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quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Pascoela na Senhora da Esperança - reportagem

Aqui ficam algumas imagens da jornada da Pascoela de 2009, numa iniciativa da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, com a modesta colaboração do PARM.

O Caminho faz-se caminhando... - Como antigamente, pelo caminho velho, com a vila de Torre de Moncorvo em plano de fundo (foto de N.Campos)

Os "peregrinos" aproximando-se da estrada da Açoereira, ainda pelo caminho velho... (foto de Luís Lopes)

E o povo foi-se juntando sob o alpendre da vetusta capela... (foto de Luís Lopes)

Momento para uma espreitadela ao interior - altar da Senhora da Esperança (foto de N.Campos)

Um festival para os mais novos, saltando à corda (foto de Luís Lopes)

Um jogador da malha, em grande estilo, executa o arremesso... (foto de Luís Lopes)

A malha quase acertava no pino! seriam 6 pontos... - Este é um jogo antiquíssimo, existindo centenas de malhas em xisto recolhidas na Vila Velha, vila medieval extinta, que está nas raízes da nossa vila da Torre de Moncorvo (foto de Luís Lopes)

A arraiola era um jogo de grande precisão e perícia que se jogava com moedas, muitas das vezes da época romana, ou então discos de chumbo (foto de Luís Lopes)

Era preciso colocar a moeda sobre a linha marcada na tábua, ou aproximá-la o mais possível. Quando o jogador se achava seguro de que não seria batido pelo jogador seguinte, pedia "tentos!"... As regras podiam variar de terra para terra, impondo-se um registo criterioso destes jogos e suas variantes (foto de Luís Lopes)

Enquanto isso, a pequenada entretinha-se noutros jogos tradicionais (foto de Luís Lopes)

Hora da merenda!!... (foto de N.Campos)
Ponto alto do programa: "desfazendo o folar" (foto N.Campos)
No final, foi desfeito o folar, com merenda farta, vinho e sumos a acompanhar!...
Apesar de se recuar para Domingo esta tradição que se realizava na Segunda da Pascoela, por este ser dia de trabalho, congratulamo-nos com a "ressurreição" deste costume antigo, que é um bom pretexto para se recuperarem outras tradições (como os jogos), um elemento da gastronomia pascal (o "folar"), a fruição de um elemento patrimonial multissecular (a capela), e, para além disto tudo, promover o convívio salutar entre os moncorvenses de todas as idades, de vários bairros e de todas as condições socio-profissionais.
Que para o ano haja mais, com mais participação ainda!

sábado, 18 de abril de 2009

Passeio da Pascoela para "desfazer o folar", na Senhora da Esperança

A tradição continua!
Aqui fica o cartaz-convite para todos participarem amanhã, Domingo (dia 19 de Abril), no Passeio da Pascoela para se “desfazer o folar” no adro da capela da Senhora da Esperança.
Para quem pretenda fazer o percurso a pé, como noutros tempos, pelo caminho antigo, a concentração é defronte da Junta de Freguesia (Avenida Engº Duarte Pacheco), com saída pelas 14;30h.
No adro da capela haverá jogos tradicionais, música, animação, convívio, enquanto se reconstitui a prática ancestral de “desfazer o folar".


Recorde-se que o retomar desta tradição foi sugerida pelo PARM à Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, o ano passado. Sendo esta Junta a proprietária da capela e porque não temos a veleidade nem a pretensão de nos substituirmos a outras entidades (o nosso papel é incentivar a recuperação das tradições e do património cultural em geral), entendemos por bem ser a Junta a ter um papel mais destacado nesta realização, continuando a disponibilizar-lhe o nosso modesto apoio e participação.

Aqui fica, portanto, o apelo aos nossos sócios para que participem também, como moncorvenses empenhados, neste convívio de profunda raiz popular.

Veja mais no blogue À Descoberta de Torre de Moncorvo: http://descobrirtorredemoncorvo.blogspot.com/2009/04/passeio-da-pascoela-para-desfazer-o.html

Aproveitamos também para recordar a realização do ano passado (2008):

http://parm-moncorvo.blogspot.com/2008/03/passeio-da-pascoela-dia-29-de-maro.html
http://parm-moncorvo.blogspot.com/2008/04/passeio-da-pascoela.html




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Registo fotográfico e filmagem da Tipografia Globo (Torre de Moncorvo), no contexto do projecto: “Profissões, Actividades e Artes Tradicionais”


Procurando registar as histórias de vida de pessoas comuns, assim como processos técnicos em vias de desaparecimento por motivos de evolução da técnica (o fatal Progresso!), ou em resultado da desertificação humana que atinge interior de modo geral, o PARM pretende desenvolver um projecto de trabalho intitulado: “Profissões, Actividades e Artes Tradicionais de base rural, artesanal e industrial em vias de extinção”.

