terça-feira, 15 de abril de 2008

Prémio ProGeo - Menção honrosa para projecto: Museu do Ferro & da Região de Moncorvo

O ProGeo - The European Association for the Conservation of the Geological Heritage (Associação Europeia para a conservação do Património Geológico), é uma organização europeia sedeada na Suécia, com uma representação em Portugal, a ProGeo-Portugal, dirigida pelo geólogo José Brilha, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Minho.

O comité português do ProGeo instituíu, em 2004, o Prémio de Geoconservação, com o objectivo de:
- distinguir os melhores exemplos de conservação do património geológico promovidos por autarquias;
- estimular uma reflexão crítica sobre a necessidade de conservar o Património Geológico e incentivar as autarquias a adoptar estratégias e procedimentos para a sua conservação;
- divulgar e sensibilizar o público em geral para o reconhecimento do valor do Património Geológico como parte integrante do Património Natural;
- motivar os órgãos de comunicação social para o debate sobre o papel da Geologia na sociedade contemporânea.

É atribuído anualmente um único prémio (candidatura ganhadora), juntamente com uma menção honrosa atribuída ao segundo classificado.

Museu do Ferro & da Região de Moncorvo


Assim, no final do passado mês de Fevereiro, a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo apresentou uma candidatura a este prémio, a qual foi tecnicamente elaborada pela divisão de património municipal e equipa do Museu do Ferro, tendo subscrito a memória geológica o Dr. Rui Rodrigues, associado do PARM.

No dia 2 de Abril, na Universidade do Minho, reuniu-se o júri constituído para a atribuição do prémio, tendo decidido, por unanimidade, atribuir o Prémio GeoConservação 2008 à Câmara Municipal de Arouca, para a candidatura "Geoparque Arouca", tendo cabido à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo a Menção Honrosa, e, destacamos da deliberação: "pela sua candidatura intitulada 'Museu do Ferro & da Região de Moncorvo' evidenciar empenhamento na valorização do Património Geomineiro e potencial para o desenvolvimento futuro de acções de conservação e valorização do Património Geológico".

Conclui a nota do Júri: "O Prémio e Menção Honrosa serão entregues no dia 22 de Abril de 2008, dia Internacional da Terra e Dia do Nacional do Património Geológico, nas respectivas autarquias vencedoras".

Sabemos que os representantes do Grupo Português do ProGeo, Doutores José Brilha (Universidade do Minho), Mário Cachão (Universidade de Lisboa) e Miguel Ramalho (Liga para a Protecção da Natureza), se deslocarão no próximo dia 22 a Arouca, da parte da manhã, e a Torre de Moncorvo, da parte da tarde.

O PARM, como entidade co-responsável com o município de Torre de Moncorvo na organização e gestão do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, congratula-se com esta notícia, que nos enche a todos de muito orgulho, pois representa um reconhecimento muito importante pelo investimento feito e pelo trabalho realizado.

Sobre este assunto, ver ainda:

http://www.progeo.pt/progeo_pt.htm

http://www.naturlink.pt/canais/artigo.asp?iCanal=35&iSubCanal=66&iArtigo=23252&iLingua=1

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O betão e o alcatrão...

Ainda no seguimento dos "post's" anteriores, recomenda-se a leitura deste artigo do colunista M. Poppe, in "Jornal de Notícias", 6.04.2008:

Transcrevemos do 1º. parágrafo: "A nossa tendência cultural é construir um paraíso de auto-estradas, não o da educação, investigação e outras coisas afins. (...) A juntarmos a isso a magnificência dos estádios de futebol e a invasão das casotas desenhadas pelos patos-bravos, fácil é concluir que betão e alcatrão há muito decidem do periclitante futuro de Portugal". - Mas é melhor ler o resto (se não consegue aumentar o recorte, podemos enviar-lhe cópia por e-mail).

Mas nem tudo é mau…

Voltando ainda a Felgueiras (ver "post's" anteriores), há a registar, contudo, alguns exemplos de particulares que têm tido algum cuidado na utilização de materiais tradicionais na construção e recuperação de casas antigas. Num dos casos, logo à entrada da aldeia, foi feito um muro, usando a pedra de xisto local, seguindo a tecnologia tradicional:


Felgueiras - construção de um muro tradicional para vedação de propriedade (Julho,2006)


Numa casa antiga, mesmo defronte do lagar da cera, o velho telhado deu lugar a um novo, mas de telha idêntica à antiga, foi mantido o típico “chupão” de chapa de ferro e substituíram-se portas e janelas (que deveriam estar degradadas) por outras em madeira, pintadas com as cores tradicionais. Só foi pena o cimento na cornija, esperando que o tempo se encarregue de o disfarçar, mas a nota é francamente positiva:



Felgueiras - casa em frente do lagar comunitário da cera, recentemente recuperada.


