domingo, 25 de maio de 2008

Jornada Ornitológica, Ambiental e Cultural

Conforme previsto, e apesar do mau tempo para estas coisas, realizou-se a jornada “ornitológica” anunciada para o dia 24 de Maio. Da parte da manhã, nos jardins do Museu do Ferro, pelo Sr. Norberto Santos, seus filhos e amigos, foi montada uma rede especial para apanha de pássaros, tal como fazia o Professor Santos Júnior, o pioneiro da anilhagem de aves na Europa.


Instalação da rede de captura de aves para demonstração.

Uma vez a rede instalada, o Engº. Afonso Calheiros e Meneses proferiu, no auditório do Museu, uma interessante palestra sobre as aves que povoam os céus, os beirados e as árvores da vila de Torre de Moncorvo e arredores.

Momento da palestra do Engº Afonso, sobre as aves da região

Outro aspecto da palestra e do público presente.

Sr. Norberto Santos, mostrando o material para estudo das aves.

Sr. Norberto recolhendo um pássaro que caíu na rede de captura.


Após este momento, com bastante público interessado, voltou-se aos jardins onde um Chamariz acabara de cair na rede. Foi-lhe colocada uma anilha simples (vermelha) sem outra indicação, embora na prática corrente se coloquem anilhas com identificação da instituição e um número de referência, como fazia o Professor Santos Jr.. Esta prática visava a reconstituição dos trajectos migratórios e as zonas de dispersão das aves.

Chamariz (Serinus serinus) recolhido na rede de captura montada no jardim do Museu do Ferro e que foi imediatamente libertado após identificação.


Da parte da tarde, e apesar da chuva, um grupo de “resistentes” fez o trajecto previsto do caminho pelo sopé do Roborêdo até à Quinta de Diogo Vaz (Mindel), Qtª. da Margarida, e Ecopista, de regresso a Torre de Moncorvo.

- Sobre este percurso, ver reportagem de Aníbal Gonçaves, um dos participantes, no Blog "À descoberta de Torre de Moncorvo": http://descobrirtorredemoncorvo.blogspot.com/

A vila de Torre de Moncorvo vista da antiga estrada real que seguia pelo sopé da Serra.

O caminho seguido, a partir da rua da estação de C.F., coincide com o da velha estrada real que terá sido usada, pelo menos desde a Idade Média até final do séc. XIX, pelos viandantes que quisessem ir para Mós, Freixo de Espada à Cinta ou Miranda do Douro. Uma boa parte do seu troço era calcetado com pedras ferrenhas (hematite), tal como a descreveu o Dr. João de Barros (ver "Geografia de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes") nos meados do século XVI: "há uma calçada toda em ferro entre a vila de Torre de Mencorvo e Mós". Infelizmente, uma parte dessa calçada foi coberta de asfalto, numa extensão de cerca de 1 km. Contudo, na parte não asfaltada, ainda se podem ver vestígios da tal calçada de hematite, até próximo da Quinta do Mindel, ou Diogo Vaz.


Mordomas da Senhora da Conceição, que encontrámos a cuidar desta capela, junto ao caminho.

Casa da Floresta (ou dos Serviços Florestais), um belo exemplar de arquitectura dos anos 40 do séc. XX, num estilo conhecido por "Português Suave". Em todo o caso é uma arquitectura integrada, que contrasta com o enorme e disforme armazém que lhe fica próximo...


Ao longo da jornada, para além das aves (um tanto recolhidas devido ao mau tempo), foi possível ver outros aspectos de interesse, como as espécies arbóreas (cedros, carvalhos, pinheiros), arbustivas (medronheiros) e vegetação rasteira com destaque para as flores campestres. Num bosque de carvalhos negrais, avistou-se um esquilo, que rapidamente se esgueirou pela árvore acima.

Os medronheiros continuam a medrar na serra, por entre o arvoredo. Já o escritor Campos Monteiro assinalara a sua presença neste local, no primeiro quartel do séc. XX.


Na quinta de Diogo Vaz fomos cordialmente recebidos pelo feitor, que nos permitiu o vislumbre da magnífica paisagem, a partir do afloramento rochoso sobranceiro à casa da quinta, pertencente ao Sr. Engº. Guerra Junqueiro. Tomando depois o caminho desta quinta para a E.N. 220, passámos depois pela Quinta da Margarida, em direcção da Ecopista, a qual aproveitou o traçado do caminho de ferro, da Linha do Sabor.


Apesar da chuva, um grupo de entusiastas cumpriu o programa da caminhada pelo Roboredo, observando aves e a natureza em geral, além dos aspectos arqueológico-históricos.

Vista geral da Quinta de Diogo Vaz, ou de Mindel, talvez com origem num pequeno paço medieval.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Ornitologia "en vol d'oiseau"


Caros sócios e amigos,
No próximo Sábado, dia 24 de Maio, aproveite o fim de semana prolongado e visite o Museu!

Temos um programa especial para si e para a família, dedicado à Natureza.

A actividade irá iniciar-se no Auditório do Museu, ás 10.00h, com uma breve explicação do que é a Ornitologia, e os tipos de aves presentes na região, pelo Eng. Afonso Calheiros. De seguida, o Sr. Norberto Santos, centrar-se-á numa actividade fundamental da Ornitologia: a anilhagem de aves.

De tarde, realiza-se um passeio pela Serra do Roboredo, onde se pretende observar as várias espécies de aves aí existentes, com o intuito de consolidar os conhecimentos previamente adquiridos.

É aconselhável que todos os interessados tragam calçado apropriado, chapéu, água, binóculos, máquina fotográfica, um manual de aves e um bloco de apontamentos para registarem informações importantes.

Para participarem nesta actividade recomenda-se a prévia inscrição no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, no Largo Balbino Rego; através de telefone - 279252724; via e-mail: museu-ferro@hotmail.com; ou através de comentários a este post.

A participação nesta actividade é livre e gratuita!!!

Contamos com a sua presença!

domingo, 18 de maio de 2008

Exposição "Trabalhos do Museu" e criação de "Amigos do Museu"

Conforme anunciado, o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo assinalou o Dia Internacional dos Museus com uma exposição retrospectiva dos eventos temporários realizados desde 2002 até ao presente, assim como com a criação de um grupo (informal) de Amigos do Museu.

O encarregado do Museu e secretário da direcção do PARM no uso da palavra.

