma apertada regulamentação quanto à apanha, implicando uma licença especial (que pressupõe alguns conhecimentos), tal como a licença de caça ou de pesca.
Em Portugal sabemos que existem intenções de regulamentar a apanha, o que nos parece urgente, mas também não podemos cair numa "elitização" de uma actividade tradicional que sempre constituíu complemento alimentar das populações rurais. O que é censurável é o mercantilismo/economicismo desenfreado fomentado por negociantes sem escrúpulos (nomeadamente espanhóis) que depois vendem o produto da recolha com lucros chorudos, provocando entretanto um desbaste nas espécies autóctones que pode levar à morte desta verdadeira "galinha dos ovos de ouro".
1. Contacte sempre o proprietário ou arrendatário do local da apanha, solicitando permissão para entrar na propriedade, explicando o propósito da visita; 2. Evite danificar a vegetação, abandonar lixo, revolver demasiado a cama de matéria orgânica que cobre o solo, a não ser o estritamente necessário para identificar os cogumelos; 3. Procure identificar o maior número de cogumelos “In situ”; 4. Respeite e proteja as espécies venenosas e não destrua os cogumelos não comestíveis pois eles também cumprem um ciclo biológico benéfico para o ecossistema; 5. Os cogumelos constituem um alimento com algum risco, em caso de duvida não os coma; 6. Se não está seguro do seu conhecimento acerca dos cogumelos, não os apanhe por sua livre iniciativa ou com a ajuda de livros ilustrados apenas; 7. Lembre-se que existem cogumelos tóxicos, mortais e outros que provocam reacções alérgicas tardias; 8. Certifique-se que conhece bem os cogumelos que pretende apanhar e apenas esses; Em caso de dúvida NÃO APANHE!; 9. Não apanhe espécies que não tenciona consumir; 10. Apanhe apenas a quantidade de cogumelos que tenciona utilizar; 11. Procure não recolher mais de 2-3 kg por cada saída de campo e evite recolher cogumelos para oferecer; 12. Não aceite cogumelos apanhados por terceiros se desconhecer o local da proveniência; 13. Não recolha cogumelos pequenos que ainda não completaram o seu desenvolvimento; 14. Quando apanhar cogumelos no local não ao arranque, corte o pé no local e faça a limpeza do pé e do chapéu no momento – desta forma permitirá que o micélio e os esporos permanecem na terra.
Vimos por este meio convidar todos os interessados para a próxima actividade do Museu. Esta é mais uma actividade que se insere nos propósitos ecológicos e ambientais, que temos vindo a defender e a valorizar.
Como se lembrarão, no decorrer do presente ano, já realizamos, com bastante participação, uma sessão de sensibilização dedicada à ornitologia (ver post's anteriores). Desta vez, vimos convidá-los para uma sessão dedicada à micologia (estudo dos cogumelos).
O programa inicia-se às 10.00 h, no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, com deslocação para a Serra do Roboredo, onde se procederá à recolha de várias espécies de cogumelos (comestíveis e não comestíveis). Recomenda-se aos participantes levarem calçado e vestuário apropriado, bem como sacos, caso queiram recolher cogumelos comestíveis para consumo próprio. A partir das 14.00 H, terá inicío o Workshop, onde se vão examinar com pormenor os espécimes recolhidos, bem como outro tipo de cogumelos existentes na região.
A actividade será orientada pelo Eng.º Afonso Calheiros e Menezes (técnico superior do Parque Natural do Douro Internacional) e nosso presidente da Direcção.
Realizou-se no passado fim de semana a Festa de S. Martinho, em Maçores. Esta festa reveste-se de um especial interesse etnográfico, abrindo o ciclo das chamadas festividades de Inverno, no caso vertente associada ao Vinho, podendo constituir uma reminiscência das "baccanalias" da Antiga Roma, segundo alguns autores. Sobre ela dissertou o nosso mestre e amigo Padre Joaquim Rebelo - ver reportagem mais completa no blog: À Descoberta de Torre de Moncorvo e no Fórum de Maçores (ver links na margem).