Nota: Solicitamos aos nossos associados que nos enviem “posts” de outros casos que considerem exemplares, na recuperação do nosso património vernacular. É o melhor estímulo para quem faz bem, ou, ao menos, se esforça nesse sentido. Quanto aos casos lamentáveis, talvez seja melhor esquecer…

O fim das calçadas de “pedra ferrenha”

Uma das imagens de marca da vila de Torre de Moncorvo, assim como de algumas aldeias mais periféricas da serra do Roborêdo, eram as ruas pavimentadas (calçadas) com a famosa “pedra ferrenha” (nome popular para a hematite, o nosso minério de ferro).
Já no século XVI o geógrafo João de Barros, na sua Geografia de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes se referia a “huma calçada toda em ferro” que ia de Torre de Moncorvo para Mós. Esta calçada era o caminho velho que ia pela base da serra, principiando ao lado da capela de S. João Baptista (actualmente de N. Srª. de Fátima), mais adiante junto da de N. Srª. da Conceição e casa dos serviços florestais, seguindo pelo Calhoal, Qtª. de Mindel, fonte de Lamelas, etc.. O troço calcetado a hematite ia, pelo menos, até ao Calhoal, tendo sido parcialmente substituído, há uns anos, por asfalto.

(Torre de Moncorvo - em 1º. plano, aplicação recente de calçada de hematite)

Na vila de Torre de Moncorvo, no bairro do Castelo, há cerca de 30 anos, eram ainda as ruas pavimentadas com hematite. Em nome do santo “Progresso”, foi esse pavimento removido e/ou asfaltado por cima. Os poucos restos que sobraram, em três becos, foram há cerca de 15 anos substituídos por cubos de granito, vulgo “paralelos”, o que motivou um protesto da nossa associação, com a recomendação de se reutilizar a hematite em passeios ou em locais onde não “prejudicassem o andar”, sobretudo de senhoras com saltos altos, pois foi esse o argumento que nos deram para a referida substituição. Talvez em consequência disso, foi reutilizada a hematite na praça General Claudino (antigo largo do Rossio, ou “praça das regateiras”).

Havia ainda uma “aldeia gaulesa” onde as calçadas de hematite resistiam, bem no coração da grande montanha de ferro: Felgueiras.

Felgueiras, era uma "aldeia ferreira" no coração da serra do Roborêdo.

As ruas sinuosas, uma certa quantidade de casas de xisto com os típicos balcões, alguns ainda de madeira à boa maneira medieval, as escórias de ferro que documentam uma actividade metalúrgica ancestral apesar das forjas já desaparecidas, o velho lagar da cera, o misticismo de ter sido uma terra de mercadores, almocreves, cereeiros, ferreiros, moleiros, tudo isto associado às últimas calçadas de pedra ferrenha, faziam desta terra um potencial pólo de atracção turística no nosso concelho. Mas, quando paulatinamente se vão subtraindo os poucos motivos de interesse que tornavam característica esta aldeia, tornando-a cada vez mais igual a tantas outras, é a galinha dos ovos de ouro que se vai matando…


Um conjunto de casas antigas existiu neste largo, agora pavimentado com "paralelos".

Depois de se ter derrubado um quarteirão de casas antigas, onde estava uma casa que, segundo a tradição popular, pertencera a judeus, por ter um pentalfa (estrela de 5 pontas), talvez um disfarçado signo-saimão (a israelita estrela de 6), e se ter adulterado aí a malha urbana, ela própria elemento patrimonial, veio agora a vez de se fazerem desaparecer as calçadas de hematite, substituídas pelos clássicos “paralelos”… Agora é caso para se contar assim a história: Era uma vez uma aldeia “sem paralelo” entre as demais!... ou então: Felgueiras, onde o Ferro foi a alma da terra


Uma viela onde a calçada de pedra ferrenha agora cedeu lugar ao granito, numa terra de xisto e ferro.

Das velha calçada de hematite sobrou este vestígio, numa escaleira que leva à fonte da ribeira.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ainda Rentes de Carvalho - conferência do Museu, na imprensa:

Sobre a conferência do Professor Rentes de Carvalho no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, ver: "Mensageiro Notícias" (sedeado em Bragança), o único órgão de comunicação social que se dignou a estar presente:

http://www.mensageironoticias.pt/noticia/237

terça-feira, 8 de abril de 2008

A Conferência do Prof. Rentes de Carvalho no Auditório do Museu do Ferro

(copyright A.Basaloco)
O evento:

Conforme anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 5 de Abril, no auditório do Museu, perante numeroso público, a esperada conferência do Prof. Rentes de Carvalho sob o título: “Portugal-Holanda, dois mundos”.

(Abertura da sessão, pelo Presidente do Município de T. Moncorvo, Engº Aires Ferreira - foto de A.Basaloco)

Na tribuna, além do orador, do presidente da direcção do PARM e do presidente da Câmara, encontrava-se também a representante da embaixada da Holanda (Drª Anke Schaeffers) que veio expressamente para este encontro. Entre os presentes, estiveram vários amigos do Professor Rentes de Carvalho, de que destacamos o ilustre estevaleiro (de Estevais de Mogadouro), Dr. Armando Pimentel, e o escultor Manuel Barroco, originário das Quintas das Quebradas, onde possui uma unidade de turismo rural. De Mirandela veio uma senhora holandesa que trabalha no sector hoteleiro, Gudi Wendrich, acompanhada de seu filho luso-holandês, para conhecerem e ouvirem Rentes de Carvalho. E perdoem-nos os restantes, mas não podemos enumerar aqui toda a gente presente, que era muita.