Como disse na ocasião o Encarregado do Museu, esta foi uma forma de homenagear e agradecer às inúmeras pessoas que têm ajudado o Museu do Ferro, desde os tempos do núcleo museológico da Ferrominas, sedeado no Carvalhal, assim como às entidades que contribuíram para a sua concretização e afirmação, ou ainda aos patrocinadores mais regulares dos eventos realizados, que têm colaborado oferecendo produtos ou serviços das suas áreas de actividade.

Aspecto parcial da Exposição e do público presente durante a sessão de criação dos Amigos do Museu

Foram agraciadas 37 pessoas e instituições, incluindo um caso a título póstumo, que foi o do Director da Ferrominas em Torre de Moncorvo, Engº. Gabriel Monteiro de Barros, um entusiasta e impulsionador da criação do Museu do Ferro daquela empresa mineira.

Outro aspecto da sessão

Os Amigos do Museu receberam um cartão, um diploma e um CD com imagens do Museu e seus conteúdos, ficando isentos de pagamento de ingressos sempre que visitem o museu. No entanto, para além da colaboração já prestada, deverão continuar a apoiar o museu, na medida das suas possibilidades, prestigiando-o e divulgando a sua existência, fazendo com que outras pessoas o visitem.

O Engº. José Manuel Aires, vice-Presidente da Câmara, entrega o Diploma de Amigo do Museu ao ferreiro Sr. António Carvalho (87 anos).

Os responsáveis presentes, do PARM e do município de Torre de Moncorvo, manifestaram ainda a intenção de, em cada ano, no dia internacional dos Museus, adicionarem novos Amigos à lista actual, conforme a colaboração prestada, esperando-se que um dia todos os moncorvenses (e não só) possam caber nesta classificação. Ou seja, pode-se "perder" em ingressos o que se ganhou em outras formas de colaboração, mas com acréscimo de um aspecto muito importante: as pessoas passarão a sentir o museu como "mais seu", conforme o "slogan" adoptado: "O Museu é Seu!"...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Dia Internacional dos Museus

Caros Sócios,

Como sabem, no próximo Domingo, dia 18 de Maio, comemora-se o Dia Mundial dos Museus. Para comemorar a data, o nosso Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, vai instituir os "Amigos do Museu", um grupo informal de pessoas e de instituições que, de alguma forma, ajudaram o MF&RM, quer através de doações de peças ou materiais, disponibilização de serviços ou informações, oferta de donativos, ou de qualquer outra forma para o seu enriquecimento, afirmação ou engrandecimento.

Por outro lado, inaugurar-se-á uma exposição temática, onde se passarão em revista todos os trabalhos e actividades do museu, desde a sua reabertura em 2002 até à recepção da Menção Honrosa do Prémio de Geoconservação da ProGEO. Assim, vamos rever os trabalhos de instalação do museu, as obras e reparações, as exposições, as palestras e outras actividades relevantes.

Apareçam!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O Acontecimento: novo blog sobre Torre de Moncorvo!

"Descobrimos", há pouco tempo, uma série de blogs intitulados: "À descoberta de..." - e seguiam-se: Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Mogadouro, Miranda do Douro (ver nossos links), todos subscritos por Aníbal Gonçalves, professor em Vila Flor, natural de Carrazeda e que, nos últimos anos, tem deambulado por esta corda geográfica, tendo, inclusive, leccionado em Torre de Moncorvo, onde nasceu um dos seus filhos.

Ontem o professor Aníbal veio visitar o Museu do Ferro, e, da amena cavaqueira, saíu a ideia, que porventura já tivera, de preencher o hiato que se notava no encadeamento dos seus blogs acima mencionados: faltava um "À descoberta de Torre de Moncorvo". Embora sendo o autor da série "À descoberta de...", quis o prof. Aníbal que este blog fosse de realização colectiva. Agradecendo e enaltecendo este gesto de boa vontade, este é também o nosso desejo. Para ele, os nossos parabéns (é o autor do "layout" e fotos iniciais) e o nosso Muito Obrigado.

Por isso, vejam e participem (moncorvenses, vila-florenses, trasmontanos, portugueses, ibéricos, europeus, e todos os homens e mulheres de boa vontade):

http://descobrirtorredemoncorvo.blogspot.com/

A blogosfera está mais rica.

Saudações associativas,
do PARM

sábado, 3 de maio de 2008

"Entre Quem é!", de Maria de Assunção Morais, em Torre de Moncorvo

Informamos os prezados consócios de que será apresentado no próximo dia 8 de Maio (quinta-feira), pelas 14;30 h, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, o livro da Drª. Maria da Assunção Anes Morais, intitulado: Entre quem é! - Tradições de Trás-os-Montes e alto Douro, no Diário de Miguel Torga.


A autora, Maria da Assunção Anes Morais é natural de Chaves. As suas raízes, bem profundas em terras transmontanas e barrosãs, são razão suficiente para justificar o seu amor à terra e ao que de mais genuíno se pode encontrar nessas paragens.
Licenciou-se em Humanidades na Faculdade de Filosofia de Braga – Universidade Católica Portuguesa. Estagiou na Escola Secundária/3 Sá de Miranda, em Braga, e tornou-se Professora de Português e de Latim.
A paixão pela língua portuguesa e pela literatura leva-a a matricular-se no Mestrado em Ensino da Língua e Literatura Portuguesas, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que concluiu com uma dissertação no estudo da obra de Miguel Torga e das tradições da sua região.
Actualmente é Professora de Português e de Latim na Escola Secundária de Vila Pouca de Aguiar.
É sócia do Grupo Cultural Aquae Flaviae (Chaves) e membro da Direcção do Círculo Cultural Miguel Torga (S. Martinho de Anta).
Publicou artigos de carácter académico sobre a obra torguiana e sobre lendas, sendo este o seu primeiro trabalho editorial de largo espectro, que já alcançou o respeito de vários especialistas e academias portuguesas.
Participou activamente nas Comemorações do Centenário do Nascimento de Miguel Torga

Quanto ao livro, como escreveu a propósito o Prof. Doutor João David Pinto Correia (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do Centro de Tradições Populares portuguesas), "o estudo de Maria da Assunção Anes Morais (...) constitui apreciável contributo para o aprofundamento de um dos vectores mais importantes na obra de Miguel Torga (...). Percorrem-se atentamente as centenas de páginas da obra do escritor transmontano e, a partir da sistematização das oportunas e abundantes ocorrências, consideram-se com pertinência e muito cuidado os costumes, as crenças, as festas, as romarias, as composições orais tradicionais (canto das malhas, teatro popular, lendas), tudo quanto, nesse "reino maravilhoso" impressionou o saber e a sensibilidade do médico e escritor, mas, poder-se-á acrescentar, de um muito atento observador de vocação etnográfica, com curiosidade de antropólogo (...)".

