quarta-feira, 23 de abril de 2008

Prémio ProGEO 2008 – Recepção da menção honrosa no Museu do Ferro

Como anunciámos em “post” anterior , realizou-se no dia 22 de Abril (Dia Mundial da Terra), no salão nobre do Museu a sessão solene de entrega da menção honrosa atribuída à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, pelo projecto do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo. A candidatura municipal (instruída pela divisão técnica do Património em colaboração com a equipa do museu e do geólogo Rui Rodrigues, sócio do PARM) versava todo o processo e investimento realizado para a concretização desta instituição cultural, desde 1995 até ao presente, incluindo projectos em curso e ideias para o futuro.

O Presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Engº Aires Ferreira, presidiu à sessão, agradecendo esta menção honrosa e destacando o seu significado para a prossecução do investimento que a autarquia tem realizado no projecto Museu, manifestando abertura para novos passos no sentido de um aproveitamento do património mineiro como recurso turístico. Referiu-se à preocupação do município, desde há largos anos, no sentido de se criar uma imagem de marca de Torre de Moncorvo associada à ideia da “Terra do Ferro”, expressão estampada nas camisolas dos jogadores do GDM (Grupo Desportivo de Moncorvo), criando-se o slogan: “Moncorvo, onde o ferro é a alma da terra”. Aproveitou para informar que esta expressão será inscrita no novo autocarro que a Câmara adquiriu.


Presidente da Câmara de T. Moncorvo na abertura da sessão solene



O Doutor José Brilha, Presidente da ProGEO/Portugal e investigador da Universidade do Minho, explicou que a ProGEO é uma associação internacional sedeada na Suécia, com grupos de trabalho nacionais espalhados pelo mundo, em particular na União Europeia. O prémio de geoconservação atribuído pelo comité português destina-se a galardoar as autarquias que se tenham destacado na preservação do património geológico, e vem sendo atribuído, desde 2004.

José Brilha referiu depois os pontos fortes da candidatura de Torre de Moncorvo, tendo em conta o que já foi feito e as potencialidades para o desenvolvimento futuro de acções de conservação e valorização do património geomineiro na região.

Doutor José Brilha (ProGEO/Portugal) durante a sua intervenção


Ainda o presidente da ProGEO Portugal salientou a importância da escolha desta data para a entrega do Prémio (à Câmara Municipal de Arouca) e da Menção Honrosa à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo – é que o dia 22 de Abril é o dia Mundial da Terra e dia Nacional do Património Geológico, e ainda porque acontece no zénite do Ano Internacional do Planeta Terra, o qual decorre desde o ano passado e se prolongará pelo próximo ano. – Acrescentou que esta foi uma forma de se chamar a atenção para os problemas inerentes à sustentabilidade, ao equilíbrio ambiental e para a necessidade de se preservar o património natural.

Por seu lado, o Doutor Diamantino Pereira, também da Universidade do Minho, e que presidiu ao Júri que atribuíu o Prémio e a Menção Honrosa, referiu-se à importância dos parques geológicos ou “geoparques”, como o de Arouca, dizendo que o Museu do Ferro tem potencialidades para evoluir para um projecto deste tipo. Falou das potencialidades de geo-turismo e da existência de uma rede europeia de Geoparques, fórmula que a UNESCO tem procurado desenvolver também noutros continentes, existindo já vários na China, sobretudo associados aos dinossáurios.

Momento da entrega do diploma da Menção Honrosa

Após a entrega do diploma foi visionado um filme antigo de autoria do Dr. Horácio Simões, mostrando a laboração das minas de Moncorvo pela Ferrominas, nos inícios da década de 50, e apresentada uma pequena exposição fotográfica sobre os trabalhos daquela empresa, com base no espólio que nos foi oferecido pelo Engº João Pedro Monteiro de Barros Cabral, sobrinho do falecido Engº Gabriel Monteiro de Barros, director técnico da Ferrominas.

Esta mostra foi complementada por um outro trabalho fotográfico, de autoria do Dr. José Luís Gonçalves, licenciado em design e multimédia, com base num seu trabalho intitulado “Escombros”, sobre o estado das minas trasmontanas em 2005 (fotos e preto e branco, com catálogo), complementadas por um filme, que também ofereceu ao Museu, como referimos num “post” anterior (ver post de 27.02.2008, sobre Contributos para Biblioteca PARM e Centro de Documentação do Museu).

Diploma da Menção Honrosa

O nosso consócio Dr. Rui Rodrigues, geólogo que também colaborou na candidatura, apresentou algumas amostras características da geologia da região, em que abundam as cruzianas (os negativos fossilizados de rastros de trilobites), tendo o encarregado do museu, Nelson Campos, feito uma visita guiada ao Museu, após um “Porto de Honra” com que se celebrou esta Menção Honrosa.

Para saber mais sobre património geológico e Geo-roteiros, ver:

http://www.georoteiros.pt - Neste "sítio" vem mencionado o Museu do Ferro em: http://www.georoteiros.pt/georoteiros/Apagina/P_entidades.aspx?offset=11&CPESQ=N&TIPO_tentidade1=Museus&TIPO_pais=Portugal&SORT_field=Nome%20da%20entidade&pLetra=

http://www.geopor.pt/ - Neste "sítio" vem também mencionado o Museu do Ferro em: http://www.geopor.pt/gne/museus/intro.html

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Prémio ProGeo - Menção honrosa para o projecto "Museu do Ferro & da Região de Moncorvo" - II

Vejam aqui o artigo de Carla Gonçalves, publicado no último número do Mensageiro de Notícias, de 18 de Abril, sobre o Prémio de Geoconservação do ProGEO, o qual atribui uma menção honrosa à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, com o projecto "Museu do Ferro & da Região de Moncorvo":


A recepção da menção honrosa terá lugar no dia 22 de Abril (terça-feira), da parte da tarde. Salientamos que este é o Dia Internacional da Terra e o Dia Nacional do Património Geológico.

Aqui fica o programa:

15;30 h - Recepção no Museu do Ferro e sessão de boas-vindas pelo Sr. Presidente da Câmara;

15;45 h - Entrega da Menção Honrosa por parte dos representantes da ProGEO/Portugal;

16;00 h - Passagem de filme antigo sobre a Ferrominas, realizado na década de 50 pelo Dr. Horácio Simões, registo de cerca de 7 minutos;

16;10 h - Pequena mostra sobre actividades do Museu na área do património mineiro e exposição "Escombros/minas transmontanas" de José Luís Gonçalves, membro do atelier "Fósforo/colectivo criativo" (Coimbra);

- Porto de Honra.

16;30 h - Visita ao Museu do Ferro.

Estão desde já convidados os sócios do PARM, amigos do Museu e todos os interessados a estarem presentes.