(Intervenção da Drª Anke Schaeffers, representante da Embaixada da Holanda em Portugal - foto N.R.)

Para quem leu Com os Holandeses, o mítico livro que o tornou conhecido na Holanda (a 1ª. edição é de 1972 com 10 edições em holandês até 1996, além de uma em português, em 1993), muitas das opiniões expressas pelo autor não foram surpresa, embora agora se penitencie por muitos exageros então apontados. Sublinhou que a cultura holandesa se caracterizava por um grande respeito pela opinião dos outros, mas que actualmente há excessos de "politicamente correcto", que levam a que se tolerem certas coisas em nome do “multiculturalismo”, coisas essas que não são toleradas em relação a outras minorias. Enalteceu a organização, a cultura, o espírito de trabalho e de cumprimento das obrigações, fortemente contrastante com a cultura portuguesa, mais virada para a ostentação (o célebre “record” de densidade de “jeeps” por metro quadrado) e para o facilitismo. Assim se explica que um país sem grandes recursos naturais (onde se situa a ausência de recursos minerais), tenha conseguido, no séc. XVII, estabelecer um império colonial global, disputando a supremacia de portugueses e espanhóis. Já em período de debate final, foram tecidas considerações a este propósito, por vários dos presentes.

(Prof. Rentes de Carvalho, proferindo a sua conferência - foto de A.Basaloco)

No entanto, Rentes de Carvalho reafirmou as suas origens de não se consegue (e não quer) libertar. Confessou-se um homem dividido entre dois mundos: “eu sou dois – quando aqui chego, passo a ser outro; quando estou lá, sou holandês”. Poderemos acrescentar que este mimetismo seja a capacidade maior do português (e do trasmontano), em contraponto com aquela outra característica que nos faz estar sempre virados para esse ponto de partida, e que nos puxa, como um magneto, para as origens: a mítica “saudade”. Curiosamente esta palavra nunca foi pronunciada, nem, estranhamente, faz parte do seu vocabulário literário. Talvez porque considere demasiado brutal e cru esse ponto de partida (no tempo e no espaço), Rentes de Carvalho deplora-o e prefere, como sempre preferiu, seguir em frente. O apelo das raízes, no seu caso, terá mais a ver com questões identitárias, ou, como disse numa entrevista a Rui A. Araújo/Carlos Chaves: “é a aceitação de quem sou e do lugar donde venho, no sentido em que Senghor definiu o conceito de negritude” (in Eito Fora, nº. 19, Setº. 2001).

(o público escutando atentamente - foto A.Basaloco)

Paralelamente à conferência foi organizada uma vitrina com algumas obras do autor, em Português e Holandês, socorrendo-nos de livros emprestados pelo próprio autor e por sócios do PARM, sendo apenas a esgotadíssima Ernestina procedente da Biblioteca Municipal (onde, para além deste, só encontrámos outro livro de R.C.); alguns artigos do nosso amigo Gonçalves Guimarães no Primeiro de Janeiro e uma entrevista de Filipa Leal no boletim das Artes, das Letras. Uma mesa onde se podiam adquirir algumas obras do autor e outra com folhetos sobre a Holanda, a par de cartazes e de um filme em DVD sobre o país das tulipas, completaram o ramalhete.

(Expositor com algumas obras do conferencista - foto de A.Basaloco)


O porquê desta acção?

Como explicou o presidente da direcção do PARM, Afonso Calheiros, a ideia desta palestra vinha de trás, da anterior direcção, no seguimento do ciclo de palestras com que se assinalaram os 20 anos da associação. E, não querendo ficar apenas pelas “antiguidades” (arqueologia, etnografia, história e património), entendeu a direcção privilegiar um olhar mais actual sobre o mundo (cada vez mais global) que nos rodeia. Além disso, é nosso entendimento que o museu deve ter uma função e uma missão cívicas, não de apenas repositório de objectos “com Passado”, mas espaço de diálogo, de encontro, de discussão sobre assuntos do Presente e do Futuro, no sentido do tão propalado (pela Nova Museologia) “museu vivo”. Por isso, no projecto de 1996-98, se concebeu a construção do Auditório ao fundo dos jardins do museu.

Havia, por outro lado, uma dívida nossa para com o Prof. Rentes de Carvalho (que agora, em vez de ser saldada, ainda ficou maior!): é que os nossos contactos principiaram por volta de 2003, quando lhe pedimos o favor de nos fazer uma tradução de um folheto do Museu para Holandês, devido à constatação da passagem de turistas holandeses, certamente induzidos pelo célebre guia de Portugal para Amigos (amigos holandeses, diga-se, pois nunca foi editado em português). O Prof. Rentes fez-nos gratuitamente esse trabalho, como contributo seu para o nosso (de todos!) Museu, no que lhe ficámos imensamente gratos.

O contexto de oportunidade também não podia ser melhor, pois completam-se 40 anos sobre o início (oficial) da actividade literária de Rentes de Carvalho, com a publicação de Montedor (1968), pelo que este foi o nosso modesto contributo para a merecida homenagem que tal efeméride requer e que, julgamos saber, os serviços e agentes culturais de Vila Nova de Gaia, sua terra natal, estão a preparar.