Embora a hora seja pouco propícia, fica o convite aos nossos associados e ao público em geral para participarem nesta apresentação, dado o aliciante do tema, e num tempo em que a Trasmontânia parece estar a definhar, exaurida de gentes e esquecida das suas tradições de antanho...

Ficha Técnica:

Título: "Entre quem é! Tradições de Trás-os-Montes e Alto Douro no Diário de Miguel Torga"

Autora: Maria da Assunção Anes Morais

Ano de publicação: 2007

Editora: Pé de Página - http://www.pedepagina.pt/

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Festival "Sons e Ruralidades", em Vimioso, este fim de semana!....

Pessoal!

Embora em cima da hora, aqui fica esta poposta para este fim de semana: "Sons e Ruralidades", em Vimioso (de 1 a 4 de Maio), um festival que começou há poucos anos e que se está a enraizar.

Este festival é, em grande medida, resultado do esforço organizativo da associação "Aldeia" (http://www.aldeia.org/) e da AEPGA (Associação de Estudo e Protecção do Gado Asinino), sedeada em Atenor, embora cobrindo a área de dispersão dos asininos de raça mirandesa.



Do programa do "Sons e Ruralidades", retiramos este excerto: "O conhecimento tradicional é um factor de consciência ecológica no seu papel de formação e conservação do ambiente. O festival Sons & Ruralidades, pretende ser um novo modelo de festival cultural, superando o espaço e tempo do festival para revitalizar e regenerar a região rural do nordeste transmontano."

E ainda: "Este festival faz parte de um programa de desenvolvimento para esta região, procurando que a arte e a cultura sejam a causa para a revitalização da região, procurando novas aproximações artísticas, sociais e económicas. Estimulando sinergias entre o património faunistico e floristico e o património cultural, material e imaterial. Pensando os humanos como parte da natureza e a biodiversidade como um todo. Criando novas oportunidades de criar e de reflectir colectivamente sobre o desenvolvimento local e proporcionando novas visões de futuro. Paralelamente ao processo de globalização e da suposta homogeneização cultural à escala mundial, instala-se a revalorização da diversidade, tornando-se necessário respeitar e incorporar nos processos de desenvolvimento a cultura das populações destinatárias. Segundo David Barkin, a sustentabilidade não é apenas um assunto de protecção do ambiente, de justiça social e de desenvolvimento mas trata sobretudo das pessoas e da nossa sobrevivência como indivíduos e cultura."

Porque este é também o nosso entendimento, aqui fica o nosso apoio e as nossas felicitações à organização do Sons e Ruralidades.

E aqui vai o programa das festas (se bem que o dia 1 já tenha passado, ainda podem aproveitar os seguintes):


PROGRAMA "SONS E RURALIDADES":

Dia 1 de Maio, Quinta – feira

16.30h – Recepção dos participantes

18.00h – Exposição Fotográfica de João Pedro Marnoto – "Nove Meses de Inverno e Três de Inferno", Pavilhão Multiusos

Tomando partido numa expressão popular oriunda do Douro e Trás-os-Montes, o trabalho reflecte sobre as gentes que se perdem para lá das encostas do rio Douro, enraizadas na terra que lhe sustenta a fome e na fé que lhe aponta aos céus, numa vertigem agreste e íngreme na temperatura da alma, do corpo e da natureza. Mais informações:
http://www.jpmarnoto.com/jpp.html

21.30h – ABERTURA DO FESTIVAL, comemoração do "Dia da Dança"
Arraial Tradicional

Dia 2 de Maio, Sexta-feira:

10.00h: Actividades para crianças, Pavilhão Multiusos

10.00h:Workshop de Iniciação "Paisagens sonoras, recolha e edição"
Os artistas sonoros (membros do colectivo da Associação Cultural - Binaural) Rui Costa (
http://www.myspace.com/ruigcosta) e Maile Colbert (http://www.myspace.com/colbertmaile) levarão a cabo um workshop de iniciação à recolha e edição paisagens sonoras. Serão abordados aspectos centrais como as diversas tecnologias de captação sonora (quer gravadores, quer microfones), as metodologias de escolha temática e de trabalho de campo e os processos de edição e masterização sonora.

Das 14.30h às 18.30h: Palestras / Debates, Pavilhão Multiusos

"Cozinha vegetariana" - dicas e truques" com Filipa Carrêtas
"Promoção do Ordenamento e Gestão Florestal" com Letícia Diegues, Agriarbol
"Ecoturismo e Valorização dos Produtos Locais na Conservação do Lobo" com Clara Espírito Santo, Montes de Encanto
"Campanha roupas limpas", apresentação e projecção de filme/vídeo sobre Transgénicos (OGM´s), Sara Leão, GAIA
"Como fazer o licor da Avó" Manuela Rosário, Licores para Escorropichar, Santulhão

15.00h: Actividades para crianças: Ateliers de Expressão Plástica/Expressão Dramática/Educação Ambiental, Pavilhão Multiusos

Pretende-se com estas actividades dirigidas ás crianças educar através da arte. Nestes ateliers as crianças poderão pintar, construir instrumentos e outros objectos com materiais reciclados/recicláveis assim como participar em vários jogos didácticos. Propomos assim despertar a criatividade/espírito crítico, incutir uma consciência ecológica e despertar o interesse pelo riquíssimo património cultural e natural da região. Orientada por Miguel Ferreira, Verónica Tiago e Alejandra Kirmayer.

Das 15.00h às 17.00h: Projecção de vídeos, Pavilhão Multiusos

A Binaural – Associação Cultural apresenta uma selecção de vídeos realizados entre 2006 e 2007 no Centro de Residências Artísticas de Nodar. Estes vídeos resultam de projectos artísticos desenvolvidos em articulação com o contexto geográfico e/ou sócio-cultural de Nodar, uma pequena aldeia rural situada no vale do Rio Paiva, entre as serras da Gralheira e do Montemuro (distrito de Viseu, Concelho de S. Pedro do Sul). Mais informações:
http://www.binauralmedia.org/.Souvenirs de Carmella. De Vered Dror (Israel). 2007Contos do Paiva. De Martin Clarke (Reino Unido) e Alicja Rogalska (Polónia). 2007 Diálogos Tácteis. De Xesús Valle (Galiza, Espanha). 2007Nodar Fora do Tempo. De Colectivo Fora do Tempo (León, Espanha) (dirigido por Nilo Gallego). 2006Split Pea Soup. De Suzanne Caines (Canadá). 2007Over the Eyes. De Maile Colbert (EUA). 2007
Outros:
Ls Piolho

15.00h: Danças Tradicionais Mirandesas Pavilhão Multiusos

16.30h: Jogo do Pau Pavilhão Multiusos

O Jogo do Pau é a arte marcial Portuguesa por excelência, em todo o seu esplendor, dinâmica e eficácia. O jogo do Pau surgiu numa altura em que a espada era para alguns um elemento sagrado, contudo, apenas acessível à nobreza. Estando esta interdita ao povo, este aperfeiçoava habitualmente, sistemas de combate alternativos, geralmente com recurso a ferramentas do dia-a-dia. Foi nesta altura que o povo desenvolveu um sistema de combate utilizando como arma o cajado que acompanhava o seu portador para todo o lado, em especial pastores e camponeses. Associação de Jogos Tradicionais da Guarda.

