Vista geral da exposição.
Auditório do Museu - uma sugestão para os seus fins de semana!
Vista geral da exposição.
Auditório do Museu - uma sugestão para os seus fins de semana!
Caros sócios e amigos do Museu,
Foi inaugurada nos jardins do Museu do Ferro, no passado dia 1 de Março (sábado), uma exposição intitulada: “Amendoeira em Flor, uma abordagem artística”, que consta de várias esculturas (ou instalações) reproduzindo amendoeiras floridas, executadas em diversos materiais, desde arame, ferro, madeira, papel, “caricas” e até pipocas.


O facto de se ter feito esta inventariação, com tratamento das peças artísticas e, sobretudo, uma Exposição que acabou por conferir valor social a um património esquecido é de se louvar e apoiar. Apesar da rusticidade de algumas imagens (o que lhes dá um certo ar naïf), a sua antiguidade (entre o século XVII e XVIII) e o facto de serem uma manifestação da religiosidade popular que se inscreve na devotio e no pietismo do Barroco, conferem à exposição um particular significado antropológico e sociológico.



5 - Para a Biblioteca do Museu foi adquirido o livro Tecnologia da Fundição, de José M. G. de Carvalho Ferreira (edição da Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª ed., 2007), com o objectivo de colher informação para se melhorar a apresentação que está patente ao público, em suporte informático, na sala do Ferro do Museu.
6 - Para a Biblioteca do PARM, foi adquirida a importante obra: Memórias Económicas da Academia Real de Ciências de Lisboa – 1789-1815, em cinco volumes (edição do Banco de Portugal). Esta obra integra a colecção “Clássicos do Pensamento Económico Português", e tem vários artigos de interesse onde se faz referência ao estado das manufacturas e da mineração na era pré-industrial, com alusão às ferrarias da Chapa-Cunha (Mós, Torre de Moncorvo) e Foz do Alge (Tomar), além de inúmeros artigos sobre o estado da agricultura nesse período, com propostas para o seu desenvolvimento.
Aqui se inclui uma importante memória sobre a Agricultura moncorvense nos finais do séc. XVIII, pelo Dr. José António de Sá, que foi o célebre corregedor da comarca de Moncorvo, autor de várias medidas de fomento (como a plantação de amoreiras por causa da criação do bicho da seda, por toda a comarca) e limitação de certos “abusos” por parte das câmaras, que eram gravosas para a liberdade dos povos e obstáculos ao Desenvolvimento, na opinião do autor.

7 – Igualmente para a Biblioteca do PARM recebemos do nosso sócio Armando Gonçalves outro relevante contributo, que foram oito números da revista Archeologia, dos anos 1978-1980. Trata-se de uma revista que se publicava em Dijon, França, e se destinava ao grande público, com temáticas que iam desde trabalhos arqueológicos, descobertas, problemáticas científicas, e património em geral, tratadas com bastante rigor.