Acrescente-se ainda o facto de parte da obra literária de Rentes de Carvalho se referir à nossa região (com numerosas referências à vila de Torre de Moncorvo e seu concelho). Aí se dá voz a um mundo já perdido ou em extinção (como as quintas do Cabeço, Estevais, a linha do Sabor) ou em paulatina transformação, de que tem sabido ser um cronista atento, apesar da distância e dos longos lapsos de tempo de ausência.

E por último, esta foi também uma tentativa de aumentar mais um bocadinho o “círculo de culto” de Rentes de Carvalho. Já que, por cá, só a “’literatura’ light” é vendável, os autores de maior talento e com mais profundidade têm que “passar” em círculos quase herméticos. Assim aconteceu, durante muito tempo, com um outro grande escritor (ainda por cima também daqui originário, como se reivindicou), que foi Jorge Luís Borges, conhecido como “o homem que falhou o Nobel”. Bem, e o que dizer de F. Pessoa? Quem o conhecia em 1935, quando morreu? (apenas alguns, entre os quais um jovem poeta trasmontano que no momento escreveu: “Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade, sem ao menos perguntar quem era” – M. Torga, Diário I, 3.12.1935).

Atentos os casos citados, não se lamente o Professor Rentes de Carvalho, quando escreve:
“Vendas em Portugal de livros meus? Cinco aqui, dez além. Duzentos exemplares (…) comprados pela Câmara de Vila Nova de Gaia a festejar a Medalha de Mérito que lá me deram. // Creio que o mesmo fizeram as câmaras de Mogadouro e de Moncorvo, porque pertenço a ambas e os seus funcionários sabem que existo. No mais... um grande vazio. Mas já me alegro de ao menos ver os meus livros impressos na nossa língua, o que durante décadas não aconteceu e profundamente me magoou” (entrevista a Rui Ângelo Araújo e Carlos Chaves, in Eito Fora, nº. 19, Setº. 2001*) – Pois pode ter a certeza que, mesmo neste país, caro Professor Rentes, para além dos funcionários das Câmaras de Vila Nova de Gaia, de Mogadouro ou de Torre de Moncorvo, alguém mais sabe que existe. E temos a certeza de que, pouco a pouco, um maior número reconhecerá a Qualidade onde ela existe.

N.Campos (sócio do PARM)

*Ver: http://www.trasosmontes.com/eitofora/numero19/questionario.html )

terça-feira, 1 de abril de 2008

Portugal-Holanda - Conferência pelo Prof. Rentes de Carvalho



Aqui fica o Convite aos nossos associados (e a todos os interessados) para assistirem à Conferência que será proferida no próximo Sábado, dia 5 de Abril, no Auditório do Museu do Ferro, em Torre de Moncorvo, pelo Exmº Senhor Prof. Doutor Rentes de Carvalho, subordinada ao tema: "Portugal-Holanda, dois mundos".

Mais informamos que o distinto orador é professor universitário jubilado da Universidade de Amesterdão, onde foi professor de Literatura Portuguesa, de 1964 a 1988. Natural de Vila Nova de Gaia, tem as suas origens em Estevais de Mogadouro e, mais remotamente, numas quintas hoje abandonadas, algures no limite da freguesia de Carviçais (concelho de Torre de Moncorvo).

Tendo saído de Portugal por motivos políticos em 1945, depois de uma passagem pelo Brasil, fixou-se na Holanda em 1956, onde trabalhou inicialmente no departamento comercial da embaixada brasileira. No âmbito da sua actividade universitária e como escritor, na Holanda, deu a conhecer vários clássicos da literatura portuguesa (por exemplo Eça de Queiroz e Raul Brandão), e aí escreveu obras que foram "best sellers", tais como os livros Com os Holandeses (1972) e Ernestina (1998), para já não falar de Portugal: um guia para amigos (Portugal, een gids voor vrienden, ed. De Arbeiderspers, 1ª ed., 1989), que nunca teve versão portuguesa, e que é responsável pela procura de Portugal por parte de muitos turistas holandeses.

Apesar de ser muito conhecido e estimado na Holanda, Rentes de Carvalho é um autor quase desconhecido em Portugal, apesar de se ter estreado há exactamente 40 anos, com o seu romance Montedor.

Assim, esta Conferência é uma proposta que lhe fazemos para conhecer um país da Europa do Norte com o qual Portugal nem sempre teve as melhores relações no passado e do qual pouco mais conhecemos que as tulipas e a selecção de futebol. E é uma proposta de descoberta através de um olhar autorizado e (escalpelizador) de um português, nosso conterrâneo, que (con)vive há várias décadas com esse enigmático povo do Norte, onde fez carreira sem ser como estivador ou operário de construção civil, como muitos dos nossos patrícios honradamente fizeram/fazem e que ele tão bem retrata (por exemplo em A amante holandesa, ed. port., 2003).



Em resumo, ouvir falar da Holanda através das palavras do Prof. Rentes de Carvalho, com a sua argúcia, fina ironia e permanente bom humor, além do muito saber, não só livresco mas sobretudo vivido, é um privilégio único!