Fotografia José Girão - fogueira do Magusto, nas Eiras
O nosso caro consócio Dr. Orlando Sousa, acabou de oferecer um importantíssimo livro (em inglês) para a Biblioteca/Centro de Documentação do Museu do Ferro: De Re Metallica de Georgius Agricola. O nome original do autor era Georg Bauer (1494-1555), mas, como ainda período da renascença todos os livros científicos de projecção internacional eram escritos em Latim, também o seu nome foi traduzido do alemão (Bauer = Agricultor > Agricola).
Mas quem é Agricola? E porque este livro é importante?
Georg Bauer ou Georgius Agricola, como é mais conhecido, nasceu em Glauchau, na Saxónia e estudou medicina na Universidade de Leipzig, Bolonha e Pádua. Contudo, desde cedo se interessou pela geologia, paleontologia, mineralogia, mineração e metalurgia. Produziu uma bibliografia muito importante, interessante e, em muitos aspectos inovadora. Destacam-se entre as suas obras, o livro acima referido, sobre o qual nos alongaremos mais um pouco, mas também outras obras como: - De Natura Fossilium ou De Veteribus et Novis Metalus (considerado o primeiro grande trabalho sobre mineralogia; dai que Agrícola seja o "pai" da mineralogia); - De Ortu et Causis Subterraneorum (em 5 livros ou capítulos. É constituído por perspectivas do autor sobre fenómenos geológicos, onde faz variadas críticas aos autores antigos/clássicos); - Bermannus (obra que consiste num diálogo entre duas personagens sobre a Mineração); - Rerum Metallicarum Interpretatio (listagem de equivalência, em várias línguas, de termos metalúrgicos); - De Mensuris et Ponderibus (obra sobre pesos e medidas gregos e romanos); - Dominatores Saxonici a prima origine ad hanc aetatem; - De natura eorum quae effluunt e terra; - Glaucii Libellus de prima ac simplici institutione grammatica (Gramática de Latim; é possível que também tenha escrito uma gramática de grego); - Deum non esse auctorem Peccati e Religioso patri Petri Fontano, sacre theologie Doctori eximio Geogius Agricola salutem dicit in Christo (livros de cariz teológico); - Galeni Librorum (sobre a obra do autor grego Galeno); - De Bello adversus Turcam (Tratado político sobre a guerra com os Turcos); - De Peste (sobre um tema recorrente no ocidente - a Peste e outras pragas análogas); - De Medicatis Fontibus (fontes medicinais); - De putrdine solidas partes humani corporis corrumpente (sobre Medicina); - Castigationes in Hippocratem et Galenum (sobre medicina e os autores clássicos); - Tipographia Mysnae et Toringiae; Existem ainda outros trabalhos menores e alguns erroneamente atribuídos a Agrícola.
No que concerne ao presente Tratado De Re Metallica, foi publicado originalmente em 1556. A edição que nos foi gentilmente oferecida é uma reprodução de uma tradução americana de 1912 (não existe tradução em português), editada em livro em 1950, e que tem vindo a ter sucessivas reimpressões. O autor da tradução é Herbert Clark Hoover (31º Presidente dos Estados Unidos da América, e Engenheiro de Minas de formação) e sua mulher Lou Henry Hoover. Esta obra trata dos metais, particularmente da mineração, metalurgia do ouro, prata, ferro, chumbo, estanho e outros metais, bem como, processos associados, como é o caso da exploração e tratamento do sal para a balística. O tratado é constituído por 12 livros ou capítulos, contendo largas dezenas de ilustrações de elevado valor para conhecer melhor os processos técnicos. Algumas dessas ilustrações poderão ser vistas na exposição permanente do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, exactamente para descrever os processos de fundição possivelmente utilizados na nossa região desde a Idade Média até ao dealbar do séc. XIX, com o caso paradigmático da Chapa-Cunha de Mós (de que poderão ver imagens em post's anteriores deste blog).
Uma nota final para referir que este não é o primeiro tratado de mineração e metalurgia, sendo conhecidos outros anteriores como o De la Pirotechnia de Biringuccio, mas este é sem dúvida um dos mais importantes, senão o mais importante, nomeadmente para conhecer os processos técnicos do período anterior à Revolução Industrial, que irá modificar profundamente a metalurgia e, em particular a Metalurgia do Ferro.
Eis, assim, mais uma boa razão para visitar o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo e o nosso Centro de Documentação.