Saudações associativas!

domingo, 20 de abril de 2008

Santuário de Panóias, Vila Real - inauguração da Sala Prof. Santos Júnior

No seguimento do "post" anterior, aqui fica o registo do momento solene da inauguração da Sala do Professor J. R. dos Santos Júnior, no Centro Interpretativo do Santuário de Panóias (concelho de Vila Real), a qual teve lugar no dia 18.04.2008, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Presidiram à cerimónia a Srª. Directora Regional da Cultura do Norte, Drª. Helena Gil, o Sr. Governador Civil de Vila Real, Dr. António Martinho, o responsável pelo monumento no âmbito do Serviço de Bens Culturais da D.R.Cultura/Norte, Dr. Orlando de Sousa e o representante da família do Prof. Santos Júnior, Sr. Norberto Santos.

Na sua breve intervenção, o Dr. Orlando Sousa explicou que esta homenagem a Santos Júnior se explicava pelo seu contributo para o conhecimento de Panóias, ao descobrir o documento mais antigo referente a este monumento, datado de 1721, e que é a memória elaborada pelo Pe. António Gonçalves de Aguiar, pároco de Vale Nogueiras. Esse documento esteve desaparecido, até que o Prof. Santos Júnior o localizou, na Biblioteca Nacional (Lisboa), no meio de documentação referente a Vila Flor e Torre de Moncorvo. Disse ainda Orlando Sousa que até então se considerava a descrição de D. Jerónimo Contador de Argote, contida na obra Memórias Históricas do Arcebispado de Braga (1732-1747), como sendo a primeira conhecida, ilustrada com várias gravuras das fragas, com cavidades e inscrições, de resto pouco fiáveis, pois este autor não esteve sequer em Panóias, tendo utilizado a descrição do Pe. António G. de Aguiar.

Gravura representando uma das fragas de Panóias, na obra de Contador de Argote, 1732.

Após o descerramento de uma placa com o nome da Sala Santos Júnior, foi visionado um filme explicativo sobre Panóias, essencial para se compreender o monumento. Com este conhecimento prévio o visitante será depois acompanhado por um dos guias que fazem simultaneamente a guarda deste imóvel.

Vista geral do recinto do Santuário, vendo-se o Centro Interpretativo à direita. Foto N.R. 18.04.2008

Do folheto explicativo retiramos o seguinte: "o santuário de Panóias (monumento denominado durante muitos anos 'Fragas de Panóias') foi construído entre finais do século II e princípios do século III d. C.. É constituído por um recinto onde se encontram, entre outros, três grandes penhascos, havendo sido escavados nos mesmos várias dependências de diversos tamanhos, assim como escadas de acesso. Esta rocha, que denominamos nº 1, situada à entrada do recinto, é a que possui as inscrições conhecidas, e que chegaram até nós, se bem que uma delas, ainda existente no séc. XIX, tenha sido entretanto destruída. // Existem três inscrições em latim e uma em grego, e nelas constam as instruções dos rituais celebrados em Panóias, a identificação dos deuses e a do oferente. // A inscrição desaparecida, também em latim, reconstituída a partir de leituras e registos anteriores, pode traduzir-se da seguinte maneira: "Aos Deuses e Deusas deste recinto sagrado. As vítimas são sacrificadas, são executadas neste lugar. As vísceras queimam-se nas dependências quadradas em frente. O sangue verte-se aqui ao lado nas pequenas cavidades. Estabelecido por Gaius. C. Calpurnius Rufinus, membro da ordem senatorial".

Pormenor de rocha com encaixe de construção e cavidades para os ritos. Foto N.R.

As outras inscrições descrevem os ritos que se praticavam nas restantes fragas, onde se encontravam outras cavidades e templetes, dedicados aos Deuses Severos e ao altíssimo Serápis (um deus da medicina, de origem oriental). Aí se purificavam os peregrinos, alguns enfermos, buscando protecção contra as suas maleitas. Os estudiosos admitem a possibilidade de o local já ser um recinto sagrado antes da época romana, ou seja, antes do alto funcionário romano Gaio Calpúrnio Rufino aí ter introduzido o culto de Serápis.


Pormenor da rocha 1, com cavidades rituais e inscrição muito delida pelo tempo, Foto NR.


No concelho de Torre de Moncorvo, no sítio arqueológico do Baldoeiro, sobre o Penedo do Corvo, existem algumas cavidades e entalhes picados na rocha que alguns autores de inícios do século XX (entre os quais Santos Júnior) compararam com o santuário de Panóias. Se bem que seja possível que estes entalhes possam corresponder a uma torre roqueira da Reconquista, eventualmente edificada sobre o penedo, há uma ou duas pequenas cavidades cuja função é inexplicável, pelo que poderá corresponder, efectivamente, a um santuário pré-romano associado ao culto ofiolátrico (de serpentes), devido a uns gravados serpentiformes que aí também existem.


Pelos mistérios que estes sítios encerram, aqui fica uma proposta de visita. Se bem que o Baldoeiro não esteja devidamente valorizado para apresentação ao público(como pretendemos), já sobre Panóias poderá marcar a sua visita ligando para o telef. nº. 226197080. O monumento está aberto de 3ª feira até Domingos, entre as 9;00-12;30 horas, e das 14;00-17;30h. Apenas a 7 km de Vila Real, com acesso pela estrada que vai para Sabrosa, por Mateus (EN 322).


Para saber mais sobre o Santuário de Panóias:
http://www.ippar.pt/monumentos/sitio_panoias.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santu%C3%A1rio_de_Pan%C3%B3ias
http://www2.ufp.pt/~slira/Projectos/panoias/guiao.pdf http://www.arqueotur.org/yacimientos/santuario-de-panoias.htmlhttp://www.youtube.com/watch?v=1tWEu3-2Lyw (excerto do filme)

Se quiser saber mais sobre o Prof. J. R. dos Santos Júnior, visite o Centro de Memória de Torre de Moncorvo, onde se encontra a sua biblioteca e arquivo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

18 de Abril - Dia Internacional de Monumentos e Sítios

Em 1982 o ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) instituíu o 18 de Abril como Dia Internacional de Monumentos e Sítios, como forma de chamar a atenção para a importância da salvaguarda e fruição do património arquitectónico e sítios arqueológicos.
Este ano o tema escolhido pelo Ministério da Cultura foi o "Património Religioso e Espaços Sagrados", relevando não só o património religioso cristão, mas, inclusive, lugares sagrados do paganismo pré-cristão.