17.00h: Abertura da Feira - Mostra de Associações e Artesanato

18.00h: Oficina de Danças Tradicionais Pavilhão Multiusos

O reencontro das culturas do mundo, poderá estar presente na música e na dança. Neste workshop as Danças Tradicionais marcam a sua presença, em que pode-se aprender danças de pares e de grupo, na sua maioria oriundas do centro da Europa. Danças de pares, como é o caso da valsa, mazurka, scottisch, polska e bourrée, e danças de grupo como é o caso do andró, circulo circassiano, reel, chapelloise, mardi gras, gavotte l'aven, viras portugueses. Orientada por Alexandre Matias membro do Mosca Tosca.

21.30h: Concertos

Mosca Tosca
"... e no início era só música, nem palavras, nem actos, nem sabores, imagens..."
Ninguém se lembraria de nada semelhante. É tosca, claro, é mosca, o que pode ser aborrecido, mas é única e é um convite à dança. Uma fusão grotesca como uma pintura de Brueghel, uma viagem no tempo, em todas as épocas, em todos os gestos. Ó tu, que me lês, aceita o convite, danças? Alexandre Matias; Vitor Cordeiro; Luisa Corte; Mário Dias; Carlos Alves. Mais informações:
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=193913265

Trasgo "Música electrónica mirandesa"
Projecto criado por Manuel Meirinhos, tem como ideia base fundir os instrumentos e a música tradicional com os sons e ritmos electrónicos. Porque as casas de pedra no planalto mirandês já tem internet e ouvem-se na rua gaiteiros a tocar à volta da fogueira de Natal como manda a tradição. Porque não juntar à festa uns sintetizadores e ligar ao presente a música intemporal que nos deixaram os nossos avós?
Manuel Meirinhos, Alexandre Meirinhos e Camões.
Mais informações:
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=106573236

Dia 3 de Maio, Sábado:

10.00h: Visita à Aldeia de S. Joanico

Actividades tradicionais rurais (produção de pão em forno de lenha, fiar a lã, produção de mel, tricotar…)
Percurso Pedestre pelo Rio Angueira.

12h00: Aula de STRETCHING (local a confirmar). Orientada por Romana Braga.

O STRETCHING é uma ginástica de alongamento. Nos animais, o alongamento é instintivo mas os homens, através da civilização, perderam esse instinto. O STRETCHING não pode ser encarado como uma actividade isolada e, por este motivo, é incluído na prática de qualquer actividade física. Experimente!

14.30h: Oficina de Cantares Tradicionais, Pavilhão Multiusos
Os Cantares Tradicionais reflectem raízes profundas amealhadas ao longo de sucessivas gerações e que se mantêm, na sua essência, na prodigiosa memória de uma mão cheia de pessoas idosas. Esta oficina será uma oficina de recolhas como uma forma de reviver as raízes dos cantares, com a presença das cantadeiras da aldeia de Caçarelhos Ti Adélia, Ti Beatriz e Ti Avelina.

14.30h:Oficina de pequenas percussões de acompanhamento, Pavilhão Multiusos

As pequenas percussões são pandeiros, pandeiretas, tracanholas, castanholas, charrascas (conchas), entre outras, geralmente usadas para acompanhar o canto. Orientada por Paulo Meirinhos membro do Galandum Galandaina

Das 15.00h às 17.00h: FOLK-LORE, filme de Tiago Pereira (Estreia)

Um realizador de vídeo guarda imagens; elas são o seu material de trabalho. Depois entretém-se com elas: corta, cola, mistura, faz andar p'rá frente, p'ra trás… A ideia é contar histórias, as dos outros e a sua. Tiago Pereira , realizador de vídeo com mais de cem horas de recolhas vídeo gravadas, decidiu dar-lhes uso, usando-as de forma livre e criativa. Se as recolhas ficarem na fita ou no computador (hoje as gavetas já pouco guardam) seremos uns monstros que comem tradições mas não as digerem, não as transformam. É urgente usar as tradições e transformá-las para que não fiquem nas barrigas dos monstros.

Folk - Lore Vídeo Magazine estará disponível em
http://modularvideo.blogspot.com/ e em http://www.myspace.com/tiagopereira.

15.30h: Oficina de Danças Tradicionais orientada por Alexandre Matias, Pavilhão Multiusos

15.30h: Oficina de Percussão, Pavilhão Multiusos

"O objectivo desta oficina é a comunicação através de sons e fomentar a imaginação e a improvisação criativa." Orientada por Tiago Soares membro do "Pé na Terra".
16.30h: Jogo do Pau (Terreiro do Pavilhão Multiusos)

Das 16.00h – 18.00h: Actividades das Associações:

Cogumelos Silvestres – Conservação e Gastronomia com Porfírio Lima
Ambiente, cultura e sustentabilidade com Paulo Pereira
Paisagens Sonoras com Luís Costa, Binaural Associação Cultural (
http://www.binauralmedia.org/)

17.00h: Abertura da Feira e mostra de Associações e Artesanato

18.00h – Teatro (a confirmar)

21.30h – Concertos:

Mayalde, Espanha
"Os concertos de Mayalde são dificeis de explicar porque o mundo das sensações não se podem meter numas linhas" Mais informações:
http://www.aepga.pt/portal/PT/256/default.aspx