8 - Ainda para a Biblioteca do PARM o sócio Rui Leonardo ofereceu um Dicionário Escolar da Terra, de autoria de John Farndon, Ed. do Círculo de Leitores, obra de interesse para a iniciação à Geologia e Geografia, especialmente para alunos das escolas.
* * *
Agradecemos encarecidamente os contributos decorrentes de ofertas e apelamos aos sócios e outros beneméritos para que nos ajudem a enriquecer as Bibliotecas do PARM e do Museu do Ferro (neste caso, com livros mais especializados, na temática de geologia, minas e metalurgia).
As obras mencionadas podem ser consultadas nas Bibliotecas do PARM e do Museu, nomeadamente aos Sábados e Domingos.
À falta de uma sala de leitura mais espaçosa, os sócios e outros interessados podem levar os livros até ao Auditório do Museu, aproveitando para ver as exposições patentes e podendo tomar um café.
Aguardamos a vossa visita!!
Anúncio da Typographia de Accacio de Sousa Pennas, sita no Largo General Claudino, em Torre de Moncorvo, publicado no jornal Torre de Moncorvo, cerca do ano 1900.
Estamos a falar, como já perceberam, da nobre arte da tipografia, que regressou a Torre de Moncorvo com a Tipografia Torre, por volta de 1978, localizada no Largo Diogo de Sá, pela mão da sociedade Irmãos Afectos (“retornados” de Moçambique), tendo como tipógrafo o Sr. José Martins (conhecido por Zé Carmachinho, devido a uma alcunha familiar), também ele “retornado” de África.
A tipografia Torre foi depois adquirida por um empresário do sector, sedeado em Mirandela, que para aqui destacou como funcionário o Sr. Tony, o qual viria a transferir a tipografia para o local onde ainda se encontra, na rua Visconde de Vila Maior, mudando-lhe o nome para Tipografia Globo. Entretanto, antes ainda dessa transferência, entrou para a tipografia o Sr. Manuel Barros, actual proprietário (desde 1992), trabalhando com ele outro profissional, o Sr. Morais, também já com longos anos de casa.
Logotipo actual da Tipografia Globo.
Possuindo duas máquinas impressoras Heidelberg, datáveis da 2ª. metade dos anos 50 do século XX, a tipografia Globo utiliza ainda os métodos de composição tipográfica no exacto sentido da palavra, ou seja, utilizando “tipos” (caracteres ou letras às avessas, moldadas em ligas de chumbo e níquel), os quais são alinhados manualmente, num trabalho de perícia e paciência, requerendo uma boa visão. Feitos os ajustamentos da composição dentro de um aro em ferro chamado “rama”, e metido o conjunto na chamada “almofada” da impressora, é um verdadeiro espectáculo ver e ouvir o matraqueado da máquina, puxando as folhas de papel, atirando-as contra a “almofada” onde são tintadas, e arrumando-as lateralmente. É o momento sublime, quando a tipografia se carrega de uma atmosfera mágica, envolta no característico cheirinho a tinta fresca…
Sr. Manuel Barros, inserindo a "chapa" na máquina impressora.
Há depois os “acabamentos” como os cortes em guilhotina eléctrica, a agrafagem, em máquina também eléctrica. Aqui se imprimem sobretudo livros de facturas, ou outros impressos de escrituração comercial, cartazes, folhetos, etc..
No dia 18 de Fevereiro de 2008, aproveitando o ensejo de um trabalho jornalístico realizado pela repórter e jornalista Carla Gonçalves (do Mensageiro Notícias) uma equipa do PARM procedeu a um registo fotográfico e em vídeo digital do funcionamento desta tipografia, através do depoimento dos Srs. Manuel Barros e Morais, a quem agradecemos esta oportunidade de perscrutar uma arte fascinante, embora em risco de soçobrar por falta de rendimento suficiente. Por este motivo, apelamos aos nossos sócios para que divulguem e encaminhem trabalhos para a tipografia Globo, porque ela é um património vivo da nossa vila e, como tal, deveria ser classificada como Valor Concelhio.
Sr. Morais organizando os "tipos" no momento da "composição".

O nome científico do Teixo é: Taxus baccata L.
Segundo o Guia de Campo - As árvores e os arbustos de Portugal continental (editado pelo Público, FLAD e LPN, com a coord. científica de P. Bingre, D. Espírito Santo, P. Arsénio e T. Monteiro-Henriques), é descrito assim: “espécie arbustiva ou arbórea dióica, de copa piramidal ou alargada, até 20 m de altura. Tronco com ritidoma castanho-avermelhado que se destaca em tiras. Folhas: lineares, verde-escuras, glabras, curtamente pecioladas, alternas, dispostas num plano (disticadas) por torção do pecíolo, com 10-30 x 1,5-2,5 mm e uma nervura média saliente que termina num pequeno mucrão (…). Habita: áreas pouco sacrificadas pelo fogo, normalmente localizadas na proximidade de cursos de água, nas serras altas do Norte e Centro. (…) toda a planta é muito tóxica exceptuando o arilo carnudo. Do teixo extrai-se o taxol, substância utilizada no tratamento de vários tipos de cancro, só recentemente produzida por hemisíntese química. A madeira do teixo é muito dura, resistente e elástica; muito procurada para trabalhos de marcenaria; no passado era uma das madeiras mais utilizadas no fabrico de arcos para a guerra e a caça. Muito frequente em jardins, com numerosas cultivares de interesse ornamental”.
Existe a planta macho e fêmea, ambas representadas no jardim municipal de Torre de Moncorvo e agora também no jardim do Museu do Ferro.