Cartaz do programa da Direcção Regional da Cultura do Norte


Neste sentido, a Direcção Regional da Cultura do Norte, sedeada em Vila Real, através da sua Direcção de Serviços dos Bens Culturais, localizada no Porto, vão comemorar este dia (18.04.2008), com o seguinte programa:

- 15;00 horas > Santuário de Panóias - inauguração da Sala Professor Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior (eminente investigador da arqueologia trasmontana, e que também se interessou pelo famoso monumento rupestre de Panóias). - Acrescentemos que o Prof. Santos Júnior tem fortes ligações ligações a Torre de Moncorvo, terra de naturalidade de sua esposa, tendo os seus herdeiros doado o seu espólio documental e bibliográfico a este município, o qual se encontra guardado no Centro de Memória desta vila. Santos Júnior, entre outros trabalhos, foi autor de um importante estudo sobre os berrões proto-históricos do Nordeste de Portugal, sendo de sua autoria o desenho do javali das Cabanas de Baixo (Vilariça, Torre de Moncorvo), que serve de símbolo desta associação - ver coluna da esquerda, ao cimo.

- 18;00 horas > Igreja de S. Domingos /Sé de Vila Real - comunicação "Património religioso e espaços sagrados", pelo Prof. António Azevedo.

Santuário de Panóias (Vila Real) - fraga com entalhes roqueiros para assentamento de possível templo - Foto IPPAR.

Da nossa parte, e mesmo que não seja no próprio dia (até porque o tempo não está convidativo), sugerimos uma visita aos Monumentos Nacionais e Imóveis de Interesse Público do nosso concelho que estão visitáveis, como por exemplo a igreja matriz de Torre de Moncorvo (Monumento Nacional), igreja românica da Adeganha (Monumento Nacional), igreja da Misericórdia de Torre de Moncorvo ou capela de N. Srª. da Teixeira (Imóveis de Interesse Público).


Igreja matriz de Sant'Iago de Adeganha - foto do Arquivo do PARM

Há outros imóveis de interesse, com destaque para os sítios arqueológicos de Baldoeiro e ruínas de Santa Cruz da Vilariça, mas como não estão sinalizados e se situam em propriedade privada, são de acesso mais restrito.


Igreja matriz de Torre de Moncorvo, vista das traseiras - foto de João Pinto V. Costa, 2008


E, porque não, uma visita ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde poderá ficar a saber algo mais sobre estes valores patrimoniais?

Fica a proposta do PARM.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Prémio ProGeo - Menção honrosa para projecto: Museu do Ferro & da Região de Moncorvo

O ProGeo - The European Association for the Conservation of the Geological Heritage (Associação Europeia para a conservação do Património Geológico), é uma organização europeia sedeada na Suécia, com uma representação em Portugal, a ProGeo-Portugal, dirigida pelo geólogo José Brilha, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Minho.

O comité português do ProGeo instituíu, em 2004, o Prémio de Geoconservação, com o objectivo de:
- distinguir os melhores exemplos de conservação do património geológico promovidos por autarquias;
- estimular uma reflexão crítica sobre a necessidade de conservar o Património Geológico e incentivar as autarquias a adoptar estratégias e procedimentos para a sua conservação;
- divulgar e sensibilizar o público em geral para o reconhecimento do valor do Património Geológico como parte integrante do Património Natural;
- motivar os órgãos de comunicação social para o debate sobre o papel da Geologia na sociedade contemporânea.

É atribuído anualmente um único prémio (candidatura ganhadora), juntamente com uma menção honrosa atribuída ao segundo classificado.

Museu do Ferro & da Região de Moncorvo


Assim, no final do passado mês de Fevereiro, a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo apresentou uma candidatura a este prémio, a qual foi tecnicamente elaborada pela divisão de património municipal e equipa do Museu do Ferro, tendo subscrito a memória geológica o Dr. Rui Rodrigues, associado do PARM.

No dia 2 de Abril, na Universidade do Minho, reuniu-se o júri constituído para a atribuição do prémio, tendo decidido, por unanimidade, atribuir o Prémio GeoConservação 2008 à Câmara Municipal de Arouca, para a candidatura "Geoparque Arouca", tendo cabido à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo a Menção Honrosa, e, destacamos da deliberação: "pela sua candidatura intitulada 'Museu do Ferro & da Região de Moncorvo' evidenciar empenhamento na valorização do Património Geomineiro e potencial para o desenvolvimento futuro de acções de conservação e valorização do Património Geológico".

Conclui a nota do Júri: "O Prémio e Menção Honrosa serão entregues no dia 22 de Abril de 2008, dia Internacional da Terra e Dia do Nacional do Património Geológico, nas respectivas autarquias vencedoras".

Sabemos que os representantes do Grupo Português do ProGeo, Doutores José Brilha (Universidade do Minho), Mário Cachão (Universidade de Lisboa) e Miguel Ramalho (Liga para a Protecção da Natureza), se deslocarão no próximo dia 22 a Arouca, da parte da manhã, e a Torre de Moncorvo, da parte da tarde.

O PARM, como entidade co-responsável com o município de Torre de Moncorvo na organização e gestão do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, congratula-se com esta notícia, que nos enche a todos de muito orgulho, pois representa um reconhecimento muito importante pelo investimento feito e pelo trabalho realizado.

Sobre este assunto, ver ainda:

http://www.progeo.pt/progeo_pt.htm

http://www.naturlink.pt/canais/artigo.asp?iCanal=35&iSubCanal=66&iArtigo=23252&iLingua=1

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O betão e o alcatrão...

Ainda no seguimento dos "post's" anteriores, recomenda-se a leitura deste artigo do colunista M. Poppe, in "Jornal de Notícias", 6.04.2008:

Transcrevemos do 1º. parágrafo: "A nossa tendência cultural é construir um paraíso de auto-estradas, não o da educação, investigação e outras coisas afins. (...) A juntarmos a isso a magnificência dos estádios de futebol e a invasão das casotas desenhadas pelos patos-bravos, fácil é concluir que betão e alcatrão há muito decidem do periclitante futuro de Portugal". - Mas é melhor ler o resto (se não consegue aumentar o recorte, podemos enviar-lhe cópia por e-mail).

Mas nem tudo é mau…

Voltando ainda a Felgueiras (ver "post's" anteriores), há a registar, contudo, alguns exemplos de particulares que têm tido algum cuidado na utilização de materiais tradicionais na construção e recuperação de casas antigas. Num dos casos, logo à entrada da aldeia, foi feito um muro, usando a pedra de xisto local, seguindo a tecnologia tradicional:


Felgueiras - construção de um muro tradicional para vedação de propriedade (Julho,2006)


Numa casa antiga, mesmo defronte do lagar da cera, o velho telhado deu lugar a um novo, mas de telha idêntica à antiga, foi mantido o típico “chupão” de chapa de ferro e substituíram-se portas e janelas (que deveriam estar degradadas) por outras em madeira, pintadas com as cores tradicionais. Só foi pena o cimento na cornija, esperando que o tempo se encarregue de o disfarçar, mas a nota é francamente positiva:



Felgueiras - casa em frente do lagar comunitário da cera, recentemente recuperada.