Pé Na Terra, Portugal
Os Pé na Terra nascem em 2005 com três elementos: Cristina Castro, Ricardo Coelho e Tiago Soares. Com forte influência na recolha e interpretação de temas tradicionais portugueses e na criação de temas originais, este projecto usava apenas instrumentos das nossas terras. Em 2006 partem para uma nova formação. Integram, então, o grupo, Tânia Pires, Rui Leal e Rui Pedro, percorrendo Portugal e Espanha em diversos palcos, bares e festivais. Em 2007 o grupo sofre novas mudanças. Mantendo-se os membros iniciais e juntando-se a eles Adérito Pinto e Hélio Ribeiro, que chegados de meios musicais muitos distintos como o rock e o metal, trazem na bagagem um baixo eléctrico e uma guitarra electro-acústica que contribuem para uma nova sonoridade do grupo. Esse entrelaçado de ideias vai de encontro ao actual movimento de revolução da música tradicional, tendo uma grande aceitação no público em geral, levando assim, o grupo, no final do ano, à gravação e publicação do seu primeiro álbum. Mais informações:
http://www.myspace.com/penaterra

Dia 4 de Maio, Domingo

10.00h: Viagem até Algoso

FEIRA DE BURROS EM ALGOSO
JOGOS TRADICIONAIS
ANIMAÇÃO MUSICAL
DESFILE
GINCANA DE BURROS

terça-feira, 29 de abril de 2008

Mudança de Sede do PARM

Avisam-se todos os sócios e amigos do PARM, que a sede provisória mudou de lugar. Como sabem, a sede era na Casa das Associações, na Rua Infante D. Henrique.

A partir desta semana, a nova sede provisória do PARM é nas instalações do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, no primeiro andar.

Convidam-se todos os sócios a visitar o novo local.

A Direcção

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Escorial de S. Pedro (Mós) - revolvimento profundo


Uma das marcas mais características da actividade metalúrgica de produção de ferro, no concelho de Torre de Moncorvo são os escoriais. As escórias eram a parte rejeitada no processo de fundição, por aí se concentrarem mais elementos não ferrosos e bolhas de ar.

Escoriais de ferro, em redor da Serra do Roboredo. A seta indica o escorial de S. Pedro (mapa disponível no Museu do Ferro, public. no respectivo Catálogo, edit. em 2002)

Em redor da serra do Roboredo e em certas povoações como Felgueiras, Felgar, Souto da Velha, Carviçais e Mós, são frequentes estas concentrações de escórias de ferro, chamadas popularmente "escouradais". É de supor que nesses locais, no subsolo, se encontrem alicerces de fornos de fundição e outros vestígios, pelo que foram incluídos, há anos, no inventário do património do concelho de Torre de Moncorvo.

Terreno onde se encontrava o escorial, agora revolvido. Ao fundo encontra-se a capela de S. Pedro (fotografia de João Pinto V. Costa)

Um desses escoriais era o que se encontrava próximo da capela de S. Pedro, freguesia de Mós, num terreno onde estava um amendoal. Passando recentemente pelo local, vimos que este tinha sido completamente surribado, pelo que todo o subsolo foi afectado, perdendo-se irremediavelmente toda a informação arqueológica eventualmente existente.

Algumas escórias de ferro ainda visíveis no terreno (foto de João P. V. Costa)


Embora não sabendo a cronologia de muitos desses escoriais, sabemos que são anteriores ao séc. XIX, pois a actividade metalúrgica ancestral terá terminado, na nossa região, nos fins do séc. XVIII, com a expansão da Revolução Industrial em Inglaterra e, depois, nos países mais desenvolvidos da Europa.
No caso de Mós, sabemos que a exploração do ferro remonta, pelo menos, ao século XVI, pois que o Dr. João de Barros, na sua Geografia de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes (1549), refere aí o fabrico do ferro, com o pormenor curioso de as mulheres estarem a dobar e a fiar nas suas rocas (com as mãos), e ao mesmo tempo, tangerem "com os pés os folles, enquanto os maridos fazem o ferro".

Por este motivo, e já que aqui "o ferro é a alma da terra", impõe-se a classificação urgente de todos os escoriais de ferro como Valores Concelhios, após a definição das respectivas áreas de dispersão de vestígios.

Ronda pelo concelho - a antiga villa de Mós

Dando continuidade à ronda pelo concelho (iniciada em Felgueiras - ver "post" de 14.04.2008), calhou agora uma visita à antiga vila de Mós, realizada numa manhã domingueira, por dois associados do PARM, aproveitando o bom tempo para um registo fotográfico.

Vista geral do monte do Castelo, com a igreja do lado esquerdo (foto N.R.)


Mós, a antiga Mollas, é detentora de um dos forais mais antigos da região (pouco depois do de Freixo de Espada à Cinta), doado por D. Afonso Henriques em 1162. Aí existem ainda vestígios de uma cerca medieval (o Castelo), um pelourinho reconstituído há poucos anos, uma fonte de mergulho (talvez medieval), a antiga casa da Câmara e tribunal (actual Junta de Freguesia), a cadeia. A igreja, embora com fachada e sineira do século XVII, possui ainda uma estrutura próxima da arquitectura românica, com espessos contrafortes laterais. Na fachada principal, é de anotar um óculo gótico, ladeado e encimado por inscrições datáveis desta época (quiçá séc. XV).

Novo muro do adro, construído após o alargamento da rua, e depois de escavação arqueológica de sepulturas medievais (foto N.R.)

Foi pena que se tivesse destruído a Casa da Roda dos expostos (ocorrida talvez nos anos 80) e outros edifícios antigos, nomeadamente a antiga botica e uma casa com vestígios religiosos ao cima da rua dos Olminhos. Mais recentemente foram cortadas algumas sepulturas medievais escavadas no afloramento de xisto sob o adro da igreja, aquando do alargamento da rua de acesso à povoação, o que motivou escavações de emergência por parte de uma empresa de arqueologia de Viseu. Sabe-se que se encontraram ossadas e outros vestígios, aguardando publicação. É de salientar que o muro foi reconstruído utilizando o xisto da região.

Três símbolos do antigo município de Mós: Pelourinho (reconstituído); antigo Tribunal e casa da Câmara (actual sede da Junta); e a Cadeia. (fotos de N.R. e João Pinto V. Costa)


A velha fonte de mergulho da rua dos Olminhos (foto de João Pinto V. Costa)

Em dado momento, no século XV, tendo em vista o repovoamento de terras tão agrestes, foi aqui constituído um couto de homiziados (território onde se podiam albergar os foragidos à justiça do rei).
Que os costumes eram violentos sabemo-lo, não só pela existência da forca (atestada na toponímia) e do pelourinho, mas também pela existência de um freio de maldizentes, idêntico a outro guardado no Museu Abade de Baçal (Bragança), e que consistia numa peça em ferro que se aplicava na cabeça do(a) sentenciado(a), com uma lingueta que lhe travava a língua. O meirinho deveria depois encarregar-se de passear o réu (ou ré) pelas ruas, com uma arreata, expondo-o à execração pública.