Além disso, o objectivo deste encontro, no Museu do Ferro, é ainda prestar uma homenagem ao Homem e Escritor que infelizmente tão pouco valorizado tem sido no seu país de origem (apesar de lhe ter sido atribuída a comenda da Ordem do Infante D. Henrique em 1991 e de ter recebido a Medalha de Ouro da cidade de Vila Nova de Gaia, sua terra natal, em 1992), por ocasião da celebração dos 40 anos da sua carreira literária, firmada com o lançamento de Montedor.

Durante a sessão serão apresentados filmes promocionais e distribuídos folhetos sobre a Holanda que nos foram gentilmente cedidos pela Embaixada do Reino dos Países Baixos em Lisboa (designação oficial da Holanda), a quem agradecemos toda colaboração prestada.

Para os interessados, estarão ainda disponíveis para venda alguns livros do professor Rentes de Carvalho.

Contamos com a sua presença no próximo Sábado à tarde!

Não se esqueça, e traga um(a) Amigo(a) também!...

Para mais informações sobre Rentes de Carvalho, ver:

http://www.jrentesdecarvalho.nl/port/index.htm,

ou o seu blog: http://tempocontado.blogspot.com/ (temos um link no nosso blog)

Passeio da Pascoela


Caros consócios e amigos,
O Passeio da Pascoela foi um retumbante sucesso! Participaram quase uma centena de pessoas nesta actividade conjunta entre o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo/Câmara Municipal de Torre de Moncorvo/PARM e a Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo.

Aqui ficam algumas imagens deste evento, que fez ressurgir uma actividade social e cultural extinta, como foi referido em post's anteriores, e que esperamos venha a ter continuidade nos próximos anos.

(Uma vista do percurso até à Sra. da Esperança, pelo Caminho Velho)

(desfazendo o folar...)


(Um momento musical pela Tuna da Lousa)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Passeio da Pascoela, dia 29 de Março - Programa

Conforme dissemos no "post" anterior, será realizado no próximo Sábado, dia 29 de Março, um Passeio da Pascoela, organizado pelo Museu do Ferro & da Região de Moncorvo/Câmara Municipal de Torre de Moncorvo/PARM e Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo.

Aqui fica o programa, com alguns apontamentos à margem:

15;00 horas - Concentração no Jardim Municipal Dr. Horácio de Sousa, de todos interessados em participar nesta jornada;

15;15 horas - início da marcha, a pé, pela rua de Sant'Iago, cortando ao lado do cemitério para as Aveleiras e tomando o caminho velho para a Senhora da Esperança. - Este seria o trajecto mais antigo que os moncorvenses tomavam para a Srª da Esperança, antes de haver a Estrada Real (do século XIX) depois designada por E.N.220. O caminho velho, de origem medieval, ia da vila da Torre de Mem Corvo ou Mencorvo (como dantes se dizia e escrevia) para o Pocinho, no Douro, que era atravessado numa barca, com destino às terras do Sul, pelas Beiras. Pouco antes da Srª da Esperança, havia um desvio, por outro caminho que levava quer à Açoreira, quer à barca do Peredo dos Castelhanos, pela Srª da Teixeira e Santa Marinha. Estas capelas, tal como a de Srª da Esperança, possuem alpendres para abrigo dos viandantes ou peregrinos colhidos por alguma chuvada, ou simplesmente pela noite, onde pernoitavam. São, por isso, Caminhos de Santiago, que passavam por Torre de Mencorvo, o que explica o facto de este ter sido o primeiro orago (padroeiro) da vila. Nos meados do século XIII, no tempo em que a sede do concelho ainda era na "Vila velha" (Santa Cruz da Vilariça), existia já uma aldeia chamada Torre de Mendo Corvo com uma igreja dedicada a Santiago, a qual ficava junto da entrada actual do cemitério (cujo portão tem a data de 1869). Foi depois chamada de Santo Cristo (daí o nome de um olival, mais abaixo, onde viria a surgir o bairro deste nome, nos anos 70 do século XX) e finalmente demolida por volta de 1880. Os únicos testemunhos que ficaram foram o topónimo Santiago, aplicado à rua que vai do Jardim até ao cemitério e uma escultura medieval do Santiago Mata-mouros, que foi colocada sobre a Fonte de Santiago. Esta escultura é muito anterior à fonte filipina (do séc. XVII) e para ela chamámos a atenção, nos idos anos 80 (ver livro Alto Douro-Douro Superior, de F. de Sousa e Gaspar M. Pereira, Presença, 1988). Eis a razão da nossa proposta para este trajecto: reconstituir o percurso do Caminho de Santiago, e, ao mesmo tempo, retomar a tradição de "desfazer o folar" (é uma espécie de 2 em 1!)