Nota: Solicitamos aos nossos associados que nos enviem “posts” de outros casos que considerem exemplares, na recuperação do nosso património vernacular. É o melhor estímulo para quem faz bem, ou, ao menos, se esforça nesse sentido. Quanto aos casos lamentáveis, talvez seja melhor esquecer…

O fim das calçadas de “pedra ferrenha”

Uma das imagens de marca da vila de Torre de Moncorvo, assim como de algumas aldeias mais periféricas da serra do Roborêdo, eram as ruas pavimentadas (calçadas) com a famosa “pedra ferrenha” (nome popular para a hematite, o nosso minério de ferro).
Já no século XVI o geógrafo João de Barros, na sua Geografia de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes se referia a “huma calçada toda em ferro” que ia de Torre de Moncorvo para Mós. Esta calçada era o caminho velho que ia pela base da serra, principiando ao lado da capela de S. João Baptista (actualmente de N. Srª. de Fátima), mais adiante junto da de N. Srª. da Conceição e casa dos serviços florestais, seguindo pelo Calhoal, Qtª. de Mindel, fonte de Lamelas, etc.. O troço calcetado a hematite ia, pelo menos, até ao Calhoal, tendo sido parcialmente substituído, há uns anos, por asfalto.

(Torre de Moncorvo - em 1º. plano, aplicação recente de calçada de hematite)

Na vila de Torre de Moncorvo, no bairro do Castelo, há cerca de 30 anos, eram ainda as ruas pavimentadas com hematite. Em nome do santo “Progresso”, foi esse pavimento removido e/ou asfaltado por cima. Os poucos restos que sobraram, em três becos, foram há cerca de 15 anos substituídos por cubos de granito, vulgo “paralelos”, o que motivou um protesto da nossa associação, com a recomendação de se reutilizar a hematite em passeios ou em locais onde não “prejudicassem o andar”, sobretudo de senhoras com saltos altos, pois foi esse o argumento que nos deram para a referida substituição. Talvez em consequência disso, foi reutilizada a hematite na praça General Claudino (antigo largo do Rossio, ou “praça das regateiras”).

Havia ainda uma “aldeia gaulesa” onde as calçadas de hematite resistiam, bem no coração da grande montanha de ferro: Felgueiras.

Felgueiras, era uma "aldeia ferreira" no coração da serra do Roborêdo.

As ruas sinuosas, uma certa quantidade de casas de xisto com os típicos balcões, alguns ainda de madeira à boa maneira medieval, as escórias de ferro que documentam uma actividade metalúrgica ancestral apesar das forjas já desaparecidas, o velho lagar da cera, o misticismo de ter sido uma terra de mercadores, almocreves, cereeiros, ferreiros, moleiros, tudo isto associado às últimas calçadas de pedra ferrenha, faziam desta terra um potencial pólo de atracção turística no nosso concelho. Mas, quando paulatinamente se vão subtraindo os poucos motivos de interesse que tornavam característica esta aldeia, tornando-a cada vez mais igual a tantas outras, é a galinha dos ovos de ouro que se vai matando…


Um conjunto de casas antigas existiu neste largo, agora pavimentado com "paralelos".

Depois de se ter derrubado um quarteirão de casas antigas, onde estava uma casa que, segundo a tradição popular, pertencera a judeus, por ter um pentalfa (estrela de 5 pontas), talvez um disfarçado signo-saimão (a israelita estrela de 6), e se ter adulterado aí a malha urbana, ela própria elemento patrimonial, veio agora a vez de se fazerem desaparecer as calçadas de hematite, substituídas pelos clássicos “paralelos”… Agora é caso para se contar assim a história: Era uma vez uma aldeia “sem paralelo” entre as demais!... ou então: Felgueiras, onde o Ferro foi a alma da terra


Uma viela onde a calçada de pedra ferrenha agora cedeu lugar ao granito, numa terra de xisto e ferro.

Das velha calçada de hematite sobrou este vestígio, numa escaleira que leva à fonte da ribeira.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ainda Rentes de Carvalho - conferência do Museu, na imprensa:

Sobre a conferência do Professor Rentes de Carvalho no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, ver: "Mensageiro Notícias" (sedeado em Bragança), o único órgão de comunicação social que se dignou a estar presente:

http://www.mensageironoticias.pt/noticia/237

terça-feira, 8 de abril de 2008

A Conferência do Prof. Rentes de Carvalho no Auditório do Museu do Ferro

(copyright A.Basaloco)
O evento:

Conforme anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 5 de Abril, no auditório do Museu, perante numeroso público, a esperada conferência do Prof. Rentes de Carvalho sob o título: “Portugal-Holanda, dois mundos”.

(Abertura da sessão, pelo Presidente do Município de T. Moncorvo, Engº Aires Ferreira - foto de A.Basaloco)

Na tribuna, além do orador, do presidente da direcção do PARM e do presidente da Câmara, encontrava-se também a representante da embaixada da Holanda (Drª Anke Schaeffers) que veio expressamente para este encontro. Entre os presentes, estiveram vários amigos do Professor Rentes de Carvalho, de que destacamos o ilustre estevaleiro (de Estevais de Mogadouro), Dr. Armando Pimentel, e o escultor Manuel Barroco, originário das Quintas das Quebradas, onde possui uma unidade de turismo rural. De Mirandela veio uma senhora holandesa que trabalha no sector hoteleiro, Gudi Wendrich, acompanhada de seu filho luso-holandês, para conhecerem e ouvirem Rentes de Carvalho. E perdoem-nos os restantes, mas não podemos enumerar aqui toda a gente presente, que era muita.

(Intervenção da Drª Anke Schaeffers, representante da Embaixada da Holanda em Portugal - foto N.R.)

Para quem leu Com os Holandeses, o mítico livro que o tornou conhecido na Holanda (a 1ª. edição é de 1972 com 10 edições em holandês até 1996, além de uma em português, em 1993), muitas das opiniões expressas pelo autor não foram surpresa, embora agora se penitencie por muitos exageros então apontados. Sublinhou que a cultura holandesa se caracterizava por um grande respeito pela opinião dos outros, mas que actualmente há excessos de "politicamente correcto", que levam a que se tolerem certas coisas em nome do “multiculturalismo”, coisas essas que não são toleradas em relação a outras minorias. Enalteceu a organização, a cultura, o espírito de trabalho e de cumprimento das obrigações, fortemente contrastante com a cultura portuguesa, mais virada para a ostentação (o célebre “record” de densidade de “jeeps” por metro quadrado) e para o facilitismo. Assim se explica que um país sem grandes recursos naturais (onde se situa a ausência de recursos minerais), tenha conseguido, no séc. XVII, estabelecer um império colonial global, disputando a supremacia de portugueses e espanhóis. Já em período de debate final, foram tecidas considerações a este propósito, por vários dos presentes.