Rua da Cadeia (à esquerda) e bairro do Castelo (ao fundo). Em 1º plano, destelhado, antigo lagar de vinho (foto de João Pinto V. Costa)

Pormenor do lagar anteriormente referido (foto de João Pinto V. Costa)

No Arquivo Histórico de Torre de Moncorvo existe um livro das contas da Câmara de Mós, datado do século XV, além de outros documentos. O concelho de Mós era composto pelo seu próprio termo e o de Carviçais e possuía, além das povoações principais, diversas quintas, tais como Centieeiras, Odreira, Martim Tirado e muitas outras hoje abandonadas. Felgar e Souto da Velha também pertenceram a Mós, mas só até ao final do séc. XIII.
Com a reforma administrativa de 1836, o concelho de Mós acabou integrado no de Torre de Moncorvo.

Casas tradicionais, na rua de Baixo (foto de João Pinto V. Costa)

No entanto, Mós conserva ainda o fácies de uma antiga vila medieva, com um belíssimo casario de xisto, combinando a pedra e a madeira, tal como há muitos séculos atrás. Além disso, tem o maior interesse a rede ou malha urbana, com a zona do castelo, a praça, as ruas principais com as suas vielas estreitas, tendo como pavimento a própria rocha (em alguns casos desaparecida sob os inefáveis "paralelos").

Casa tradicional em pedra e madeira com ripamento para suporte de tabique; à esqª., escaleiras escavadas na rocha (foto de João Pinto V. Costa)

Casas belíssimas, de pedra, da cor do tempo... (foto de João Pinto V. Costa)

Há intervenções recentes que, mesmo que não sejam muito conseguidas, se destacam já da demolição+reconstrução em tijolo ou blocos de cimento (as tais"maisons" dos anos 70-80), ou então do reboco de cimento sobre as paredes antigas. Verificámos com agrado dois telhados novos suportados em vigamento de madeira tratada, embora num dos casos talvez pudesse ser evitada a pequena laje de betão de uma varanda. Mas já é positivo que a fachada da casa se mantivesse em pedra e não houvesse outras alterações.

- Atenção: nos casos apontados, desconhecemos em absoluto quem são os proprietários em causa, pelo que as nossas apreciações são de mera crítica construtiva ou de estímulo para que se faça mais e melhor. O terem preservado estas casas evitando a sua ruína, já é para nós um motivo de satisfação, pelo que os felicitamos.

Nota positiva: telhado reconstruído recentemente, já que é sempre pelo telhado que a ruína começa (foto João Pinto V. Costa)

Como é lógico, não pretendemos que as pessoas vivam aqui como na Idade Média, mas que possam melhorar as suas condições de vida, melhorando sobretudo o interior das suas habitações, mas procurando manter o exterior, visto que se a povoação conseguir preservar ainda um bocadinho desta imagem, terá um trunfo para atrair visitantes, sobretudo tendo em conta o seu passado tão rico.

Nota positiva: reconstrução de telhado da casa + alpendre e que se tenha mantido o aspecto da casa, com a pedra à vista; benefício da dúvida: talvez ficasse melhor o gradeado em madeira, ou em ferragens verticais; nota negativa: laje de cimento (foto N.R.)


Apesar de tudo, Mós merece uma visita atenta em busca do seu património, lamentando que algumas construções tradicionais estejam a cair em ruína (sinal destes tempos de desertificação e abandono). Daí que nos atrevamos a propor, a quem de direito, um plano de reabilitação e salvaguarda (com enterramento dos cabos telefónicos e eléctricos do centro histórico), aproveitando esta última oportunidade do tão badalado QREN... Título para um projecto desta natureza, talvez: "Mós - villa medieval". - Esta designação poderia ainda fazer parte de um plano de marketing, a desenvolver posteriormente, para atrair visitantes e, sabe-se lá, residentes sazonais.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Prémio ProGEO 2008 – Recepção da menção honrosa no Museu do Ferro

Como anunciámos em “post” anterior , realizou-se no dia 22 de Abril (Dia Mundial da Terra), no salão nobre do Museu a sessão solene de entrega da menção honrosa atribuída à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, pelo projecto do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo. A candidatura municipal (instruída pela divisão técnica do Património em colaboração com a equipa do museu e do geólogo Rui Rodrigues, sócio do PARM) versava todo o processo e investimento realizado para a concretização desta instituição cultural, desde 1995 até ao presente, incluindo projectos em curso e ideias para o futuro.

O Presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Engº Aires Ferreira, presidiu à sessão, agradecendo esta menção honrosa e destacando o seu significado para a prossecução do investimento que a autarquia tem realizado no projecto Museu, manifestando abertura para novos passos no sentido de um aproveitamento do património mineiro como recurso turístico. Referiu-se à preocupação do município, desde há largos anos, no sentido de se criar uma imagem de marca de Torre de Moncorvo associada à ideia da “Terra do Ferro”, expressão estampada nas camisolas dos jogadores do GDM (Grupo Desportivo de Moncorvo), criando-se o slogan: “Moncorvo, onde o ferro é a alma da terra”. Aproveitou para informar que esta expressão será inscrita no novo autocarro que a Câmara adquiriu.


Presidente da Câmara de T. Moncorvo na abertura da sessão solene



O Doutor José Brilha, Presidente da ProGEO/Portugal e investigador da Universidade do Minho, explicou que a ProGEO é uma associação internacional sedeada na Suécia, com grupos de trabalho nacionais espalhados pelo mundo, em particular na União Europeia. O prémio de geoconservação atribuído pelo comité português destina-se a galardoar as autarquias que se tenham destacado na preservação do património geológico, e vem sendo atribuído, desde 2004.

José Brilha referiu depois os pontos fortes da candidatura de Torre de Moncorvo, tendo em conta o que já foi feito e as potencialidades para o desenvolvimento futuro de acções de conservação e valorização do património geomineiro na região.

Doutor José Brilha (ProGEO/Portugal) durante a sua intervenção


Ainda o presidente da ProGEO Portugal salientou a importância da escolha desta data para a entrega do Prémio (à Câmara Municipal de Arouca) e da Menção Honrosa à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo – é que o dia 22 de Abril é o dia Mundial da Terra e dia Nacional do Património Geológico, e ainda porque acontece no zénite do Ano Internacional do Planeta Terra, o qual decorre desde o ano passado e se prolongará pelo próximo ano. – Acrescentou que esta foi uma forma de se chamar a atenção para os problemas inerentes à sustentabilidade, ao equilíbrio ambiental e para a necessidade de se preservar o património natural.