Neste projecto cabem os levantamentos já iniciados sobre os Ferreiros e Mineiros da região, que, como seria de esperar, devido à temática do Museu do Ferro, serão alvo de inquéritos mais sistemáticos e desenvolvidos. No entanto, há que não esquecer as histórias de vida das pessoas que viveram ou vivem da lavoura, da pastorícia, ou de actividades como pedreiros, carpinteiros, sapateiros, cesteiros, padeiras, doceiras/cobrideiras de amêndoa, ou outras.

Neste caso, em “outras”, incluímos uma actividade que já existiu num período florescente da história de Torre de Moncorvo, nos finais do século XIX/inícios do séc. XX (quando se chegou a publicar mais do que um jornal nesta vila) e que, tendo passado, voltou a ressurgir na 2ª. metade da década de 70 do séc. XX.

Anúncio publicitário da Tipographia do jornal O Moncorvense, de 28.10.1894, sita na Rua do Cano (actual R. Visconde de Vila Maior)


Anúncio da Typographia de Accacio de Sousa Pennas, sita no Largo General Claudino, em Torre de Moncorvo, publicado no jornal Torre de Moncorvo, cerca do ano 1900.

Estamos a falar, como já perceberam, da nobre arte da tipografia, que regressou a Torre de Moncorvo com a Tipografia Torre, por volta de 1978, localizada no Largo Diogo de Sá, pela mão da sociedade Irmãos Afectos (“retornados” de Moçambique), tendo como tipógrafo o Sr. José Martins (conhecido por Zé Carmachinho, devido a uma alcunha familiar), também ele “retornado” de África.

A tipografia Torre foi depois adquirida por um empresário do sector, sedeado em Mirandela, que para aqui destacou como funcionário o Sr. Tony, o qual viria a transferir a tipografia para o local onde ainda se encontra, na rua Visconde de Vila Maior, mudando-lhe o nome para Tipografia Globo. Entretanto, antes ainda dessa transferência, entrou para a tipografia o Sr. Manuel Barros, actual proprietário (desde 1992), trabalhando com ele outro profissional, o Sr. Morais, também já com longos anos de casa.

Logotipo actual da Tipografia Globo.


Possuindo duas máquinas impressoras Heidelberg, datáveis da 2ª. metade dos anos 50 do século XX, a tipografia Globo utiliza ainda os métodos de composição tipográfica no exacto sentido da palavra, ou seja, utilizando “tipos” (caracteres ou letras às avessas, moldadas em ligas de chumbo e níquel), os quais são alinhados manualmente, num trabalho de perícia e paciência, requerendo uma boa visão. Feitos os ajustamentos da composição dentro de um aro em ferro chamado “rama”, e metido o conjunto na chamada “almofada” da impressora, é um verdadeiro espectáculo ver e ouvir o matraqueado da máquina, puxando as folhas de papel, atirando-as contra a “almofada” onde são tintadas, e arrumando-as lateralmente. É o momento sublime, quando a tipografia se carrega de uma atmosfera mágica, envolta no característico cheirinho a tinta fresca…

Sr. Manuel Barros, inserindo a "chapa" na máquina impressora.

Há depois os “acabamentos” como os cortes em guilhotina eléctrica, a agrafagem, em máquina também eléctrica. Aqui se imprimem sobretudo livros de facturas, ou outros impressos de escrituração comercial, cartazes, folhetos, etc..

No dia 18 de Fevereiro de 2008, aproveitando o ensejo de um trabalho jornalístico realizado pela repórter e jornalista Carla Gonçalves (do Mensageiro Notícias) uma equipa do PARM procedeu a um registo fotográfico e em vídeo digital do funcionamento desta tipografia, através do depoimento dos Srs. Manuel Barros e Morais, a quem agradecemos esta oportunidade de perscrutar uma arte fascinante, embora em risco de soçobrar por falta de rendimento suficiente. Por este motivo, apelamos aos nossos sócios para que divulguem e encaminhem trabalhos para a tipografia Globo, porque ela é um património vivo da nossa vila e, como tal, deveria ser classificada como Valor Concelhio.

Sr. Morais organizando os "tipos" no momento da "composição".