(Prof. Rentes de Carvalho, proferindo a sua conferência - foto de A.Basaloco)

No entanto, Rentes de Carvalho reafirmou as suas origens de não se consegue (e não quer) libertar. Confessou-se um homem dividido entre dois mundos: “eu sou dois – quando aqui chego, passo a ser outro; quando estou lá, sou holandês”. Poderemos acrescentar que este mimetismo seja a capacidade maior do português (e do trasmontano), em contraponto com aquela outra característica que nos faz estar sempre virados para esse ponto de partida, e que nos puxa, como um magneto, para as origens: a mítica “saudade”. Curiosamente esta palavra nunca foi pronunciada, nem, estranhamente, faz parte do seu vocabulário literário. Talvez porque considere demasiado brutal e cru esse ponto de partida (no tempo e no espaço), Rentes de Carvalho deplora-o e prefere, como sempre preferiu, seguir em frente. O apelo das raízes, no seu caso, terá mais a ver com questões identitárias, ou, como disse numa entrevista a Rui A. Araújo/Carlos Chaves: “é a aceitação de quem sou e do lugar donde venho, no sentido em que Senghor definiu o conceito de negritude” (in Eito Fora, nº. 19, Setº. 2001).

(o público escutando atentamente - foto A.Basaloco)

Paralelamente à conferência foi organizada uma vitrina com algumas obras do autor, em Português e Holandês, socorrendo-nos de livros emprestados pelo próprio autor e por sócios do PARM, sendo apenas a esgotadíssima Ernestina procedente da Biblioteca Municipal (onde, para além deste, só encontrámos outro livro de R.C.); alguns artigos do nosso amigo Gonçalves Guimarães no Primeiro de Janeiro e uma entrevista de Filipa Leal no boletim das Artes, das Letras. Uma mesa onde se podiam adquirir algumas obras do autor e outra com folhetos sobre a Holanda, a par de cartazes e de um filme em DVD sobre o país das tulipas, completaram o ramalhete.

(Expositor com algumas obras do conferencista - foto de A.Basaloco)


O porquê desta acção?

Como explicou o presidente da direcção do PARM, Afonso Calheiros, a ideia desta palestra vinha de trás, da anterior direcção, no seguimento do ciclo de palestras com que se assinalaram os 20 anos da associação. E, não querendo ficar apenas pelas “antiguidades” (arqueologia, etnografia, história e património), entendeu a direcção privilegiar um olhar mais actual sobre o mundo (cada vez mais global) que nos rodeia. Além disso, é nosso entendimento que o museu deve ter uma função e uma missão cívicas, não de apenas repositório de objectos “com Passado”, mas espaço de diálogo, de encontro, de discussão sobre assuntos do Presente e do Futuro, no sentido do tão propalado (pela Nova Museologia) “museu vivo”. Por isso, no projecto de 1996-98, se concebeu a construção do Auditório ao fundo dos jardins do museu.

Havia, por outro lado, uma dívida nossa para com o Prof. Rentes de Carvalho (que agora, em vez de ser saldada, ainda ficou maior!): é que os nossos contactos principiaram por volta de 2003, quando lhe pedimos o favor de nos fazer uma tradução de um folheto do Museu para Holandês, devido à constatação da passagem de turistas holandeses, certamente induzidos pelo célebre guia de Portugal para Amigos (amigos holandeses, diga-se, pois nunca foi editado em português). O Prof. Rentes fez-nos gratuitamente esse trabalho, como contributo seu para o nosso (de todos!) Museu, no que lhe ficámos imensamente gratos.

O contexto de oportunidade também não podia ser melhor, pois completam-se 40 anos sobre o início (oficial) da actividade literária de Rentes de Carvalho, com a publicação de Montedor (1968), pelo que este foi o nosso modesto contributo para a merecida homenagem que tal efeméride requer e que, julgamos saber, os serviços e agentes culturais de Vila Nova de Gaia, sua terra natal, estão a preparar.

Acrescente-se ainda o facto de parte da obra literária de Rentes de Carvalho se referir à nossa região (com numerosas referências à vila de Torre de Moncorvo e seu concelho). Aí se dá voz a um mundo já perdido ou em extinção (como as quintas do Cabeço, Estevais, a linha do Sabor) ou em paulatina transformação, de que tem sabido ser um cronista atento, apesar da distância e dos longos lapsos de tempo de ausência.

E por último, esta foi também uma tentativa de aumentar mais um bocadinho o “círculo de culto” de Rentes de Carvalho. Já que, por cá, só a “’literatura’ light” é vendável, os autores de maior talento e com mais profundidade têm que “passar” em círculos quase herméticos. Assim aconteceu, durante muito tempo, com um outro grande escritor (ainda por cima também daqui originário, como se reivindicou), que foi Jorge Luís Borges, conhecido como “o homem que falhou o Nobel”. Bem, e o que dizer de F. Pessoa? Quem o conhecia em 1935, quando morreu? (apenas alguns, entre os quais um jovem poeta trasmontano que no momento escreveu: “Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade, sem ao menos perguntar quem era” – M. Torga, Diário I, 3.12.1935).

Atentos os casos citados, não se lamente o Professor Rentes de Carvalho, quando escreve:
“Vendas em Portugal de livros meus? Cinco aqui, dez além. Duzentos exemplares (…) comprados pela Câmara de Vila Nova de Gaia a festejar a Medalha de Mérito que lá me deram. // Creio que o mesmo fizeram as câmaras de Mogadouro e de Moncorvo, porque pertenço a ambas e os seus funcionários sabem que existo. No mais... um grande vazio. Mas já me alegro de ao menos ver os meus livros impressos na nossa língua, o que durante décadas não aconteceu e profundamente me magoou” (entrevista a Rui Ângelo Araújo e Carlos Chaves, in Eito Fora, nº. 19, Setº. 2001*) – Pois pode ter a certeza que, mesmo neste país, caro Professor Rentes, para além dos funcionários das Câmaras de Vila Nova de Gaia, de Mogadouro ou de Torre de Moncorvo, alguém mais sabe que existe. E temos a certeza de que, pouco a pouco, um maior número reconhecerá a Qualidade onde ela existe.

N.Campos (sócio do PARM)

*Ver: http://www.trasosmontes.com/eitofora/numero19/questionario.html )

terça-feira, 1 de abril de 2008

Portugal-Holanda - Conferência pelo Prof. Rentes de Carvalho



Aqui fica o Convite aos nossos associados (e a todos os interessados) para assistirem à Conferência que será proferida no próximo Sábado, dia 5 de Abril, no Auditório do Museu do Ferro, em Torre de Moncorvo, pelo Exmº Senhor Prof. Doutor Rentes de Carvalho, subordinada ao tema: "Portugal-Holanda, dois mundos".

Mais informamos que o distinto orador é professor universitário jubilado da Universidade de Amesterdão, onde foi professor de Literatura Portuguesa, de 1964 a 1988. Natural de Vila Nova de Gaia, tem as suas origens em Estevais de Mogadouro e, mais remotamente, numas quintas hoje abandonadas, algures no limite da freguesia de Carviçais (concelho de Torre de Moncorvo).