Por seu lado, o Doutor Diamantino Pereira, também da Universidade do Minho, e que presidiu ao Júri que atribuíu o Prémio e a Menção Honrosa, referiu-se à importância dos parques geológicos ou “geoparques”, como o de Arouca, dizendo que o Museu do Ferro tem potencialidades para evoluir para um projecto deste tipo. Falou das potencialidades de geo-turismo e da existência de uma rede europeia de Geoparques, fórmula que a UNESCO tem procurado desenvolver também noutros continentes, existindo já vários na China, sobretudo associados aos dinossáurios.

Momento da entrega do diploma da Menção Honrosa

Após a entrega do diploma foi visionado um filme antigo de autoria do Dr. Horácio Simões, mostrando a laboração das minas de Moncorvo pela Ferrominas, nos inícios da década de 50, e apresentada uma pequena exposição fotográfica sobre os trabalhos daquela empresa, com base no espólio que nos foi oferecido pelo Engº João Pedro Monteiro de Barros Cabral, sobrinho do falecido Engº Gabriel Monteiro de Barros, director técnico da Ferrominas.

Esta mostra foi complementada por um outro trabalho fotográfico, de autoria do Dr. José Luís Gonçalves, licenciado em design e multimédia, com base num seu trabalho intitulado “Escombros”, sobre o estado das minas trasmontanas em 2005 (fotos e preto e branco, com catálogo), complementadas por um filme, que também ofereceu ao Museu, como referimos num “post” anterior (ver post de 27.02.2008, sobre Contributos para Biblioteca PARM e Centro de Documentação do Museu).

Diploma da Menção Honrosa

O nosso consócio Dr. Rui Rodrigues, geólogo que também colaborou na candidatura, apresentou algumas amostras características da geologia da região, em que abundam as cruzianas (os negativos fossilizados de rastros de trilobites), tendo o encarregado do museu, Nelson Campos, feito uma visita guiada ao Museu, após um “Porto de Honra” com que se celebrou esta Menção Honrosa.

Para saber mais sobre património geológico e Geo-roteiros, ver:

http://www.georoteiros.pt - Neste "sítio" vem mencionado o Museu do Ferro em: http://www.georoteiros.pt/georoteiros/Apagina/P_entidades.aspx?offset=11&CPESQ=N&TIPO_tentidade1=Museus&TIPO_pais=Portugal&SORT_field=Nome%20da%20entidade&pLetra=

http://www.geopor.pt/ - Neste "sítio" vem também mencionado o Museu do Ferro em: http://www.geopor.pt/gne/museus/intro.html

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Prémio ProGeo - Menção honrosa para o projecto "Museu do Ferro & da Região de Moncorvo" - II

Vejam aqui o artigo de Carla Gonçalves, publicado no último número do Mensageiro de Notícias, de 18 de Abril, sobre o Prémio de Geoconservação do ProGEO, o qual atribui uma menção honrosa à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, com o projecto "Museu do Ferro & da Região de Moncorvo":


A recepção da menção honrosa terá lugar no dia 22 de Abril (terça-feira), da parte da tarde. Salientamos que este é o Dia Internacional da Terra e o Dia Nacional do Património Geológico.

Aqui fica o programa:

15;30 h - Recepção no Museu do Ferro e sessão de boas-vindas pelo Sr. Presidente da Câmara;

15;45 h - Entrega da Menção Honrosa por parte dos representantes da ProGEO/Portugal;

16;00 h - Passagem de filme antigo sobre a Ferrominas, realizado na década de 50 pelo Dr. Horácio Simões, registo de cerca de 7 minutos;

16;10 h - Pequena mostra sobre actividades do Museu na área do património mineiro e exposição "Escombros/minas transmontanas" de José Luís Gonçalves, membro do atelier "Fósforo/colectivo criativo" (Coimbra);

- Porto de Honra.

16;30 h - Visita ao Museu do Ferro.

Estão desde já convidados os sócios do PARM, amigos do Museu e todos os interessados a estarem presentes.

Saudações associativas!

domingo, 20 de abril de 2008

Santuário de Panóias, Vila Real - inauguração da Sala Prof. Santos Júnior

No seguimento do "post" anterior, aqui fica o registo do momento solene da inauguração da Sala do Professor J. R. dos Santos Júnior, no Centro Interpretativo do Santuário de Panóias (concelho de Vila Real), a qual teve lugar no dia 18.04.2008, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Presidiram à cerimónia a Srª. Directora Regional da Cultura do Norte, Drª. Helena Gil, o Sr. Governador Civil de Vila Real, Dr. António Martinho, o responsável pelo monumento no âmbito do Serviço de Bens Culturais da D.R.Cultura/Norte, Dr. Orlando de Sousa e o representante da família do Prof. Santos Júnior, Sr. Norberto Santos.

Na sua breve intervenção, o Dr. Orlando Sousa explicou que esta homenagem a Santos Júnior se explicava pelo seu contributo para o conhecimento de Panóias, ao descobrir o documento mais antigo referente a este monumento, datado de 1721, e que é a memória elaborada pelo Pe. António Gonçalves de Aguiar, pároco de Vale Nogueiras. Esse documento esteve desaparecido, até que o Prof. Santos Júnior o localizou, na Biblioteca Nacional (Lisboa), no meio de documentação referente a Vila Flor e Torre de Moncorvo. Disse ainda Orlando Sousa que até então se considerava a descrição de D. Jerónimo Contador de Argote, contida na obra Memórias Históricas do Arcebispado de Braga (1732-1747), como sendo a primeira conhecida, ilustrada com várias gravuras das fragas, com cavidades e inscrições, de resto pouco fiáveis, pois este autor não esteve sequer em Panóias, tendo utilizado a descrição do Pe. António G. de Aguiar.

Gravura representando uma das fragas de Panóias, na obra de Contador de Argote, 1732.

Após o descerramento de uma placa com o nome da Sala Santos Júnior, foi visionado um filme explicativo sobre Panóias, essencial para se compreender o monumento. Com este conhecimento prévio o visitante será depois acompanhado por um dos guias que fazem simultaneamente a guarda deste imóvel.