16;15 h - Visita à capela de N. Srª da Esperança, convívio e merenda. - Como dissemos atrás, a capela de N. Srª. da Esperança fica situada ao lado do antigo caminho medieval que ia de Torre da Moncorvo para o Douro, o qual atravessava o adro e seguia pela cumeada deste braço da serra, atravessando a actual E.N. 220 junto de um eucalipto da Qtª da Ventosa. É uma construção singela, mas de grossas paredes, assente sobre um afloramento rochoso. Tem um pórtico em arco quebrado (ogival) o que, a par de outros elementos, nos faz pensar que a sua construção remonta ao fim da Idade Média (século XV). A capela-mor destaca-se da nave através de um arco triunfal com aduelas em granito, decorado com motivos perlados. Durante obras realizadas nos finais dos anos 80 do século XX, descobriram-se, no interior da capela-mor, sob a cal, umas pinturas a fresco representando frades e outros motivos, de grande perfeição e com alguma semelhança com as de N. Srª da Teixeira. Alertámos então o Instituto Português do Património Cultural e o Instituto José de Figueiredo (ligado à conservação e restauro) e propusémos a classificação da capela como Imóvel de Interesse Público. Este processo arrastou-se durante anos, tendo como desfecho a não classificação, porque, entretanto, as pinturas voltaram a "desaparecer", ou sob a tinta plástica, ou picadas e rebocadas, apesar do apelo que fizemos junto do então presidente da Junta. Em boa hora a actual presidente da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, com o apoio do município, está a cuidar de outra maneira o património desta instituição, como se pôde ver pela exposição "Memórias de Fé" de que demos conta num "post" anterior. Poderíamos dizer: "sinal dos tempos!", se não se continuassem a fazer por aí tantos atentados que até parece que isto é mais sinal da sensibilidade de quem está à frente das instituições, do que propriamente dos tempos...


Aproveitamos para referir que a exposição "Memórias de Fé", promovida pela Junta, com algum apoio técnico do PARM, foi o corolário de um inventário de arte sacra e alfaias religiosas, desenvolvido pelo Dr. Luís Miguel Lopes (também nosso associado) e pode ainda ser visitada no Centro de Memória (na rua Visconde de Vila Maior, em Torre de Moncorvo). Aí se encontram, por exemplo, as imagens dos Santos da capela de Srª. da Esperança, o que torna ainda mais pertinente esta visita.

Voltando à N. Srª da Esperança, temos que dizer que não era só na Pascoela que os moncorvenses acorriam a este lugar. Por alturas do Outono aqui se fazia também uma festa dedicada à patrona da capela, como se depreende da narrativa do nosso escritor Campos Monteiro (1876-1933), intitulada "A tragédia de um coração simples" (in Ares da minha serra, 1ª ed. 1933): Logo no início da história aparece a cobrideira de amêndoa ti'Ana, trabalhando à porta de casa, e preparando uma encomenda de nove arrobas de amêndoa coberta para a dita festa. E, mais tarde, depois de injustamente preso, vemos o João Caramês, muito triste, espreitando pelas grades da cadeia os foguetes que estralejavam na noite, na festa de Senhora da Esperança. Por estas passagens depreende-se que a festa ainda se fazia nos inícios do século XX.
N.R.

***

Esperamos que nos acompanhe, no próximo Sábado, nesta jornada que, da nossa parte, se pretende cultural, lúdica e desportiva, independentemente de motivações íntimas de cada um
(referimo-nos ao aspecto devocional, que obviamente devemos respeitar).


Por razões logísticas, agradecemos que proceda à sua inscrição até ao dia 28 (sexta-feira), através dos contactos do Museu do Ferro (tel. 279 252 724) ou Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo (tel. 279 252 689).

A TRADIÇÃO DE “DESFAZER O FOLAR” NA REGIÃO DE TORRE DE MONCORVO

Informamos os nossos consócios e público em geral que se vai realizar no próximo Sábado, dia 29.03.2008, um percurso pedestre que designámos como Passeio da Pascoela, visto que nos inspirámos na antiga tradição moncorvense de se desfazerem os folares junto da capela de N. Srª da Esperança, a poucos quilómetros da vila de Torre de Moncorvo.

Capela de N. Srª da Esperança (pertencente à Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo)

Nesses tempos, este convívio era feito na segunda-feira da Pascoela, o que agora se torna mais difícil por causa dos horários de trabalho, pelo que optámos pelo passeio pedestre no Sábado.

Esta é uma iniciativa conjunta do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, tutelado pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e pela associação do PARM, e da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo.

A propósito deste evento, aqui ficam algumas notas sobre a sua razão de ser:


Segundo diz o saudoso Padre Joaquim Manuel Rebelo (1922-1995), nosso Mestre, no seu livro A Terra Trasmontana e Alto Duriense. Notas Etnográficas (1995): “Depois da Páscoa era a festa dos folares, em lugares geralmente junto de velhas capelinhas, que a fé dos nossos avoengos espalhou por vales e montes. / Na segunda-feira da Pascoela muitos habitantes de Torre de Moncorvo deslocavam-se, a pé, até à Senhora da Esperança, mas sobretudo, à Senhora da Teixeira, carregados com os seus farnéis. / Na Senhora da Teixeira (…) havia missa cantada e depois no adro dançava-se animadamente ao som dos acordes da filarmónica de Torre de Moncorvo ou do realejo e concertina e saboreavam-se, à sombra das amendoeiras, as merendas, onde as empadas recheadas do apetitoso presunto e do saboroso salpicão eram o principal manjar./ As azeitonas, o queijo e o vinho faziam o acompanhamento. / Ao entardecer, depois de um dia bem passado, a nível espiritual, físico e lúdico, mais um bailarico, uns beijinhos dos namorados, às escondidas, e regresso a casa com um voto de ‘qu’eu pr’ò ano lá hei-de-ir’.”