Tendo saído de Portugal por motivos políticos em 1945, depois de uma passagem pelo Brasil, fixou-se na Holanda em 1956, onde trabalhou inicialmente no departamento comercial da embaixada brasileira. No âmbito da sua actividade universitária e como escritor, na Holanda, deu a conhecer vários clássicos da literatura portuguesa (por exemplo Eça de Queiroz e Raul Brandão), e aí escreveu obras que foram "best sellers", tais como os livros Com os Holandeses (1972) e Ernestina (1998), para já não falar de Portugal: um guia para amigos (Portugal, een gids voor vrienden, ed. De Arbeiderspers, 1ª ed., 1989), que nunca teve versão portuguesa, e que é responsável pela procura de Portugal por parte de muitos turistas holandeses.

Apesar de ser muito conhecido e estimado na Holanda, Rentes de Carvalho é um autor quase desconhecido em Portugal, apesar de se ter estreado há exactamente 40 anos, com o seu romance Montedor.

Assim, esta Conferência é uma proposta que lhe fazemos para conhecer um país da Europa do Norte com o qual Portugal nem sempre teve as melhores relações no passado e do qual pouco mais conhecemos que as tulipas e a selecção de futebol. E é uma proposta de descoberta através de um olhar autorizado e (escalpelizador) de um português, nosso conterrâneo, que (con)vive há várias décadas com esse enigmático povo do Norte, onde fez carreira sem ser como estivador ou operário de construção civil, como muitos dos nossos patrícios honradamente fizeram/fazem e que ele tão bem retrata (por exemplo em A amante holandesa, ed. port., 2003).



Em resumo, ouvir falar da Holanda através das palavras do Prof. Rentes de Carvalho, com a sua argúcia, fina ironia e permanente bom humor, além do muito saber, não só livresco mas sobretudo vivido, é um privilégio único!

Além disso, o objectivo deste encontro, no Museu do Ferro, é ainda prestar uma homenagem ao Homem e Escritor que infelizmente tão pouco valorizado tem sido no seu país de origem (apesar de lhe ter sido atribuída a comenda da Ordem do Infante D. Henrique em 1991 e de ter recebido a Medalha de Ouro da cidade de Vila Nova de Gaia, sua terra natal, em 1992), por ocasião da celebração dos 40 anos da sua carreira literária, firmada com o lançamento de Montedor.

Durante a sessão serão apresentados filmes promocionais e distribuídos folhetos sobre a Holanda que nos foram gentilmente cedidos pela Embaixada do Reino dos Países Baixos em Lisboa (designação oficial da Holanda), a quem agradecemos toda colaboração prestada.

Para os interessados, estarão ainda disponíveis para venda alguns livros do professor Rentes de Carvalho.

Contamos com a sua presença no próximo Sábado à tarde!

Não se esqueça, e traga um(a) Amigo(a) também!...

Para mais informações sobre Rentes de Carvalho, ver:

http://www.jrentesdecarvalho.nl/port/index.htm,

ou o seu blog: http://tempocontado.blogspot.com/ (temos um link no nosso blog)

Passeio da Pascoela


Caros consócios e amigos,
O Passeio da Pascoela foi um retumbante sucesso! Participaram quase uma centena de pessoas nesta actividade conjunta entre o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo/Câmara Municipal de Torre de Moncorvo/PARM e a Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo.

Aqui ficam algumas imagens deste evento, que fez ressurgir uma actividade social e cultural extinta, como foi referido em post's anteriores, e que esperamos venha a ter continuidade nos próximos anos.

(Uma vista do percurso até à Sra. da Esperança, pelo Caminho Velho)

(desfazendo o folar...)


(Um momento musical pela Tuna da Lousa)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Passeio da Pascoela, dia 29 de Março - Programa

Conforme dissemos no "post" anterior, será realizado no próximo Sábado, dia 29 de Março, um Passeio da Pascoela, organizado pelo Museu do Ferro & da Região de Moncorvo/Câmara Municipal de Torre de Moncorvo/PARM e Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo.

Aqui fica o programa, com alguns apontamentos à margem:

15;00 horas - Concentração no Jardim Municipal Dr. Horácio de Sousa, de todos interessados em participar nesta jornada;

15;15 horas - início da marcha, a pé, pela rua de Sant'Iago, cortando ao lado do cemitério para as Aveleiras e tomando o caminho velho para a Senhora da Esperança. - Este seria o trajecto mais antigo que os moncorvenses tomavam para a Srª da Esperança, antes de haver a Estrada Real (do século XIX) depois designada por E.N.220. O caminho velho, de origem medieval, ia da vila da Torre de Mem Corvo ou Mencorvo (como dantes se dizia e escrevia) para o Pocinho, no Douro, que era atravessado numa barca, com destino às terras do Sul, pelas Beiras. Pouco antes da Srª da Esperança, havia um desvio, por outro caminho que levava quer à Açoreira, quer à barca do Peredo dos Castelhanos, pela Srª da Teixeira e Santa Marinha. Estas capelas, tal como a de Srª da Esperança, possuem alpendres para abrigo dos viandantes ou peregrinos colhidos por alguma chuvada, ou simplesmente pela noite, onde pernoitavam. São, por isso, Caminhos de Santiago, que passavam por Torre de Mencorvo, o que explica o facto de este ter sido o primeiro orago (padroeiro) da vila. Nos meados do século XIII, no tempo em que a sede do concelho ainda era na "Vila velha" (Santa Cruz da Vilariça), existia já uma aldeia chamada Torre de Mendo Corvo com uma igreja dedicada a Santiago, a qual ficava junto da entrada actual do cemitério (cujo portão tem a data de 1869). Foi depois chamada de Santo Cristo (daí o nome de um olival, mais abaixo, onde viria a surgir o bairro deste nome, nos anos 70 do século XX) e finalmente demolida por volta de 1880. Os únicos testemunhos que ficaram foram o topónimo Santiago, aplicado à rua que vai do Jardim até ao cemitério e uma escultura medieval do Santiago Mata-mouros, que foi colocada sobre a Fonte de Santiago. Esta escultura é muito anterior à fonte filipina (do séc. XVII) e para ela chamámos a atenção, nos idos anos 80 (ver livro Alto Douro-Douro Superior, de F. de Sousa e Gaspar M. Pereira, Presença, 1988). Eis a razão da nossa proposta para este trajecto: reconstituir o percurso do Caminho de Santiago, e, ao mesmo tempo, retomar a tradição de "desfazer o folar" (é uma espécie de 2 em 1!)