Segundo a mesma fonte (Guia de Campo - As árvores…), o teixo é uma das árvores de maior longevidade, podendo durar 1.000 anos! Por isso era considerada pelos celtas da
Irlanda “a mais antiga das àrvores”, segundo o Dicionário de Símbolos de J. Chevalier e A. Gheerbrant.
Nesta mesma obra, diz-se que “o teixo é, no mundo celta, uma árvore funerária e a Irlanda utiliza-o algumas vezes como suporte da escrita ogâmica (…). A madeira do teixo é por vezes utilizada também pela sua dureza no fabrico de escudos e lanças, o que denota também um simbolismo militar. Ibarsciath(escudo de teixo) é o nome de um jovem guerreiro irlandês e alguns nomes étnicos gauleses (Eburovices, combatentes do teixo, hoje Evreux) confirmam esta impressão. Não obstante, a propriedade essencial que parece ter ficado na base do simbolismo desta árvore é a toxicidade dos seus frutos. César cita o exemplo de dois reis gauleses dos Eburões que, depois de vencidos, se matam com teixo. A roda do druida mítico Mog Ruith (servidor da roda), que é uma roda do Apocalipse, era também de madeira de teixo. Eochaid (Ivocatus, que combate o teixo) é, por fim, um dos nomes tradicionais do rei supremo da Irlanda”.
Tudo boas razões para termos esta árvore nos jardins do Museu, esperando que ela ainda aí esteja daqui a uns 1.000 anitos...




A prioridade a estas árvores no terreno anexo ao museu teve a ver, também, com a beleza que as mesmas propiciam no período da floração como agora acontece, podendo ser vislumbradas do muro do Jardim/Av. Engº Duarte Pacheco, constituindo um convite a vê-las de perto.
Como vamos ter, em breve, uma exposição de artes plásticas no auditório do museu (e ao ar livre), aqui fica, desde já o convite: veja a exposição e aprecie a flor da amendoeira!
(fotografias tiradas em 10.02.2008 - direitos reservados)
(fotografia tirada em Fevereiro de 2008 - direitos reservados)
(fotografia tirada Abril de 2007 - direitos reservados) 

Nas terras de Miranda, devido à sua dureza, sonoridade e bela cor de marfim, a madeira de buxo é utilizada na confecção das ponteiras das gaitas de fole. Usa-se ainda nos cabos dos célebres canivetes de Palaçoulo, que são um verdadeiro "bilhete de identidade" dos transmontanos. Também nessa área cultural, as ramagens de buxo servem para forrar os andores de oferendas frumentárias, nas festas do Bitoró (Soutelo) e Senhora do Carrasco (Azinhoso), no concelho de Mogadouro. (Sobre este assunto, ver CAMPOS, N., "O 'ramo dourado' e o Bi-tó-ró, como expressão de aclamação do novo rei da festa", in Forum Terras de Mogadouro, 12-39, Mogadouro, 2001)

Existe o buxo de jardim e o buxo em estado selvagem. Quanto ao primeiro é frequentemente utilizado em sebes (por exemplo, no jardim municipal de Torre de Moncorvo) e nos cemitérios (também existe no cemitério desta vila), evidenciando, neste caso, uma curiosa persistência cultural que tem a ver com o simbolismo milenar evocado no artigo do Dicionário de Símbolos, acima citado. O buxo selvagem tem no vale do rio Sabor uma das maiores colónias conhecidas, surgindo ao longo das margens, no chamado leito de cheia (ver a primeira foto acima), pelo que ficará submerso pela projectada barragem. Assim, com o intuito da preservação de uma amostra desta espécie da nossa região, foram plantados no jardim do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo três pés de buxo, oferecidos pelo actual Presidente da Direcção, Engº Afonso Calheiros e Meneses, que os tinha no seu jardim mas que recolhera no vale do Sabor.
Um dos intuitos do PARM, na âmbito da gestão do Museu, foi privilegiar a plantação de espécies da região no respectivo terreno, no sentido da criação de um mini-jardim botânico, ou seja, procurando representar a "biodiversidade num palmo de terra". Neste caso, o buxo agora plantado, ficou ao lado de um medronheiro, espécie característica da serra do Roborêdo - uma forma de associar, pela botânica, duas áreas do maior interesse ambiental e ecológico do nosso concelho: a Serra e o vale do Sabor.
New 7 Wonders of Nature (clique aqui)
(postado por sócia Sandra Ruge)