Depois de mencionar o caso de Urros, onde a romaria para se “desfazer o folar” se realizava na capela de N. Srª do Castelo (um antigo “castro”), acrescenta o Padre Rebelo que também “havia em Freixo de Espada à Cinta O Desfazer dos Folares. / Anos atrás, grande número dos seus habitantes iam para o lugar chamado Salto nas proximidades da barragem espanhola de Saucelle servindo-se de todos os meios de locomoção e aí comiam ‘o folar, fogaças, empadas, etc. acompanhadas da respectiva pinga’/ Não faltavam os bailes e descantes e alegria a jorros”.

Capela do extinto ermitério de N. Sª da Teixeira (freguesia de Açoreira)

Como vimos, pelo testemunho do Padre Rebelo, algumas pessoas de Torre de Moncorvo também iam desfazer os seus folares à capela de N. Srª da Teixeira (junto de Sequeiros), que era muito mais longe do que a Senhora da Esperança (e já noutra freguesia – Açoreira), embora se pudessem deslocar de de burro, ou de mula, ou a cavalo). A capela de Srª da Teixeira é conhecida pelos seus famosos frescos do século XVI, em mau estado de conservação, apesar dos nossos apelos junto dos serviços do património, tendo caído em saco roto um contacto que fizemos, em tempos, com o Instituto José de Figueiredo (depois Instituto de Conservação e Restauro, presentemente integrado no Instituto de Museus e Conservação), assim como junto da direcção do IPPAR, igualmente sem êxito. Sobre estas pinturas saiu publicado um livro de autoria do nosso consócio Eugénio Cavalheiro (Os frescos da Srª da Teixeira, editado por João Azevedo Editor, Mirandela, 2000). Para o caso que nos interessa, é de notar que a capela de Srª da Teixeira, que esteve associada a um antigo eremitério, era também conhecida por Senhora dos Prazeres (mais tarde ainda, por Santa Rita, por terem adquirido uma imagem desta Santa).

Fresco sob a abóbada do alpendre da capela de Srª da Teixeira (Almas do Paraíso)

Curiosamente, a Senhora dos Prazeres, culto que parece apelar aos sentidos, está igualmente presente na Senhora do Castelo de Urros e na capela de Santa Marinha de Felgueiras, onde se fazia (e faz) outra festa dos folares, na segunda-feira da Pascoela. Depois do tempo sombrio e abstinente da Quaresma, seguia-se o tempo da libertação, dos “bailes e descantes e alegria a jorros”, como escreveu o Pe. Rebelo.

Quanto à tradição de se comer o folar nos campos deve ser uma reminiscência de antigos cultos pagãos relacionados com a Natureza, que nesta época do ano renasce para um novo ciclo. É tempo de Primavera (embora, como diz o Povo, “Março marçagão, de manhã cara de riso, à tarde cara de cão”, ou, sendo Abril, "águas mil"), os campos tornam-se verdes, mosqueados de florinhas, num convite ao passeio, que em tempos remotos seria ritual, culminando num ágape propiciatório da abundância dos mantimentos essenciais à subsistência. E esses produtos estão bem sintetizados nesse manjar tipicamente trasmontano que é o folar: a farinha/cereais, os ovos, e a “chicha”, sobretudo a “chicha” de, com a sua licença, o “reco” (animal venerado pelos nossos avoengos proto-históricos, como o comprova o “berrão” que é emblema da nossa associação).

Vimos também que estas romagens de confraternização com os campos, a Terra, a Mãe-Natureza, nesta época do ano, não eram exclusivas de Torre de Moncorvo. Embora o Padre Rebelo não refira, também na freguesia de Açoreira se cumpria a tradição, não só na capela de Senhora da Teixeira (onde se reuniam também os de Sequeiros e até de Torre de Moncorvo), mas também na Santa Marinha, onde há poucos anos se retomou a tradição que esteve meio apagada. Aqui se junta sobretudo o povo da Açoreira, desfazendo os farnéis à sombra das oliveiras e amendoeiras e a festa prolonga-se pela tarde, com bailaricos e jogos populares.

Ainda no concelho de Torre de Moncorvo, também Urros, na segunda-feira da Pascoela, se realizava (e realiza ainda, segundo nos informou a nossa consócia Bina Martins) a romaria à capela de N. Srª do Castelo, onde se desfaziam os folares. Como dissemos, tal como na Srª da Teixeira, nesta capela também era venerada a Srª dos Prazeres, sendo de notar a persistência deste culto associado a lugares onde se comia o folar na Pascoela. Do mesmo modo, o culto de Santa Marinha, que, para além da Açoreira, tem em Felgueiras uma capela (onde nos parece que também se reverencia a Srª dos Prazeres), e onde igualmente se “desfaz o folar” na segunda-feira da Pascoela. No caso de Felgueiras, esta era a grande festa dos moleiros, cujos moinhos jazem em ruínas junto da ribeira que recebe o nome desta capela (ribª de Santa Marinha, afluente da ribª de Mós). Sem interrupções, a tradição continua a realizar-se em Felgueiras, embora agora se faça no Sábado que precede o Domingo da Pascoela (fim de semana a seguir à Páscoa), pelas mesmas razões que nós antecipámos dois dias relativamente ao dia de preceito, ou seja, por segunda-feira ser dia de trabalho.