16;15 h - Visita à capela de N. Srª da Esperança, convívio e merenda. - Como dissemos atrás, a capela de N. Srª. da Esperança fica situada ao lado do antigo caminho medieval que ia de Torre da Moncorvo para o Douro, o qual atravessava o adro e seguia pela cumeada deste braço da serra, atravessando a actual E.N. 220 junto de um eucalipto da Qtª da Ventosa. É uma construção singela, mas de grossas paredes, assente sobre um afloramento rochoso. Tem um pórtico em arco quebrado (ogival) o que, a par de outros elementos, nos faz pensar que a sua construção remonta ao fim da Idade Média (século XV). A capela-mor destaca-se da nave através de um arco triunfal com aduelas em granito, decorado com motivos perlados. Durante obras realizadas nos finais dos anos 80 do século XX, descobriram-se, no interior da capela-mor, sob a cal, umas pinturas a fresco representando frades e outros motivos, de grande perfeição e com alguma semelhança com as de N. Srª da Teixeira. Alertámos então o Instituto Português do Património Cultural e o Instituto José de Figueiredo (ligado à conservação e restauro) e propusémos a classificação da capela como Imóvel de Interesse Público. Este processo arrastou-se durante anos, tendo como desfecho a não classificação, porque, entretanto, as pinturas voltaram a "desaparecer", ou sob a tinta plástica, ou picadas e rebocadas, apesar do apelo que fizemos junto do então presidente da Junta. Em boa hora a actual presidente da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, com o apoio do município, está a cuidar de outra maneira o património desta instituição, como se pôde ver pela exposição "Memórias de Fé" de que demos conta num "post" anterior. Poderíamos dizer: "sinal dos tempos!", se não se continuassem a fazer por aí tantos atentados que até parece que isto é mais sinal da sensibilidade de quem está à frente das instituições, do que propriamente dos tempos...


Aproveitamos para referir que a exposição "Memórias de Fé", promovida pela Junta, com algum apoio técnico do PARM, foi o corolário de um inventário de arte sacra e alfaias religiosas, desenvolvido pelo Dr. Luís Miguel Lopes (também nosso associado) e pode ainda ser visitada no Centro de Memória (na rua Visconde de Vila Maior, em Torre de Moncorvo). Aí se encontram, por exemplo, as imagens dos Santos da capela de Srª. da Esperança, o que torna ainda mais pertinente esta visita.

Voltando à N. Srª da Esperança, temos que dizer que não era só na Pascoela que os moncorvenses acorriam a este lugar. Por alturas do Outono aqui se fazia também uma festa dedicada à patrona da capela, como se depreende da narrativa do nosso escritor Campos Monteiro (1876-1933), intitulada "A tragédia de um coração simples" (in Ares da minha serra, 1ª ed. 1933): Logo no início da história aparece a cobrideira de amêndoa ti'Ana, trabalhando à porta de casa, e preparando uma encomenda de nove arrobas de amêndoa coberta para a dita festa. E, mais tarde, depois de injustamente preso, vemos o João Caramês, muito triste, espreitando pelas grades da cadeia os foguetes que estralejavam na noite, na festa de Senhora da Esperança. Por estas passagens depreende-se que a festa ainda se fazia nos inícios do século XX.
N.R.

***

Esperamos que nos acompanhe, no próximo Sábado, nesta jornada que, da nossa parte, se pretende cultural, lúdica e desportiva, independentemente de motivações íntimas de cada um
(referimo-nos ao aspecto devocional, que obviamente devemos respeitar).


Por razões logísticas, agradecemos que proceda à sua inscrição até ao dia 28 (sexta-feira), através dos contactos do Museu do Ferro (tel. 279 252 724) ou Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo (tel. 279 252 689).

A TRADIÇÃO DE “DESFAZER O FOLAR” NA REGIÃO DE TORRE DE MONCORVO

Informamos os nossos consócios e público em geral que se vai realizar no próximo Sábado, dia 29.03.2008, um percurso pedestre que designámos como Passeio da Pascoela, visto que nos inspirámos na antiga tradição moncorvense de se desfazerem os folares junto da capela de N. Srª da Esperança, a poucos quilómetros da vila de Torre de Moncorvo.

Capela de N. Srª da Esperança (pertencente à Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo)

Nesses tempos, este convívio era feito na segunda-feira da Pascoela, o que agora se torna mais difícil por causa dos horários de trabalho, pelo que optámos pelo passeio pedestre no Sábado.

Esta é uma iniciativa conjunta do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, tutelado pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e pela associação do PARM, e da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo.

A propósito deste evento, aqui ficam algumas notas sobre a sua razão de ser:


Segundo diz o saudoso Padre Joaquim Manuel Rebelo (1922-1995), nosso Mestre, no seu livro A Terra Trasmontana e Alto Duriense. Notas Etnográficas (1995): “Depois da Páscoa era a festa dos folares, em lugares geralmente junto de velhas capelinhas, que a fé dos nossos avoengos espalhou por vales e montes. / Na segunda-feira da Pascoela muitos habitantes de Torre de Moncorvo deslocavam-se, a pé, até à Senhora da Esperança, mas sobretudo, à Senhora da Teixeira, carregados com os seus farnéis. / Na Senhora da Teixeira (…) havia missa cantada e depois no adro dançava-se animadamente ao som dos acordes da filarmónica de Torre de Moncorvo ou do realejo e concertina e saboreavam-se, à sombra das amendoeiras, as merendas, onde as empadas recheadas do apetitoso presunto e do saboroso salpicão eram o principal manjar./ As azeitonas, o queijo e o vinho faziam o acompanhamento. / Ao entardecer, depois de um dia bem passado, a nível espiritual, físico e lúdico, mais um bailarico, uns beijinhos dos namorados, às escondidas, e regresso a casa com um voto de ‘qu’eu pr’ò ano lá hei-de-ir’.”

Depois de mencionar o caso de Urros, onde a romaria para se “desfazer o folar” se realizava na capela de N. Srª do Castelo (um antigo “castro”), acrescenta o Padre Rebelo que também “havia em Freixo de Espada à Cinta O Desfazer dos Folares. / Anos atrás, grande número dos seus habitantes iam para o lugar chamado Salto nas proximidades da barragem espanhola de Saucelle servindo-se de todos os meios de locomoção e aí comiam ‘o folar, fogaças, empadas, etc. acompanhadas da respectiva pinga’/ Não faltavam os bailes e descantes e alegria a jorros”.

Capela do extinto ermitério de N. Sª da Teixeira (freguesia de Açoreira)

Como vimos, pelo testemunho do Padre Rebelo, algumas pessoas de Torre de Moncorvo também iam desfazer os seus folares à capela de N. Srª da Teixeira (junto de Sequeiros), que era muito mais longe do que a Senhora da Esperança (e já noutra freguesia – Açoreira), embora se pudessem deslocar de de burro, ou de mula, ou a cavalo). A capela de Srª da Teixeira é conhecida pelos seus famosos frescos do século XVI, em mau estado de conservação, apesar dos nossos apelos junto dos serviços do património, tendo caído em saco roto um contacto que fizemos, em tempos, com o Instituto José de Figueiredo (depois Instituto de Conservação e Restauro, presentemente integrado no Instituto de Museus e Conservação), assim como junto da direcção do IPPAR, igualmente sem êxito. Sobre estas pinturas saiu publicado um livro de autoria do nosso consócio Eugénio Cavalheiro (Os frescos da Srª da Teixeira, editado por João Azevedo Editor, Mirandela, 2000). Para o caso que nos interessa, é de notar que a capela de Srª da Teixeira, que esteve associada a um antigo eremitério, era também conhecida por Senhora dos Prazeres (mais tarde ainda, por Santa Rita, por terem adquirido uma imagem desta Santa).