Vista geral do recinto do Santuário, vendo-se o Centro Interpretativo à direita. Foto N.R. 18.04.2008

Do folheto explicativo retiramos o seguinte: "o santuário de Panóias (monumento denominado durante muitos anos 'Fragas de Panóias') foi construído entre finais do século II e princípios do século III d. C.. É constituído por um recinto onde se encontram, entre outros, três grandes penhascos, havendo sido escavados nos mesmos várias dependências de diversos tamanhos, assim como escadas de acesso. Esta rocha, que denominamos nº 1, situada à entrada do recinto, é a que possui as inscrições conhecidas, e que chegaram até nós, se bem que uma delas, ainda existente no séc. XIX, tenha sido entretanto destruída. // Existem três inscrições em latim e uma em grego, e nelas constam as instruções dos rituais celebrados em Panóias, a identificação dos deuses e a do oferente. // A inscrição desaparecida, também em latim, reconstituída a partir de leituras e registos anteriores, pode traduzir-se da seguinte maneira: "Aos Deuses e Deusas deste recinto sagrado. As vítimas são sacrificadas, são executadas neste lugar. As vísceras queimam-se nas dependências quadradas em frente. O sangue verte-se aqui ao lado nas pequenas cavidades. Estabelecido por Gaius. C. Calpurnius Rufinus, membro da ordem senatorial".

Pormenor de rocha com encaixe de construção e cavidades para os ritos. Foto N.R.

As outras inscrições descrevem os ritos que se praticavam nas restantes fragas, onde se encontravam outras cavidades e templetes, dedicados aos Deuses Severos e ao altíssimo Serápis (um deus da medicina, de origem oriental). Aí se purificavam os peregrinos, alguns enfermos, buscando protecção contra as suas maleitas. Os estudiosos admitem a possibilidade de o local já ser um recinto sagrado antes da época romana, ou seja, antes do alto funcionário romano Gaio Calpúrnio Rufino aí ter introduzido o culto de Serápis.


Pormenor da rocha 1, com cavidades rituais e inscrição muito delida pelo tempo, Foto NR.


No concelho de Torre de Moncorvo, no sítio arqueológico do Baldoeiro, sobre o Penedo do Corvo, existem algumas cavidades e entalhes picados na rocha que alguns autores de inícios do século XX (entre os quais Santos Júnior) compararam com o santuário de Panóias. Se bem que seja possível que estes entalhes possam corresponder a uma torre roqueira da Reconquista, eventualmente edificada sobre o penedo, há uma ou duas pequenas cavidades cuja função é inexplicável, pelo que poderá corresponder, efectivamente, a um santuário pré-romano associado ao culto ofiolátrico (de serpentes), devido a uns gravados serpentiformes que aí também existem.


Pelos mistérios que estes sítios encerram, aqui fica uma proposta de visita. Se bem que o Baldoeiro não esteja devidamente valorizado para apresentação ao público(como pretendemos), já sobre Panóias poderá marcar a sua visita ligando para o telef. nº. 226197080. O monumento está aberto de 3ª feira até Domingos, entre as 9;00-12;30 horas, e das 14;00-17;30h. Apenas a 7 km de Vila Real, com acesso pela estrada que vai para Sabrosa, por Mateus (EN 322).


Para saber mais sobre o Santuário de Panóias:
http://www.ippar.pt/monumentos/sitio_panoias.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santu%C3%A1rio_de_Pan%C3%B3ias
http://www2.ufp.pt/~slira/Projectos/panoias/guiao.pdf http://www.arqueotur.org/yacimientos/santuario-de-panoias.htmlhttp://www.youtube.com/watch?v=1tWEu3-2Lyw (excerto do filme)

Se quiser saber mais sobre o Prof. J. R. dos Santos Júnior, visite o Centro de Memória de Torre de Moncorvo, onde se encontra a sua biblioteca e arquivo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

18 de Abril - Dia Internacional de Monumentos e Sítios

Em 1982 o ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) instituíu o 18 de Abril como Dia Internacional de Monumentos e Sítios, como forma de chamar a atenção para a importância da salvaguarda e fruição do património arquitectónico e sítios arqueológicos.
Este ano o tema escolhido pelo Ministério da Cultura foi o "Património Religioso e Espaços Sagrados", relevando não só o património religioso cristão, mas, inclusive, lugares sagrados do paganismo pré-cristão.

Cartaz do programa da Direcção Regional da Cultura do Norte


Neste sentido, a Direcção Regional da Cultura do Norte, sedeada em Vila Real, através da sua Direcção de Serviços dos Bens Culturais, localizada no Porto, vão comemorar este dia (18.04.2008), com o seguinte programa:

- 15;00 horas > Santuário de Panóias - inauguração da Sala Professor Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior (eminente investigador da arqueologia trasmontana, e que também se interessou pelo famoso monumento rupestre de Panóias). - Acrescentemos que o Prof. Santos Júnior tem fortes ligações ligações a Torre de Moncorvo, terra de naturalidade de sua esposa, tendo os seus herdeiros doado o seu espólio documental e bibliográfico a este município, o qual se encontra guardado no Centro de Memória desta vila. Santos Júnior, entre outros trabalhos, foi autor de um importante estudo sobre os berrões proto-históricos do Nordeste de Portugal, sendo de sua autoria o desenho do javali das Cabanas de Baixo (Vilariça, Torre de Moncorvo), que serve de símbolo desta associação - ver coluna da esquerda, ao cimo.

- 18;00 horas > Igreja de S. Domingos /Sé de Vila Real - comunicação "Património religioso e espaços sagrados", pelo Prof. António Azevedo.

Santuário de Panóias (Vila Real) - fraga com entalhes roqueiros para assentamento de possível templo - Foto IPPAR.

Da nossa parte, e mesmo que não seja no próprio dia (até porque o tempo não está convidativo), sugerimos uma visita aos Monumentos Nacionais e Imóveis de Interesse Público do nosso concelho que estão visitáveis, como por exemplo a igreja matriz de Torre de Moncorvo (Monumento Nacional), igreja românica da Adeganha (Monumento Nacional), igreja da Misericórdia de Torre de Moncorvo ou capela de N. Srª. da Teixeira (Imóveis de Interesse Público).


Igreja matriz de Sant'Iago de Adeganha - foto do Arquivo do PARM

Há outros imóveis de interesse, com destaque para os sítios arqueológicos de Baldoeiro e ruínas de Santa Cruz da Vilariça, mas como não estão sinalizados e se situam em propriedade privada, são de acesso mais restrito.


Igreja matriz de Torre de Moncorvo, vista das traseiras - foto de João Pinto V. Costa, 2008


E, porque não, uma visita ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde poderá ficar a saber algo mais sobre estes valores patrimoniais?

Fica a proposta do PARM.