Como vimos, só na nossa região, havia (e continuam a manter-se) vários casos da tradição de se “desfazer o folar” na 2ª feira da Pascoela, apesar de agora se recuar a sua realização por causa dos dias de trabalho ditados pelos calendários rígidos impostos por um Estado Central que não entra em conta com as tradições locais (de que, noutro plano, é “bom” exemplo a célebre ASAE). Por outro lado, somos um povo pouco dado à preservação de certas tradições, sobretudo nos centros urbanos e semi-urbanos. No caso de Torre de Moncorvo, a última vez de que nos recordamos de haver uma reunião alargada e organizada, para se “desfazer o folar” foi nos meados dos anos 80 do século XX, tendo ocorrido na Srª da Teixeira, com algum impulso do Pe. Rebelo, que por essa altura havia reeditado uma monografia sobre aquele ermitério, escrita pelo Padre José Augusto Tavares nos inícios do séc. XX.

Provando que esta tradição deveria estar amplamente generalizada, talvez por toda a Península Ibérica, nas regiões onde o Cristianismo assimilou e ajudou a “fixar” as tradições pagãs ancestrais, vemos que em Salamanca, a grande cidade universitária castelhana, também existe a tradição de se desfazer o folar, a que chamam “el hornazo” (de “horno” = forno), mantendo-o, ainda hoje e sempre, na mesma segunda-feira da Pascoela, a que chamam o dia de “Lunes de águas”, como desde há anos nos conta o nosso amigo salmantino Angel Garcia. Nesse dia, em Salamanca, é feriado na cidade, porque toda a gente vai desfazer os “hornazos” pelos campos… É a diferença que nos separa dos povos civilizados que, sendo grandes (e talvez por isso), colhem nas suas raízes a razão de ser da sua grandeza… Daí o nosso esforço na preservação da nossa essência, promovendo, ao mesmo tempo, o convívio, a solidariedade, o bem-estar inerente também à dimensão lúdica (e gastronómica), quiçá o tal “Prazer” que nos dava a Deusa, cristianizada em Senhora dos Prazeres, porque os Antigos sabiam que sem Felicidade e bem-estar não há povo que seja produtivo, nem economia que se salve, nem Homem que seja construtivo…
N.R.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Pintura ao vivo no Largo do Rossio de Torre de Moncorvo

Celebrou-se no passado dia 19 de Março o feriado municipal da mui nobre villa da Torre de Mencorvo. Uma das actividades do programa consistiu na pintura de uma tela colectiva, por um grupo de pintores liderado por Aires Santos, com motivos alusivos ao nosso concelho. Um dos objectivos desta acção foi animar a Praça General Claudino, a antiga "praça das regateiras", mas que até ao século XIX era conhecida pelo Rossio da vila.

A obra está provisoriamente exposta na galeria de passagem do Museu, devendo depois constituir acervo da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, que patrocinou o trabalho.

Exposição "Traços de um Património" - 2

Informamos que está ainda patente no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo a Exposição "Traços de um património", de autoria de Aires dos Santos.

Vista geral da exposição.

O visitante pode, calmamente sentado, apreciar as obras expostas e tomar um café, um chá ou um cálice de vinho generoso do Douro. Fica o convite!
Auditório do Museu - uma sugestão para os seus fins de semana!

segunda-feira, 17 de março de 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

Exposição "Traços de um Património"

Caros sócios e amigos do Museu,
Depois de uma nota primaveril no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, com as exposições de Cristina Camargo e dos Alunos do CET - "Amendoeira em Flor, Uma Abordagem Artística", convidamos-vos a participar na inauguração da Exposição do Pintor Aires dos Santos, intitulada "Traços de um Património", que terá lugar no próximo Domingo, dia 16 de Março, no auditório do Museu.

Contamos com a sua presença!

terça-feira, 4 de março de 2008

“Plantação” de amendoeiras artísticas no jardim do Museu

Foi inaugurada nos jardins do Museu do Ferro, no passado dia 1 de Março (sábado), uma exposição intitulada: “Amendoeira em Flor, uma abordagem artística”, que consta de várias esculturas (ou instalações) reproduzindo amendoeiras floridas, executadas em diversos materiais, desde arame, ferro, madeira, papel, “caricas” e até pipocas.



Estas obras de arte foram executadas por alunos do CET (Curso de Especialização Tecnológica) da área de Promoção Turística e Cultural, promovido pelo IPB (Instituto Politécnico de Bragança) e a funcionar em Torre de Moncorvo. A orientadora dos trabalhos foi a professora Raquel Pires.

Esta exposição, tendo como motivo as amendoeiras em flor, vem complementar, de certa forma, a instalação ao ar livre de autoria de Cristina Camargo, representando uma série de pássaros em vidro, fixados em varetas metálicas. Uma alegoria à Primavera que se aproxima e que constitui um bom motivo de visita ao Museu do Ferro e aos seus jardins.
A visita às Exposições temporárias é livre. Aproveite, venha ver, e de caminho tome um café no Auditório!