Fresco sob a abóbada do alpendre da capela de Srª da Teixeira (Almas do Paraíso)

Curiosamente, a Senhora dos Prazeres, culto que parece apelar aos sentidos, está igualmente presente na Senhora do Castelo de Urros e na capela de Santa Marinha de Felgueiras, onde se fazia (e faz) outra festa dos folares, na segunda-feira da Pascoela. Depois do tempo sombrio e abstinente da Quaresma, seguia-se o tempo da libertação, dos “bailes e descantes e alegria a jorros”, como escreveu o Pe. Rebelo.

Quanto à tradição de se comer o folar nos campos deve ser uma reminiscência de antigos cultos pagãos relacionados com a Natureza, que nesta época do ano renasce para um novo ciclo. É tempo de Primavera (embora, como diz o Povo, “Março marçagão, de manhã cara de riso, à tarde cara de cão”, ou, sendo Abril, "águas mil"), os campos tornam-se verdes, mosqueados de florinhas, num convite ao passeio, que em tempos remotos seria ritual, culminando num ágape propiciatório da abundância dos mantimentos essenciais à subsistência. E esses produtos estão bem sintetizados nesse manjar tipicamente trasmontano que é o folar: a farinha/cereais, os ovos, e a “chicha”, sobretudo a “chicha” de, com a sua licença, o “reco” (animal venerado pelos nossos avoengos proto-históricos, como o comprova o “berrão” que é emblema da nossa associação).

Vimos também que estas romagens de confraternização com os campos, a Terra, a Mãe-Natureza, nesta época do ano, não eram exclusivas de Torre de Moncorvo. Embora o Padre Rebelo não refira, também na freguesia de Açoreira se cumpria a tradição, não só na capela de Senhora da Teixeira (onde se reuniam também os de Sequeiros e até de Torre de Moncorvo), mas também na Santa Marinha, onde há poucos anos se retomou a tradição que esteve meio apagada. Aqui se junta sobretudo o povo da Açoreira, desfazendo os farnéis à sombra das oliveiras e amendoeiras e a festa prolonga-se pela tarde, com bailaricos e jogos populares.

Ainda no concelho de Torre de Moncorvo, também Urros, na segunda-feira da Pascoela, se realizava (e realiza ainda, segundo nos informou a nossa consócia Bina Martins) a romaria à capela de N. Srª do Castelo, onde se desfaziam os folares. Como dissemos, tal como na Srª da Teixeira, nesta capela também era venerada a Srª dos Prazeres, sendo de notar a persistência deste culto associado a lugares onde se comia o folar na Pascoela. Do mesmo modo, o culto de Santa Marinha, que, para além da Açoreira, tem em Felgueiras uma capela (onde nos parece que também se reverencia a Srª dos Prazeres), e onde igualmente se “desfaz o folar” na segunda-feira da Pascoela. No caso de Felgueiras, esta era a grande festa dos moleiros, cujos moinhos jazem em ruínas junto da ribeira que recebe o nome desta capela (ribª de Santa Marinha, afluente da ribª de Mós). Sem interrupções, a tradição continua a realizar-se em Felgueiras, embora agora se faça no Sábado que precede o Domingo da Pascoela (fim de semana a seguir à Páscoa), pelas mesmas razões que nós antecipámos dois dias relativamente ao dia de preceito, ou seja, por segunda-feira ser dia de trabalho.

Como vimos, só na nossa região, havia (e continuam a manter-se) vários casos da tradição de se “desfazer o folar” na 2ª feira da Pascoela, apesar de agora se recuar a sua realização por causa dos dias de trabalho ditados pelos calendários rígidos impostos por um Estado Central que não entra em conta com as tradições locais (de que, noutro plano, é “bom” exemplo a célebre ASAE). Por outro lado, somos um povo pouco dado à preservação de certas tradições, sobretudo nos centros urbanos e semi-urbanos. No caso de Torre de Moncorvo, a última vez de que nos recordamos de haver uma reunião alargada e organizada, para se “desfazer o folar” foi nos meados dos anos 80 do século XX, tendo ocorrido na Srª da Teixeira, com algum impulso do Pe. Rebelo, que por essa altura havia reeditado uma monografia sobre aquele ermitério, escrita pelo Padre José Augusto Tavares nos inícios do séc. XX.

Provando que esta tradição deveria estar amplamente generalizada, talvez por toda a Península Ibérica, nas regiões onde o Cristianismo assimilou e ajudou a “fixar” as tradições pagãs ancestrais, vemos que em Salamanca, a grande cidade universitária castelhana, também existe a tradição de se desfazer o folar, a que chamam “el hornazo” (de “horno” = forno), mantendo-o, ainda hoje e sempre, na mesma segunda-feira da Pascoela, a que chamam o dia de “Lunes de águas”, como desde há anos nos conta o nosso amigo salmantino Angel Garcia. Nesse dia, em Salamanca, é feriado na cidade, porque toda a gente vai desfazer os “hornazos” pelos campos… É a diferença que nos separa dos povos civilizados que, sendo grandes (e talvez por isso), colhem nas suas raízes a razão de ser da sua grandeza… Daí o nosso esforço na preservação da nossa essência, promovendo, ao mesmo tempo, o convívio, a solidariedade, o bem-estar inerente também à dimensão lúdica (e gastronómica), quiçá o tal “Prazer” que nos dava a Deusa, cristianizada em Senhora dos Prazeres, porque os Antigos sabiam que sem Felicidade e bem-estar não há povo que seja produtivo, nem economia que se salve, nem Homem que seja construtivo…
N.R.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Pintura ao vivo no Largo do Rossio de Torre de Moncorvo

Celebrou-se no passado dia 19 de Março o feriado municipal da mui nobre villa da Torre de Mencorvo. Uma das actividades do programa consistiu na pintura de uma tela colectiva, por um grupo de pintores liderado por Aires Santos, com motivos alusivos ao nosso concelho. Um dos objectivos desta acção foi animar a Praça General Claudino, a antiga "praça das regateiras", mas que até ao século XIX era conhecida pelo Rossio da vila.

A obra está provisoriamente exposta na galeria de passagem do Museu, devendo depois constituir acervo da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, que patrocinou o trabalho.